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Entre várias contribuições trazidas pelo célebre economista da Escola Austríaca, Ludwig von Mises, certamente a de que o preço alto sinaliza a escassez é uma das principais. O conceito é cristalino para analisar o atual cenário causado pela alta do diesel no Brasil.
Desde o início da guerra, o preço do diesel disparou nos postos de combustíveis pelo país. Com o fechamento do Estreito de Ormuz, não só o transporte de petróleo e seus derivados ficou prejudicado, como também muitas empresas do Golfo Pérsico diminuíram drasticamente a produção de óleo diesel. O resultado é a escassez do combustível em vários países do mundo.
Em algumas cidades brasileiras já ocorre a falta do combustível. Segundo o Sindicato dos Combustíveis de PE, houve uma redução de 50% do volume vendido pela Petrobras. Com a menor oferta, evidentemente, o preço do diesel dispara.
Não se trata de ganância dos distribuidores e donos de postos, mas meramente da aplicação da lei da oferta e da procura. Se, hipoteticamente, fosse praticada a mesma política do governo Sarney e o governo proibisse o aumento do preço do combustível, a escassez aumentaria ainda mais.
O preço mais baixo não aumentaria a oferta do diesel. Pelo contrário, incentivaria ainda mais o consumo em um momento de falta de combustível, agravando ainda mais a situação pelo país. Portanto, a disparada do preço segue uma lei natural da economia, evitando um consumo desenfreado em um momento de escassez, que poderia levar à falta completa do diesel nos postos de gasolina.
Mas é claro que conceitos liberais passam longe dos governos, ainda mais quando se trata de uma administração de esquerda como a atual.
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Preocupado com a disparada do preço dos alimentos, uma vez que o diesel é utilizado na agricultura (tratores e colheitadeiras) e no transporte das mercadorias, o governo propôs um subsídio na venda do combustível. A ideia seria a venda do diesel a um preço menor do que o atual, em que o Tesouro Nacional e os estados arcariam com a diferença para o posto.
Por exemplo, em vez de vender o produto a R$ 7,20 o litro, o posto venderia a R$ 6,00, e o governo arcaria com a diferença de R$ 1,20. Antes que alguém questione, o posto não teria condições, no cenário atual, de vender o combustível a R$ 6,00, pois o diesel se tornou mais caro no mercado interno diante da escassez.
Há dois problemas no subsídio proposto pelo governo. O primeiro é que a venda em um valor abaixo do preço de equilíbrio de mercado poderá estimular o consumo, agravando a escassez.
O segundo problema é que o subsídio não é de graça, nem é pago pelo governo federal ou estadual. Como o dinheiro do governo vem dos impostos arrecadados da sociedade, a subvenção é paga, no final das contas, pelo trabalhador brasileiro. Sem contar que subsidiar o diesel poderia levar a um rombo adicional de R$ 30 bilhões aos cofres públicos.
Mas, evidentemente, responsabilidade fiscal e livre mercado nunca foram a preocupação de administrações petistas. Nessas horas, pensam apenas em medidas populistas para ganhar as eleições.
Se, nas escolas, os estudantes entrassem em contato com o pensamento de Mises, certamente o debate no Brasil seria muito mais racional, sem que a população acreditasse em propostas “milagrosas” e “indolores” do Estado.








