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Eu já contei que a pessoa que vai me buscar para uma palestra em Brasília avisou que está com carro blindado. Acho que nunca andei de carro blindado na vida. E fico chocado ao perceber a realidade do meu país. Estou aqui na Europa, onde nunca ninguém vai andar de carro blindado – talvez faça isso no Irã, que nem é mais Europa. Aqui ninguém fala de tiroteio, assalto à mão armada, essas coisas que temos no Brasil e que tratamos com a maior naturalidade. Nós naturalizamos o anormal, e vamos nos acomodando à nossa decadência.
Digo isso enquanto vejo o Atlas da Violência no Brasil. Tivemos 42,6 mil homicídios em 2024, mas o próprio Atlas informa que podem ser 50 mil, tudo isso em um único ano! Isso está perto do número de soldados norte-americanos mortos na Guerra do Vietnã ao longo de dez anos. Ou seja, viver no Brasil é dez vezes mais perigoso que ter sido um soldado americano no Vietnã.
Diz o Atlas que o estado campeão de homicídios é o Amapá, de Davi Alcolumbre e de Randolfe Rodrigues; é um estado pequeno, será que eles não resolvem isso? Na ponta oposta da lista, o estado mais seguro é o maior, o mais populoso, o de maior produção, o de maior pagamento de impostos, o de maior economia: São Paulo. São 45,7 homicídios a cada 100 mil habitantes no Amapá, contra 6,6 em São Paulo.
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Depois do Amapá, vêm Bahia, Pernambuco, Alagoas e Ceará. Coincidência ou não, são todos estados onde o candidato Lula é forte nas pesquisas. Ele faz discursos sobre o assunto, mas até agora o que vemos é PCC e Comando Vermelho trocando tiros, fazendo buzinaço pelas ruas da antiga capital do Brasil, dominando a Amazônia. Donald Trump sugeriu que os narcotraficantes fossem considerados terroristas, mas a realidade aqui é Deolane Bezerra, presa e investigada por associação com o PCC, tirando fotografia com o presidente e com a primeira-dama.
Cláudio Castro também está enrolado com Daniel Vorcaro
Nós acompanhamos a relação de Daniel Vorcaro com Flávio Bolsonaro e tantos outros. Agora o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro foi alvo de mandado de busca e apreensão. Ele teria trabalhado para o Master ficar com R$ 3,6 bilhões da RioPrevidência, de 235 mil funcionários do Rio de Janeiro. Cláudio Castro está para lá de enrolado.
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Falei antes dos estados do Nordeste, mas não mencionei o Piauí. Pois agora mencionarei, porque vi uma gravação, feita em abril, do presidente da Federação do Comércio, que é a associação de todos os comerciantes do estado, dizendo que o Piauí tem 3,4 milhões de habitantes, mas só 300 mil têm carteira assinada. O resto está todo recebendo dinheiro dos impostos, do trabalho dos outros. São mais de 3 milhões de pessoas, beneficiárias de todo tipo de favores que servem, no fim das contas, para comprar votos.
Não satisfeito, o governo federal ainda quer que as pessoas trabalhem menos. E o presidente da Federação do Comércio acrescentou: “eu sou dono de uma rede de supermercados. Claro que, se eu tiver de pagar a mesma coisa para os meus funcionários trabalharem menos, vou ter de compensar isso. De R$ 5 milhões, vou passar a pagar R$ 6,5 milhões de folha. Então, vou ter de cobrar isso no preço das mercadorias, e todos vão pagar”.
Esta é a triste história do nosso país em decadência. É fácil entender por quê. Basta olhar este século, por exemplo, com governantes dizendo que não faz mal roubar celular, é só para tomar uma cervejinha. É a decadência moral total.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

Alexandre Garcia começou sua trajetória no jornalismo na década de 70. Trabalhou na Globo, onde passou pelos principais telejornais da emissora. Hoje atua como comentarista em 32 jornais e 210 rádios. É um dos nomes mais respeitados da imprensa brasileira, por sua expertise e opiniões contundentes, exercendo grande influência na mídia nacional. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



