A primeira vez no Velho Continente

Onde ir primeiro, quanto tempo ficar, como economizar… eis um pequeno guia para orientar o viajante na infinidade de opções no destino Europa


Sonho de consumo de nove em cada dez amantes de viagens, a Europa dificilmente decepciona. Não é à toa que os voos que ligam o Brasil às capitais europeias decolem lotados, todos os dias. Atingido em cheio por uma crise econômica desde 2008, o Velho Continente está mais barato e acessível.

Dessa forma, fica mais fácil realizar o sonho de conhecer os cenários que moldaram a humanidade, do Império Romano à União Europeia. São três milênios de história divididos em 46 países e dez territórios, separados por poucos quilômetros de distância um do outro. Bastam alguns dias para conhecer três ou quatro destinos diferentes, o que é mais um ótimo motivo para viajar para lá.

A experiência, porém, exige preparativos com alguns meses de antecedência ao embarque. Escolhidos os destinos, é hora de colocar a viagem dentro do orçamento.

Quem prefere organizar tudo sozinho precisa ter cuidado em dobro na hora de escolher hotéis, voos e fazer reservas. Quanto maior a antecedência na compra de passagens, melhor. Na baixa temporada, as promoções das companhias aéreas são mais frequentes e vantajosas. As ligações diretas com o Brasil – Lisboa, Londres, Paris, Roma, Frankfurt, Milão, Barcelona, entre outras – são mais confortáveis. Mas voos com conexão costumam ser mais baratos. É preciso prestar atenção aos intervalos entre chegadas e partidas, deixando tempo hábil para deslocamentos internos e possíveis atrasos nos aeroportos. Uma vez na Europa, o trem é uma opção barata e segura, e os bilhetes podem ser adquiridos ainda no Brasil.

Vale o mesmo conselho para a hospedagem. Reservas antecipadas evitam surpresas. Às vezes, o hotel mais barato pode sair caro e a economia na diária acaba tragada pelo custo do deslocamento entre os pontos que serão visitados.

Seja qual for o tipo de viajante, o ideal é levar pouco dinheiro em espécie, o suficiente para táxi e gorjetas. Para valores maiores, um cartão de débito internacional ou o cartão do banco habilitado para uso no exterior é mais prático e seguro.

Na ponta do lápis

Cama limpa e chuveiro quente

Este é um item que vai depender muito do estilo do viajante. Se a ideia é viajar com amigos, se divertir, conhecer estrangeiros e economizar, nada melhor do que hostels e albergues. Ao reservar, quase sempre é necessário ter a carteirinha internacional de alberguista, que custa R$ 40 e pode ser feita nos sites de Albergues da Juventude. A página ainda aponta os albergues filiados em cada país, o que pode ser um bom ponto de partida. O site Hostel World mantém um ranking com os melhores do mundo. Outra alternativa é alugar um apartamento por curtas temporadas. No Airbnb – site que permite reservar espaços alternativos, casas e apartamentos – estão disponíveis mais de 100 mil imóveis em 19 mil cidades de 192 países. Para quem não abre mão do serviço de quarto e café da manhã, sites como o Tripadvisor indicam as opções, enquanto o Hoteis.com permite fazer reservas.

Serviço

Mais informações nos sites www.tripadvisor.com.br, www.airbnb.com, www.hoteis.com e www.hostelworld.com

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Menu do dia

Por causa da crise econômica que assola o continente desde 2008, comer ficou mais barato na Europa, inclusive em cidades consideradas caras, como Paris, Moscou, Oslo, Zurique, Genebra e Copenhague. A primeira dica para economizar é comprar comida no supermercado. Em refeições na rua, é bom evitar os locais mais badalados, nas ruas principais, mais famosas e movimentadas. Há opções saborosas em ruas secundárias e points menos comentados. Aqui, mais uma vez, vale a pesquisa. Os sites Tripadvisor e Guia Michelin classificam quase todos os restaurantes de todos os destinos, indicando a faixa de preço, que pode variar muito, com direito a comentários de outros clientes, o que ajuda a evitar decepções.

Serviço

Mais informações nos sites www.viamichelin.com e www.tripadvisor.com.br

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Liberdade para ir e vir

Na Europa, diferente da América Latina, transporte não é nenhum problema. É solução. Com exceção das cidades no Leste Europeu, todas as grandes metrópoles disponibilizam linhas de metrô, trem, VLT, ônibus, ciclovias e calçadas. Viajantes que desembarcam pela primeira vez só encontram dificuldades quando não pesquisam com antecedência. Por isso, vale a pena estudar o roteiro. E avaliar qual meio de transporte adequado ao orçamento. Em cidades menores, como Amsterdã, por exemplo, a bicicleta é a melhor maneira de conhecer o lugar. O mesmo acontece em Copenhague, onde há aluguéis a partir de 5 euros. Em Londres, Paris e Berlim, o metrô, trens e o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) têm passes específicos para deslocamento. Cada país tem o seu. Na capital londrina, o Oyster Card garante descontos de até 50% nas passagens, dependendo do horário da viagem. O usuário compra o cartão por 3 libras e recarrega pelo valor que quiser. Em Paris é a mesma coisa. O cartão Navigo Découverte, por exemplo, custa 18,35 euros por semana e permite o uso ilimitado do transporte público entre áreas urbanas pré-definidas.

