Por que as companhias aéreas não querem que você voe na classe econômica básica

Modalidade vem se expandindo principalmente nos EUA, mesmo com limitações aos passageiros

AeronaveA American Airlines é uma das únicas aéreas a permitir bagagem de mão na econômica básica. Foto: Divulgação/American Airlines.

Ao comprar um bilhete de avião, os velhos dias de escolher entre a classe econômica e executiva se foram: as companhias aéreas têm sofisticado seus mercados e criado uma série de opções de viagens, sobretudo na econômica, onde uma tarifa nova aguarda os viajantes mais frugais.

Eles chamam de econômica básica. 

Com pouco tempo de mercado, a econômica básica já está firmemente estabelecida no mercado norte-americano principalmente. Na semana passada, a Alaska Air Group começou a vender a sua versão, e a JetBlue Airways está preparando algo similar para oferecer em meados de 2019.

Para quem ainda não teve a experiência, a econômica básica se difere das demais no seguinte: as tarifas não permitem reembolsos ou alteração. Algumas companhias ainda permitem que você escolha um assento (mediante pagamento de taxa), uma semana ou mais antes de viajar; outras não. A United Continental Holdings não permite que se use o compartimento superior para bagagens. Algumas áreas, como a Alaska e a Delta Airlines, permitem que se acumulem milhas para saltar ao status “elite” dos programas de fidelidade.

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Mas no final, todo mundo no voo vai saber a categoria da sua passagem: não importa com qual companhia que você voe, se você escolher a econômica básica, você irá embarcar por último.

A presidente da JetBlue, Joanna Geraghty, disse que as tarifas básicas refletem um ambiente de consumo em que muitos viajantes compram focando estritamente no preço. “Viajantes altamente conscientes de suas carteiras mostram que eles estão dispostos a desistir de algumas experiências pela menor tarifa possível”, escreveu ela em um post no blog da companhia, alertando que o sucesso da empresa “estaria em risco” sem tais tarifas.

Experiência ruim

Em sua essência, no entanto, o fenômeno dessa categoria é usar uma espécie de marketing às avessas. O objetivo é atraí-lo para a compra dessas passagens, mas, ao mesmo tempo, tornar o uso da categoria tão desagradável que faça a pessoa a juntar dinheiro para comprar a econômica tradicional, agora mais cara. A básica também representa o que parece ser um impulso permanente receita para as aéreas, que muitas vezes relutam em aumentar o preço.

Nos Estados Unidos, a Delta foi a pioneira na econômica básica; uma medida defensiva contra as companhias de baixo custo como a Spirit Airlines e a Frontier, que apresentam os preços baratos como o produto principal. A ideia era combinar suas tarifas em rotas sem escalas concorrentes, embora com menos benefícios (como a de mudar de aeronave).

As tarifas econômicas básicas acompanharam uma forte tendência da indústria das aeronaves, que é dividida em várias cabines com diferentes comodidades, chamado de segmentação. Você pode encontrar sessões de assentos que são a econômica tradicional, a econômica com um pouco mais de espaço para as pernas e a econômica premium, tudo no mesmo avião.

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Permitir bagagem de mão na econômica básica é diferencial em algumas companhais aéreas dos EUA. Foto: Divulgação/American Airlines.

A econômica básica se espalhou pela América Latina, Caribe e atravessou o Atlântico, mas ainda tem que aparecer nos voos mais longos para a Ásia ou América do Sul.

“Se a Norwegian e a WOW Air estivessem oferecendo assentos por 99 dólares para Tóquio ou Buenos Aires para os EUA, com certeza nós teríamos visto a econômica básica nesses mercados” disse Seth Kaplan, editor da revista Airline Weekly. A vantagem de uma companhia de baixo custo reduz a medida que o voo fica mais longo, e os passageiros geralmente consideram refeições e marcação de assentos mais cruciais em rotas maiores.

“Isso em parte explica por que os voos de baixo custo em longos cursos não têm sido tão bem-sucedidos quanto os voos de baixo custo e curta distância”, acredita.

A Alaska começou um “lançamento suave” de sua nova tarifa econômica básica, a “saver”, no início deste mês, em voos de San Diego para três cidades; as rotas para todos os mercados iniciam em janeiro de 2019. A aérea, baseada em Seatle, está divulgando que o cliente poderá fazer a escolha do assento (mas do meio para a parte de trás da aeronave) como o seu principal diferencial em relação ao restante da indústria.

Alguma escolha é melhor do que nada, afirma um oficial da companhia. “Eu acho que é extremamente importante para as pessoas”, falou o chefe comercial da Alaska, Andrew Harrison, quando a nova tarifa foi lançada, em abril deste ano.

Mas até mesmo para clientes que buscam pelo mais barato, uma “linha” precisa ser desenhada em algum lugar. Neste verão, a American Airlines, maior companhia aérea do mundo, começou a permitir que os viajantes da econômica básica trouxessem uma bagagem de mão. Descobriram que estavam perdendo mercado para a Delta, que permitia as bolsas.

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E quanto ao sucesso da estratégia de marketing da companhia aérea? A American disse no mês passado que cerca de 60% dos clientes escolhem a econômica em relação à básica, mas espera que a porcentagem caia para cerca de 50%, por conta das políticas adotadas para a bagagem.

A United é um caso isolado em restringir a bagagem de mão para passageiros da econômica básica; a medida, diz a aérea, tem ajudado a acelerar os embarques nos voos e manter o cronograma das partidas. E também porque a companhia tem visto cada vez mais pessoas trocar para a econômica regular, ao contrário da American. A United não tem planos de mudar as regras de bagagem, disse o chefe comercial da empresa, Andrew Nocella, para analistas de Wall Street no mês passado.

“A básica foi construída cuidadosamente para ser, eu acho, uma vitória, por nos permitir segmentar nosso produto e competir efetivamente contra concorrentes de baixo custos e permitiu nossa operação entregar melhores resultados para todo mundo em termos de partidas no prazo”, disse Nocella. “E está funcionando como desenhamos”.

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