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Alexandre Garcia

Alexandre Garcia

Reforma Tributária

Empresas vão viver um manicômio tributário em 2026 enquanto o governo vive à base de propaganda

Impostos Lula
“Governo Lula não se dá conta de que cobrança excessiva de impostos acaba prejudicando o próprio Executivo”, avalia Alexandre Garcia (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

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O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Antonio Alban, disse em uma entrevista recente que em 2026 as empresas brasileiras vão viver um manicômio tributário, porque vem aí dois impostos novos.

Um é até falsamente chamado de contribuição. Que contribuição? É imposição, portanto é imposto.

Teremos a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que vão conviver com o ICMS, o IPI e outros impostos. Ainda não vai haver o recolhimento, mas já tem que fazer, calcular.

O Banco Mundial mostrou, antes da reforma tributária, que as empresas brasileiras gastavam em média 1.500 horas por ano para preparar o pagamento dos impostos. É um absurdo!

O governo deveria facilitar, porque a pessoa está entregando parte do seu trabalho para sustentá-lo. Deveria vir de joelho: “Olha, não quero atrapalhar nada. Eu vou facilitar o pagamento”.

É por isso que eu encontro tanta gente como um brasileiro que encontrei em Tampa, na Flórida: “Lá eu sonegava tudo que podia. Aqui eu tenho uma lojinha, eu pago cada centavo e acho pouco. Porque tem bons serviços públicos de limpeza, de segurança, de escola para os filhos. E o imposto, mesmo assim, é pequeno”.

Curva de Laffer: a lição que o governo ignora

Quando se tira muito dinheiro do cidadão, chega um ponto – a curva de Laffer mostra isso – que o excesso de imposto faz com que a pessoa não aguente mais e passe a produzir menos, a vender menos e a pagar menos impostos. E aí cai a arrecadação.

Será que não se dão conta disso? Não, não se dão conta. Porque cada vez mais o governo gasta mais. Dívida federal de trilhões pagando um juro imenso chamado serviço da dívida.

É dinheiro morto. E ainda assim tem que cobrar mais imposto, porque se criou quase 40 ministérios. Burocracia não produz riqueza, só consome riqueza.

Quanto menor o Estado, mais ágil e mais dinâmico ele é... Mais estímulo para a economia. Mas, enfim, é uma conversa que eu queria ter com vocês nesse início de ano, porque não vai ser um ano fácil, não.

Um governo que vive à base de gasto com propaganda

Eu vejo um governo que vive por propaganda. “Menor índice de desemprego”. Claro, só se considera desempregado quem está procurando emprego. Quem não está não entra nessa conta.

Treze estados do norte e nordeste têm mais Bolsa Família do que carteira assinada. Muitas pessoas desses estados não estão procurando emprego, mas também não estão trabalhando, não estão produzindo riqueza, não estão oferecendo trabalho, nem estão procurando.

É uma coisa muito triste o que a gente está vendo, e o governo segue gastando dinheiro de impostos com muita propaganda. Eu não sei por que um governo tem que ter propaganda. Governo não vende nada – não vende sabonete, não vende carro, mas gasta com propaganda para banco de fomento. Para que o Banco do Nordeste precisa de propaganda se o concorrente dele é o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES)?

Propaganda de governo deve ser a prestação de um bom serviço público: saúde pública funcionando bem, escolas públicas ensinando, limpeza e segurança pública funcionando. Essa deve ser a única propaganda de um governo.

De Brasília, Alexandre Garcia.

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