
Vocês ainda se lembram dos “anões do Orçamento”? Tinham esse nome porque eram todos baixinhos. O deputado João Alves era o líder desse grupo, que metia a mão nos milhões do orçamento, do dinheiro dos seus impostos. Para justificar a fortuna que ele tinha amealhado, dizia que havia ganho na loteria umas 200 vezes. O também deputado Miro Teixeira denunciou que, segundo a Caixa, Alves tinha ganho 24 mil vezes em cinco anos. Ele acabou renunciando ao mandato para não ser cassado e ficar inelegível. Isso aconteceu há mais de 30 anos.
Pois agora surgiu uma cópia de João Alves: um empresário ligado a Daniel Vorcaro, Antônio Carlos Freixo Júnior, diz que ganhou 570 vezes na loteria, e que isso lhe rendeu R$ 176 milhões, segundo o Ministério Público de São Paulo. Vocês notaram que, desde que o Supremo “lavou” a Lava Jato e fez Lula virar ficha limpa, todos entenderam que a corte deu luz verde para a corrupção? Nesses últimos quatro anos, a corrupção subiu em todos os lugares. Venda de almas e de favores, corrupção de funcionários do público fazendo advocacia administrativa, se omitindo, fingindo que não veem, e isso em toda parte.
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PT vai inventar interferência americana para tentar melar a eleição
Muita gente está preocupada e lançando suposições, porque Lula sentiu que a brisa da mudança está virando vento. As pesquisas mostram que a campanha dele vai mal. Um amigo argentino que acompanha a disputa aqui me disse que Lula está desatualizado, fora de moda, que essa campanha parece que não ser feita para jovens, porque repete as mesmas lenga-lengas de sempre e os jovens que trabalham com redes sociais querem coisas mais rápidas. Lula não admite que possa perder para um candidato jovem, e por isso começou a espalhar que Trump está interferindo. Como assim? O que Trump pode fazer? Não pode fazer nada. Eu não vi nas redes sociais nada de diferente, que me convencesse a mudar voto.
Muita gente acredita que isso é uma preparação, em conluio com os amiguinhos do Supremo, que sabemos quem são, para atrapalhar a eleição se houver a percepção de que Lula vai perder, talvez até no primeiro turno. Deixo o aviso para nos acautelarmos contra as invenções desses últimos dias, porque agora faltam menos de duas semanas para a eleição.
Brasil se retira antes de discurso de Netanyahu na ONU e passa vergonha
Que vergonha passamos na ONU! A delegação brasileira se retirou do plenário porque o chefe de governo de Israel ocuparia a tribuna. E Netanyahu, quando viu essa retirada, ainda questionou: “Algum covarde ainda não se retirou? Por favor, se retire”. A delegação brasileira foi uma das que se retiraram, como já tinha feito no ano passado e em 2024, por ordens do governo Lula. No discurso, o presidente fala em multilateralidade, em paz com todo mundo, mas faz uma coisa dessas. Nenhuma novidade: com Lula, a fala é sempre diferente da prática.
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Milei disse verdades na tribuna da ONU
O que teve muita repercussão nos jornais brasileiros foi o discurso de Javier Milei. Ele disse umas verdades: que a ONU é inútil, que não tem evitado guerras, que é um bando (e isso eu vi lá, quando estive na sede da ONU) de burocratas de nariz em pé. Cada vez que muda um secretário-geral, ele traz o seu trem da alegria, o pessoal do seu país de origem, apaniguados políticos que ficam lá o resto da vida sendo sustentados pelos países filiados da ONU, sem efetividade, eficácia ou eficiência. Estão lá para aplaudir e fazer reuniões.
Foi um discurso efetivo. Milei falou das Malvinas, falou da atração de investimentos para a Argentina, mostrou o que a Argentina tem, e aproveitou para fazer a crítica correta, porque a ONU estava cheia de boas intenções, quando de sua criação dela. Mas depois... Eu cobri guerras no Oriente Médio, e em alguns lugares – não era o caso das tropas brasileiras, mas de militares de países europeus – eu só vi os boinas azuis, ou capacetes azuis, em barzinho tomando cerveja.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

Alexandre Garcia começou sua trajetória no jornalismo na década de 70. Trabalhou na Globo, onde passou pelos principais telejornais da emissora. Hoje atua como comentarista em 32 jornais e 210 rádios. É um dos nomes mais respeitados da imprensa brasileira, por sua expertise e opiniões contundentes, exercendo grande influência na mídia nacional. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



