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Muitos pensam e dizem que o PT é o partido que representa os “últimos” da sociedade, e que é o único a implantar e defender programas sociais. A realidade é bem diferente.
Desde a Segunda Guerra Mundial, as nações escandinavas, tidas como exemplo de qualidade de vida, são governadas por partidos conservadores, ou liberais, ou sociais-democratas. Na Alemanha há sempre uma alternância entre sociais-democratas (SPD) e a democracia cristã (CDU), de direita moderada – às vezes os partidos governam juntos em uma Große Koalition, ou “grande coalizão”. Os Estados Unidos oscilam entre os conservadores e os sociais-democratas, do Partido Democrata; o mais “extremista” dos presidentes democratas foi Jimmy Carter, nos anos 1970 – o marxista Bernie Sanders nunca governou nada. Na Inglaterra, depois de Margaret Thatcher, Tony Blair transformou o Partido Trabalhista no mais moderado New Labour Party (o marxista Jeremy Corbyn é outro que, assim como Sanders, nunca chegou ao governo); desde então, o governo só foi ocupado por sociais-democratas, liberais ou conservadores com Gordon Brown e David Cameron. Na Itália, os esquerdistas que chegaram ao governo no passado recente, como Bettino Craxi, Romano Prodi e Matteo Renzi, eram sociais-democratas. Na França, a direita governou por décadas com figuras como Charles de Gaulle, Jacques Chirac e Nicolas Sarkozy; Emmanuel Macron é um centrista. O país só teve dois presidentes socialistas, François Mitterrand e François Hollande – Hollande não conseguiu fazer nada, e Mitterrand, que estatizou várias empresas privadas e diminuiu a semana de trabalho para 39 horas, governou menos que o PT. Em Portugal, quem fez a austeridade fiscal foi o Partido Socialista!
Em nenhum desses países um partido com as características do PT chegou ao governo, mas todos esses países criaram e mantiveram programas sociais. O Welfare State nasceu na Inglaterra, foi implementado pelo trabalhista Clement Attlee, mas foi criado pelo economista keynesiano (não marxista) William Beveridge.
O PT não é um partido social-democrata de esquerda moderada, não é similar aos partidos de esquerda que governam no resto do Ocidente
Nenhum desses países, mesmo quando governado pela esquerda (moderada), apoiou Irã, Cuba, China, Rússia, Venezuela, Angola, Coreia do Norte, Nicarágua etc. Pode até comercializar com eles e fazer acordos pontuais, mas não faz alianças nem os toma como exemplo de modelo político.
Nenhum desses partidos que governaram as nações descritas acima é composto por ex-terroristas e ex-guerrilheiros; nenhum deles tem ligações com grupos criminosos, terroristas, guerrilheiros e do narcotráfico como as Farc, o MST, o Hamas, o Hezbollah ou o Comando Vermelho.
Em nenhum desses países os governantes mais à esquerda aparelharam o Estado da forma como ocorreu aqui. Em nenhum desses países a esquerda, quando no poder, destruiu tanto a economia como fizeram especialmente Dilma 2 e Lula 3.
Em nenhum desses países a liberdade de expressão foi tão limitada quanto no Brasil dos últimos anos; nenhum desses partidos colocou em prática operações de perseguição política em massa contra adversários políticos como se fez aqui, indo além da classe política e chegando até pessoas comuns. Em nenhum desses países o Estado de Direito foi destruído e pessoas foram investigadas por crimes que não existem (como “fake news”) e julgadas por tribunais de exceção. Em nenhum desses países as escolas fazem tamanha doutrinação e lobotomização. Nenhum desses partidos de esquerda é contra a prisão perpétua, nem contra maioridade penal abaixo de 18 anos.
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O PT criou uma fratura social tão profunda que as pessoas têm visões completamente opostas sobre questões básicas do próprio país – se existe racismo estrutural, se o brasileiro é machista, se o Brasil é um país conservador ou não, se o agro é pop ou fascista, se criminosos são bandidos ou vítimas da sociedade etc. –, sobre a história (por exemplo, a colonização, o império, a Era Vargas) e sobre a própria identidade (os brasileiros são descendentes de africanos ou de europeus?). Em nenhum desses outros países houve um processo semelhante, nem tão profundo.
Tudo isso porque o PT não é um partido social-democrata de esquerda moderada, não é similar aos partidos de esquerda que governam no resto do Ocidente. O PT é esquerda radical, extremista, marxista, antidemocrático e antissistema. O assistencialismo é funcional: é a maneira de conquistar apoio popular para que se possa fazer o resto, a desculpa perfeita para implantar seu sistema persecutório e passar impune. O PT é o partido marxista que mais governou um país democrático. Nenhuma democracia ocidental rica teria aguentado 20 anos de governo de uma legenda marxista; teria virado um país de terceiro mundo.
Há quem vote no PT por receber benefícios sociais, e há quem vote no PT por apoiar o assistencialismo – mas quem faz isso está sendo guiado por um mero mito de bondade, e por não entender a diferença entre sociais-democratas e marxistas.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

Adriano Gianturco é professor, doutor em Ciência Política, coordenador do curso de Relações Internacionais do IBMEC e autor dos livros “Mentiram para nós sobre o Brasil”, “A Ciência da Política” e “O empreendedorismo de Israel Kirzner”. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



