
Esse diário do médico Anthony Fauci teve um efeito explosivo. Ele escreveu tudo em um computador do trabalho, salvou em servidor do governo, e aí foi fácil para as investigações do Senado encontrarem o material. Fauci foi convocado, precisou ir à Comissão de Segurança e Assuntos Governamentais do Senado, ficou em silêncio o tempo todo, mas revelaram tudo o que estava no diário. O que me chamou atenção foi o fato – que ele escondeu, mas estava no diário – de o próprio Fauci ter tido uma trombose pulmonar depois de ter tomado a vacina contra a Covid. O que se diz por aí – eu até procurei, mas não encontrei comprovação – é que, só em 2021 e 2022, as mortes de atletas jovens equivaleram ao registrado nos 50 anos anteriores.
E temos ouvido um barulhento silêncio aqui no Brasil sobre tudo isso. Pelo jeito, muita gente sentiu que também é responsável pelas coisas que Fauci pregou e que não eram necessárias: máscara, distanciamento, isolamento. Aqui no Brasil a Constituição foi totalmente desrespeitada: direito de ir e vir, direito de reunião, liberdade de expressão, vedação à censura, tudo foi ignorado. As pessoas eram censuradas só por falar em certas coisas; eu falava o óbvio, daquilo que eu via. Minha mulher é médica e estava curando; nenhuma paciente dela foi hospitalizada com Covid porque havia (e há) cura, e cura barata. Mas era proibido falar no tratamento, e a Polícia Federal chegou a ir à casa de pesquisadores como Flávio Cadegiani e Ricardo Zimerman, fora tantos outros médicos e médicas que foram calados.
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Enquanto isso, toda hora um certo programa de televisão mostra (ou mostrava, não sei mais, faz mais de 20 anos que eu não assisto a televisão) que “descobriram agora uma raiz na Amazônia que cura o câncer”. Era amplamente noticiado, e não havia problema nenhum. Na medicina existe o que se chama de uso off label de medicamentos, quando se descobre um uso que não estava na bula. A ciência é assim: experimenta-se; se não deu certo, esquece; se deu certo, usa-se para salvar vidas.
Depois de tudo o que aconteceu no Senado americano, os estados de Louisiana, Flórida e Alabama estão se unindo para processar Fauci. Mas em 19 de janeiro de 2025, um dia antes de sair da presidência, Joe Biden assinou um perdão amplo e incondicional a Fauci por sua atuação desde 2014 no Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas. E, como assessor de saúde do presidente dos Estados Unidos, recebeu um perdão sem que estivesse respondendo a nenhum inquérito. Não sei como a Justiça vai resolver isso.
Ainda já juízes que sabem o que é imunidade parlamentar
Alexandre de Moraes perdeu uma causa judicial em São Paulo. A mulher dele, Viviane, e os filhos, componentes do escritório de advocacia que teve um contrato de R$ 129 milhões com o Daniel Vorcaro e o Banco Master, estavam processando o senador Alessandro Vieira, relator da CPI do Crime Organizado, pedindo indenização por danos morais. Ele havia dado uma entrevista no SBT na qual falava das ligações entre o Master e o PCC, além de algumas declarações sobre Moraes e Dias Toffoli. O juiz recusou. É óbvio: a Constituição, no artigo 53, diz que “deputados e senadores são invioláveis civil e penalmente por quaisquer palavras”. E Viviane Barci ainda terá de pagar R$ 2 mil em honorários advocatícios para o senador.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

Alexandre Garcia começou sua trajetória no jornalismo na década de 70. Trabalhou na Globo, onde passou pelos principais telejornais da emissora. Hoje atua como comentarista em 32 jornais e 210 rádios. É um dos nomes mais respeitados da imprensa brasileira, por sua expertise e opiniões contundentes, exercendo grande influência na mídia nacional. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



