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Leio os títulos dos jornais: “Freio no crescimento”, “Economia perde o fôlego” e outros eufemismos para mostrar a estagnação do PIB no terceiro trimestre do ano. Títulos enganadores, porque fazem pressupor que havia crescimento e fôlego. Meninos, eu vi o que é crescimento. Cobrindo economia no Jornal do Brasil, eu acompanhei, no que agora chamam de “anos de chumbo”, os anos dourados do PIB brasileiro. Em 1973 crescemos 14%. Nem a China conseguiu isso. A média de crescimento em quatro anos foi de 11,2% ao ano. Milagre econômico, chamaram. Milagre nada. Foi produto de entusiasmo, otimismo. Abriam-se empresas e empregos. Faltavam empregados, papelão de embalagens, veículos na vitrine. Sobravam renda, emprego, produção, compra e venda. Só esfriou quando o petróleo de que o Brasil necessitava saltou de US$ 3 para US$ 12 por barril.
Agora o PIB ainda mostrou 0,1% positivo no trimestre, porque o petróleo é nosso. O pré-sal de petróleo e gás é que garantiu um décimo por cento de positivo, porque a indústria de manufaturados encolheu, o comércio perdeu fôlego – a 25 de Março, em São Paulo, e o Saara, no Rio, mostram isso. Até o agro, que sustenta o balanço de pagamentos, ficou apenas com menos de 0,5% positivo. Nenhuma praga, oposta ao milagre; apenas o óbvio: só o trabalho produz riqueza. Num país em que 45% da população ativa vive de benefícios sociais pagos pelos impostos tirados de todos, o crescimento é impossível. Eram R$ 90 bilhões em 2019, agora são R$ 285 bilhões em benefícios. Em 13 estados – do Norte e Nordeste – o número de beneficiários é maior que o de assalariados, e falta mão de obra para a atividade econômica de emprego intensivo. Muito óbvio. O PIB parou porque estão empatados a renda e o gasto. A poupança, em novembro, diminuiu em quase R$ 3 bilhões. Com eleições o ano que vem, o gasto aumenta. E aí?
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Proibir reeleição seria uma solução, mas muitos vão dizer que é contra Lula. Com o populismo em campanha, todos vão pagar depois. Pagam os que geram riqueza, emprego e impostos, e os que se beneficiam disso, porque já não cai maná há mais de 3 mil anos. E não há almoço grátis. Tem de pagar. E só se paga quando houver geração de riqueza. E aí, repito o óbvio: só o trabalho gera riqueza – para sustentar governos e seus populismos. Populismo e contas públicas não fecham jamais. Demagogia não gera investimento nem produtividade; ao contrário. Sem crescer, não há riqueza a distribuir. Distribuir sem ter é desastre a ver. Na base, a conta de energia sobe mais que a inflação.
Não se festeja aumento do Bolsa Família; o que se deve festejar é a diminuição dos que recebem o benefício, porque o melhor programa social é o emprego. Mas populismo incha em ano eleitoral, até explodir as contas públicas. O arcabouço só existe em declarações do ministro. Na realidade, é apenas uma propaganda enganosa, já que uma pilha gigantesca de bilhões de reais foi posta dentro da cartola dos mágicos contábeis. Uma reeleição com presidente populista é vitória de Pirro, pois será sua derrota gerir um Estado esfacelado. Mas, se for derrotado, deixa as contas para o vencedor pagar. O populismo gera pobreza, com propaganda de riqueza.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

Alexandre Garcia começou sua trajetória no jornalismo na década de 70. Trabalhou na Globo, onde passou pelos principais telejornais da emissora. Hoje atua como comentarista em 32 jornais e 210 rádios. É um dos nomes mais respeitados da imprensa brasileira, por sua expertise e opiniões contundentes, exercendo grande influência na mídia nacional. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



