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Em plena luz do dia, um mendigo matou a facadas uma mulher e mãe enquanto carregava o filho no colo, porque ela lhe negou esmola. A mulher deixa marido e dois filhos. Aconteceu em Messejana, Fortaleza (CE), em março. O assassino tinha antecedentes por roubo e tráfico de droga. Vídeos nas redes sociais mostram duas mulheres que, depois do evento, defendem o assassino da polícia. Esse é o nível de lavagem cerebral que vivemos hoje.
Um homem de 44 anos esperou dois anos por um transplante de córnea, até que fez a cirurgia. Um dia, de volta à clínica para um controle, um jovem que dormia na frente do hospital foi até ele, lhe desferiu um soco no rosto e o fez perder a visão definitivamente. Aconteceu em janeiro, em Campo Grande (MS). O agressor tinha várias passagens pela polícia por crimes similares.
Nas redes sociais, circula um vídeo de um homem que anda feliz na calçada, com a filha pequena em cima dos ombros, quando um drogado sem camisa dá um violento soco na cara do pai desprotegido e o joga no chão, junto com a filha.
Temos de diferenciar entre os mendigos (ou pedintes) que pedem esmola, os criminosos e os arruaceiros. Não são todos “moradores de rua” da mesma forma
Em Belo Horizonte, um pedinte perseguia uma mesma mulher havia anos; um dia, ele a agrediu com um soco no rosto, enquanto ela andava tranquilamente pela rua. Poderia ter sido pior: ele tinha uma faca no bolso, que não usou. Quando a polícia chegou, o agressor afirmou que mantinha um relacionamento com a vítima. Depois mudou a versão, alegando ter sido agredido por ela. Aparentemente, tinha problemas mentais. Em outro país, estaria em um hospital psiquiátrico ou instituição similar.
No Rio de Janeiro, enquanto atravessava a rua, uma mulher, mãe de três crianças, recebeu três socos no rosto, dados por outro arruaceiro. Poucos minutos antes, o mesmo sujeito tinha tentado um assalto no mesmo local. Um “policriminoso” livre na rua.
Ninguém está generalizando. É obvio que nem todos os moradores de rua são assim. Sabemos que também há mendigos que se comportam de forma oposta e até heroica, como o homem que sacrificou sua vida para salvar uma refém na Praça da Sé, em São Paulo. O ponto não é esse. O ponto é que muita gente anda com medo na rua. O ponto é que pessoas perigosas não têm de estar livres na rua. Simples assim. Essa é a enésima questão que acabou politizada e ideologizada no Brasil.
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A ideologia do politicamente correto que faz com que no Brasil não se fale mais em “mendigos”, mas em “moradores de rua” ou, pior ainda, “pessoas em situação de rua”! Uma farsa! Mas palavras também importam, porque com esses termos se mistura tudo. Temos de diferenciar entre 1. os mendigos (ou pedintes) que pedem esmola, 2. os criminosos e 3. os arruaceiros. Não são todos “moradores de rua” da mesma forma. E ainda há outras duas variáveis que se sobrepõem: alguns deles têm problemas psíquicos e quase todos estão sob efeito de drogas: 86,1% deles são dependentes químicos. Não é uma questão de pobreza; a pobreza importa só no caso dos mendigos (e nem todos eles). Para criminosos e arruaceiros, a situação é diferente.
Os fenômenos sociais são multifatoriais, mas esses casos quase sempre têm a ver com drogas e problemas psíquicos. Quem trabalha com essas pessoas sabe muito bem disso, mas a ideologia impede que o problema seja resolvido.
“Ah, mas na Europa também e assim!”, dizem. Não é verdade. Os casos são infinitamente menos frequentes, e os mendigos estão quase que exclusivamente nas áreas centrais, onde há muita gente (e turistas, que depois voltam e fazem esses relatos) – o que inibe atos violentos – a quem pedir esmola. Mas não é algo que ocorra em todos os bairros, muito menos nos bairros residenciais e mais nobres, como já se tornou comum aqui. E os poucos que estão nas ruas geralmente são pessoas mais velhas e debilitadas, sem força e energia para agredir alguém ou botar medo nos transeuntes.
E sabem o que mais não existe na Europa? Gente que relativiza situações de violência urbana desse nível!
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos








