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Criado a apenas 7 anos, movimento Black Lives Matter se espalha por vários países.
Criado há apenas 7 anos, movimento Black Lives Matter se espalha por vários países.| Foto: Scott Heins/AFP

Nas últimas semanas, temos assistido à explosão de diversas manifestações ao redor do globo que remetem à valorização das vidas negras. Além de protestos terem tomado as ruas, a Netflix criou uma categoria “Black Lives Matter” em seu catálogo e o CEO da Premier League, liga de futebol inglesa que está retomando as atividades, Richard Masters, afirmou que apoia menções ao movimento nas camisas dos jogadores do campeonato – na última quarta-feira (17), no duelo entre Manchester City e Arsenal, a frase estava estampada nos uniformes.

O Black Lives Matter é um perfeito exemplo do novo poder que temos observado emergir nos últimos anos, ainda que não se trate de um movimento tão novo assim. No Twitter, a conta e a hashtag do Black Lives Matter foram criadas 2013. Talvez nem todos se lembrem, mas o estopim do movimento se tratou de reação à absolvição pela Justiça dos Estados Unidos de George Zimmerman, que em 2012 matou a tiros o adolescente negro Trayvon Martin, na Flórida. Em uma era hiperconectada, sete anos representam muito tempo. E muitos ciclos.

Durante esse tempo, o movimento se espalhou pelo mundo, e há três aspectos técnicos para isso ter ocorrido. Primeiramente, trata-se de causa legítima e genuína, com um grande vilão quase que perene. Segundo, há uma tal de tecnologia que, com seu efeito rede, habilita a propagação peer to peer altamente acionável, escalável e replicável – um poder copy and past. O terceiro ponto é que, embora existam lideranças, movimentos só são realmente movimentos quando caminham sem elas, com um ar de poder descentralizado, sem líderes claros/tradicionais, o que os torna extremamente (e talvez perigosamente) extensíveis e flexíveis, adaptando-se às realidades onde são invocados.

Por mais que o foco seja a valorização das vidas negras, as reivindicações ligadas ao Black Lives Matter no Brasil tiveram nuances próprias em relação ao que se verificou nos EUA, por exemplo.

Tradicionalmente, a ideia de poder está fortemente vinculada a uma busca por monopólio político, militar, econômico ou decisório. No campo da sociologia, tendo Max Weber como principal referência, o poder costuma ser encarado como a habilidade de imposição de vontade sobre os outros, ainda que haja resistência. O velho poder, portanto, é fechado, inacessível e controlado por um líder. Mas a tecnologia gera cada vez menos esse poder concentrado e atrelado a uma massa, que simplesmente segue e obedece.

Em um mundo hiperconectado, em que os indivíduos criam, compartilham e recriam de forma constante as suas interações sociais, o novo poder, horizontal e fluido, parece belo. Mas ao englobar novas formas de organização, presentes em um mundo muito polarizado e de mobilização distribuída, os desafios de gestão e governança aumentam. Novos incentivos, novos riscos.

Entender as nuances do novo poder é um desafio que se apresenta ao mais alto escalão empresarial. Por isso, aprofundamos o tema na primeira Certificação para Conselheiro de Inovação do Brasil, mais um inovador programa Gonew.co, que passo a ter honra de dividir com Ricardo Amorim e Marco Poli, no qual vamos provocar a alta gestão para esse desafio.

As estratégias do novo poder têm capacidade para engajar pessoas de diversas partes do mundo por ser aberto, colaborativo, tecnológico, baseado nas comunidades e nos pares. Um grande vilão, aliado à tecnologia e à extensibilidade, gera um novo poder hiperconectado que, como vemos no Black Lives Matter, perpetua-se em ciclos. Eles são como ondas sucessivas do grande oceano do excesso de informação. A julgar pela superfície, o Ocidente se mostra um mar mais revolto, em que os poderes tradicionais e as instituições vêm sendo questionados por todos os lados. Talvez esteja nesse espectro a real disputa hegemônica mundial.

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