Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Alan Ghani

Alan Ghani

Crise internacional e eleições

Impactos econômicos da guerra favorecem Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro
Corrupção, insegurança e possível crise econômica podem pesar contra o governo e abrir espaço para Flávio Bolsonaro. (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

Ouça este conteúdo

Há vantagens e desvantagens em disputar uma eleição presidencial sendo governo. O ponto a favor é a utilização da máquina pública para ganhar votos com medidas populistas, como o fim da escala 6 por 1, elevação de auxílios governamentais e isenção do IR, sem condições fiscais para isso. Em sentido contrário, uma piora na economia, mesmo motivada pelo cenário externo, e casos de corrupção, justos ou injustos, são creditados ao governo de turno.

Até ontem, o principal tema de campanha – segurança pública – já beneficiava Flávio Bolsonaro. O motivo é óbvio. O PT governou o país por 17 anos e entregou poucos resultados na área, se apegando mais à ideia de que, se “resolver o social, a criminalidade diminui”. Agora, as circunstâncias mudaram, e a segurança pública divide os holofotes com a corrupção e, em breve, com a economia, nos temas que irão pautar o debate eleitoral.

Os casos envolvendo os roubos de aposentados no INSS e a pirâmide financeira do Banco Master prejudicam a imagem do atual governo. Primeiro, na percepção popular, os estouros de corrupção são associados a aqueles que estão no poder, mesmo que não estejam envolvidos, o que não é o caso.

No INSS, os desvios subiram vertiginosamente neste governo, o Ministério da Previdência demorou para tomar providências, mesmo ciente da situação, e o filho de Lula é investigado por supostamente receber uma mesada de R$ 300 mil.

No caso do Master, ocorreu um encontro do presidente fora da agenda, o escritório da família de Lewandowski recebeu R$ 5 milhões enquanto ele era ministro, e o STF, identificado como um puxadinho do governo e o algoz de Bolsonaro, tem dois juízes com relações pessoais que receberam recursos de Vorcaro por meio de empresas ligadas aos seus familiares.

É claro que todos os episódios citados são indícios, e nenhum deles responde a um processo judicial. Mas o tempo e o julgamento do tribunal do eleitor são bem diferentes do tribunal judicial.

VEJA TAMBÉM:

Além da segurança pública e dos casos de corrupção, Flávio Bolsonaro poderá ganhar mais um aliado eleitoral: os efeitos econômicos adversos da guerra entre Irã e EUA.

Se a guerra persistir por mais algumas semanas, e o petróleo e o gás natural se mantiverem em patamares elevados, poderemos ter inflação – talvez combinada até com recessão.

Como o petróleo e o gás natural são utilizados na agricultura e em diversos processos industriais, uma alta dessas commodities traz uma elevação generalizada dos preços. Basta tomar como exemplo a agricultura: haverá alta dos fertilizantes, pois utilizam gás natural como insumo. O óleo diesel ficará mais caro para abastecer tratores e colheitadeiras, sem contar a elevação dos combustíveis para fazer a distribuição dos alimentos nos mercados. Tudo isso resulta na inflação de alimentos.

Mas é claro que não é apenas o alimento que sobe; diversos setores são atingidos por serem dependentes de petróleo ou gás natural, como as indústrias de plástico, cerâmica, vidro, papel e celulose, geração de energia termoelétrica e transportes (aéreo e rodoviário).

A inflação é o efeito mais imediato, mas o choque de oferta poderá vir acompanhado de redução da produção. A depender da extensão e do tamanho da alta do petróleo e do gás natural, poderá ocorrer o pior cenário: estagflação.

O governo, evidentemente, vai dizer, em sua defesa, que a culpa da inflação ou de uma eventual recessão tem a ver com uma guerra na qual o Brasil não participa. Não importa: na percepção da população, a culpa vai para o governo. Goste-se ou não, o cenário eleitoral é favorável para Flávio Bolsonaro.

Você pode se interessar

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.