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Adriano Gianturco

Adriano Gianturco

O Liberalismo e a Luta de classes

Não é ricos contra pobres, é governantes contra governados

governantes vc governados
Conflito permanente entre quem decide o uso do dinheiro público e quem paga a conta: a verdadeira linha de tensão entre governantes e governados. (Foto: Ilustração Gazeta do Povo - com DALL-e)

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Quem sabe que a teoria marxista da luta de classe nasce precedentemente entre autores liberais? O mesmo Marx o reconhece, em 1852, quando escreve “Não reivindico ter descoberto a existência das classes na sociedade moderna ou a luta entre elas. Muito antes de mim, historiadores burgueses tinham descrito o desenvolvimento histórico dessa luta de classe”. Por “historiadores burgueses” (em tom desprezativo) ele quer dizer que defendem o mercado.

Nessa visão, a sociedade é antagônica, sempre há conflito. Para Marx, a luta de classe é entre the haves (ricos) e the haves not (pobres), capitalistas e proletários, senhores feudatários, servos e escravos. É a economia que gera conflito, se luta pelo poder econômico. Segundo a teoria liberal da luta de classe, quem gera conflito é o poder politico, e a luta é entre governantes e governados.

Segundo Adolph Blanqui há dois princípios: liberdade e espoliação; duas facções: quem vive do próprio trabalho e quem do trabalho alheio; e há 3 métodos de espoliação: I) tributação, para aproveitar dos frutos do trabalho alheio; II) privilégios, obrigar a pagar pelo direito de trabalhar (autorizações e monopólios); III) tarifas, para dividir o ganho artificial entre Estado e empresas bem conectadas.

John Calhoun considera que a existência do Estado determina quem tem poder e quem não. A ação fiscal é sempre desigual, pois há I) Pagadores de impostos: quem paga mais do que recebe (a maioria das pessoas); II) Consumidores de impostos: quem não paga impostos e recebe impostos (empregados estatais) e quem recebe mais do que paga (setores subsidiados).

Toda a história apresenta sempre a mesma dinâmica: oposição entre meios econômicos e políticos.

Para Gustave de Molinari, alguns vivem do próprio trabalho e outros do trabalho alheio, tanto roubando quanto escravizando; a história é luta entre opressores e oprimidos para pilhar a propriedade privada. A pilhagem assumiu três diferentes formas, ao longo do tempo: I) Roubo, bandidagem e pirataria; II) Conquista e escravatura; III) Monopólio e privilégio. A ultima é a mais atual e é só mais sutil.

Segundo Frederic Bastiat, há duas maneiras para obter os meios sobreviver: I) produção de bem-estar através do próprio trabalho e II) pilharo bem-estar de outros. Esse último se divide em 3 tipos: pilhagem militar (guerra e conquista); escravidãoe pilhagem estatal.

Depois de Marx, a tradição liberal contínua. Segundo Max Nordau, há 2 formas de sobrevivência: I) Luta contra a natureza hostil; II) Parasitismo. E há diversos tipos de parasitismo: formas mais simples, como a simples violência individual (roubo), a violência coletiva (guerra), a escravidão e todas as formas mais sutis com as quais age o estado.

Para Franz Oppenheimer, há dois métodos de satisfazer as necessidades: I) meios econômicos elementares(trabalho e troca) e meios econômicos organizados (economia de mercado); II) Meios políticos elementares (roubo, apropriação coercitiva) e os organizados (o estado). Toda a história apresenta sempre a mesma dinâmica: oposição entre meios econômicos e políticos.

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Segundo Gaetano Mosca e Vilfredo Pareto, há duas dinâmicas essenciais: i) economia (em busca do próprio interesse nos tornamos úteis aos demais); política (a pilhagem de outras classes). E há 3 tipos de violência: I) Violência ilegal: a do mais forte contra o mais fraco (a mais destrutiva de bem-estar); II) Violência legal: a da maioria contra a minoria (a menos destrutiva de bem-estar); III) Caminho tortuoso: exercitada pelas minorias organizadas contra a maioria.

Somos martelados com o refrão marxista desde crianças enquanto a tradição cientifica aqui apresentada é desconhecida ao grande publico. Todos conseguem ver o poder dos ricos (a riqueza se mede facilmente em números), enquanto e o poder politico é intangível e imensurável. Dessa forma, muitos não notam a verdadeira natureza e a origem do conflito: a política.

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