Serviço

Mais informações nos sites oyster.tfl.gov.uk e parisbytrain.com

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Fotos para o álbum

Entrada gratuita, passes e descontos facilitam a vida do turista que pretende conhecer museus e outras instituições na Europa. Uma rápida pesquisa no site da Comissão Europeia de Turismo permite conhecer os horários e preços para se planejar com antecedência. Em Paris, 22 museus são gratuitos o ano inteiro. Os menores de 18 anos têm acesso livre a todos os museus e monumentos nacionais. Os maiores de idade têm entrada franca todo primeiro domingo do mês, inclusive no Louvre, no Museu d’Orsay e no Palácio de Versalhes. Em diversas cidades há também os passes de desconto para entradas mais baratas nos museus. No Reino Unido, o caminho é livre para quem aprecia arte. Londres tem mais de 200 museus e, em pelo menos 60 deles, os visitantes não pagam nada para admirar o acervo permanente. É o caso, por exemplo, do Museu Britânico, Museu de História Natural, Victoria & Albert Museum, National Gallery e Tate Modern.

Serviço

Mais informações nos sites www.visitbritain.com, en.parisinfo.com e www.visiteurope.com

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Manual de sobrevivência

Leitores da Gazeta do Povo enviaram as dúvidas sobre a primeira viagem para a Europa. Confira das dicas dos consultores das operadoras BWT, Interlaken, Maktour e MGM

Qual é a melhor época para visitar a Europa?

De julho a setembro, durante o verão, os dias são longos, especialmente nos países localizados ao Norte. Para os que preferem um clima mais ameno e com menor movimento de turistas, a indicação é viajar entre março e junho e setembro a novembro, quando os preços também caem.

Na primeira viagem à Europa, mochilão ou agência de viagem?

Mochilão pode ser divertido e os tropeços da viagem acabam rendendo boas histórias. Mas, na hora H, é melhor contar com a segurança e o conforto que a assistência de um agente de viagens oferece, mesmo se for uma viagem econômica. Especialmente para turistas inexperientes.

Quais são as exigências para visitar a Europa?

Países da União Europeia não exigem visto de brasileiros. É necessário, porém, que o turista possua um seguro com cobertura de, no mínimo, 30 mil euros, e passaporte com validade de seis meses após a data de retorno da viagem.

Em que países a imigração é mais branda e mais rígida com os brasileiros?

O cenário recente de crise na Europa e prosperidade no Brasil fez com que as autoridades alfandegárias relaxassem um pouco, mesmo nos países mais rigorosos, como Reino Unido e Espanha. De qualquer modo, todo país é soberano para decidir se permitirá ou não a entrada do viajante, que poderá ser entrevistado e terá seu perfil e coerência de suas respostas analisados. Nesses casos, é aconselhável que o turista esteja bem vestido, tenha o voucher do hotel e pelo menos 60 euros por dia de permanência.

Quanto dinheiro levar?

Cem euros por dia, por pessoa, sem contar as despesas com hospedagem.

Quais lugares visitar primeiro?

O habitual é conhecer primeiro as capitais e grandes cidades, para visitar todas as atrações mundialmente famosas. Isso dá um panorama geral e estimula uma próxima viagem. Paris, Londres, Barcelona e Roma são os destinos europeus preferidos dos brasileiros. Começar e terminar a viagem em uma cidade que tenha voo direto para o Brasil evita desgastes em conexões.

Qual a média de dias por cidade?

De três a cinco noites para as grandes cidades; e duas a três noites para as pequenas.

Como economizar com passagem de avião, transporte, alimentação e hospedagem?

Os roteiros fechados com agências de viagens têm tarifas especiais para grupos e saídas com datas específicas. Viajar na baixa temporada, ficar atento às promoções das aéreas, ir de trem entre os países e reservar tudo com antecedência também são formas de economizar. Na hora de comer, o almoço compensa mais do que o jantar: em geral, o menu do dia tem três pratos e o vinho e custa um terço da refeição da noite. Fazer compras em mercados e um café da manhã reforçado são boas dicas.

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Qual é a sua dica?

Quem já foi à Europa pode dar dicas preciosas ao turista que visita o continente pela primeira vez. Qual a sua?

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As cartas selecionadas serão publicadas na Coluna do Leitor.

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