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Adolfo Sachsida

Adolfo Sachsida

Reformas

O Brasil precisa voltar a levar a economia a sério

Quem sofre mais por conta de políticas econômicas equivocadas sempre são os mais pobres. (Foto: Imagem criada com Gemini IA/Gazeta do Povo)

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Ao longo da minha trajetória como economista no setor público, aprendi uma lição fundamental: não existe política social sustentável sem responsabilidade fiscal. Ignorar essa realidade pode gerar ganhos políticos de curto prazo, mas cobra um preço alto no futuro — especialmente dos mais pobres.

O que vemos hoje na condução da política econômica do governo é a repetição de erros já conhecidos. Há uma clara substituição de reformas estruturais por aumento de impostos, expansão de gastos e discursos que tratam o mercado como inimigo. Essa combinação nunca funcionou no Brasil — e não funcionará agora.

Gastar mais não é governar melhor. Crescimento duradouro vem de produtividade, investimento e confiança. Quando o Estado cresce sem limites, alguém paga a conta — e essa conta aparece na forma de inflação, juros altos e desemprego.

Há uma clara substituição de reformas estruturais por aumento de impostos, expansão de gastos e discursos que tratam o mercado como inimigo

A obsessão arrecadatória, travestida de “justiça fiscal”, é, na prática, um desestímulo direto ao investimento privado. Empresários e trabalhadores precisam de previsibilidade. O que se oferece hoje é insegurança jurídica, regras fiscais maleáveis e um discurso hostil ao capital.

Defendo um Estado forte onde ele é insubstituível: educação de qualidade, segurança jurídica, redes de proteção social bem desenhadas e um ambiente propício à inovação. O Estado não deve escolher campeões nacionais nem manipular preços e crédito.

Nenhum país cresce de forma consistente sem uma âncora fiscal crível. Flexibilizar regras e tratar o equilíbrio das contas públicas como detalhe técnico é uma irresponsabilidade.

O Brasil precisa avançar em reformas microeconômicas, melhorar o ambiente de negócios, reduzir burocracias e preparar sua força de trabalho para a revolução tecnológica.

A economia não responde a discursos, mas a incentivos. Sem reformas, disciplina fiscal e compromisso com o longo prazo, continuaremos presos ao ciclo de baixo crescimento e frustração social.

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