
O Estadão é um dos principais jornais deste país e está acompanhando bem o escândalo gigantesco que está se tornando essa liquidação do Banco Master. Eu já falei aqui que eu não vi nenhum tipo de interferência quando liquidaram o Econômico, que tinha Antônio Carlos Magalhães e Ângelo Calmon de Sá, que era ministro; o Nacional, que tinha Magalhães Pinto, ex-governador, ex-presidente do Senado, ex-ministro; ou o Bamerindus, que tinha Andrade Vieira, ex-ministro da Indústria e Comércio. Ninguém fez nada.
O ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, no Estadão, conta essa mesma história sobre a liquidação de outros bancos, com políticos de muito peso; ninguém tentou blindar ou atrapalhar a liquidação, nem se meter no Banco Central, que hoje tem autonomia, mas na época daquelas liquidações ainda não tinha – e, mesmo assim, ninguém se meteu. O governo Fernando Henrique, por exemplo, respeitou a ação do Banco Central, que é muito criteriosa. Por que, então, toda essa história com o Master?
Um vereador em Erechim (RS), influenciador com 1,7 milhão de seguidores, contou ao Estadão que foi procurado para ganhar dinheiro dizendo que o Master é vítima de perseguição do Banco Central. Isso foi no dia 20 de dezembro, mais ou menos um mês depois de o Master ter sido liquidado pelo BC. Isso é Daniel Vorcaro com seus tentáculos, seus amigos, e aqueles que ele tem no bolso. No dia em que ele falar, decerto vai atrapalhar a vida de muita gente. Tem aquele contrato com o escritório da esposa do ministro Alexandre de Moraes, de R$ 3,6 milhões por mês, que ninguém consegue explicar transparentemente. Tem Dias Toffoli levando para o Supremo um caso que estava na primeira instância, e botar um sigilo absoluto por cima.
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E agora vem o Tribunal de Contas da União, como se houvesse dinheiro da União no Master, quando é exatamente o oposto: o Master é que certamente deve ter comprado muito papel do Tesouro Nacional. O TCU não tinha nenhum motivo pra se meter nisso. É um órgão do Legislativo, que já está tomando providências, já tem assinaturas suficientes para fazer uma CPI e investigar essa história. E a Polícia Federal vai ouvir outra vez o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa, diretores do Master e do BRB, para apurar por que o BRB queria tanto comprar o Master. Que motivação havia, a ponto de a bancada governista ter sido mobilizada para aprovar no Legislativo do Distrito Federal a compra do Master, considerada um grande negócio.
Lewandowski e Haddad estão de saída
O presidente Lula vai ter de achar um ministro da Justiça e um ministro da Fazenda, porque Ricardo Lewandowski e Fernando Haddad vão cair fora. Lewandowski era ministro do Supremo; ele não viu que a Constituição diz “República Federativa do Brasil”, e fez um projeto de segurança pública que esquece a Constituição. Segurança pública é com os estados, mas Lewandowski estava praticamente transformando a Federação em república unitária. Claro que os governadores não quiseram saber. Esse protesto vem desde sempre no Brasil: o governo central se metendo demais nos estados.
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Haddad deve estar dando graças a Deus que vai embora. Não conseguiu resolver os problemas, inventou aquele arcabouço, uma espécie de camuflagem para acabar com o teto de gastos estabelecido no governo Temer – uma das melhores coisas que foram feitas naquela época. E o resultado está aí, um déficit imenso. Se Lula tivesse juízo, seria até divertido: chamaria Paulo Guedes, que botou tudo em ordem com pandemia em metade do mandato; ainda assim, fechou com superávit. É possível fazer; basta aplicar o “mais Brasil e menos Brasília”.
História do passaporte de Eliza Samudio é coisa de mistério policial
É enredo para um filme ou livro de mistério policial essa história da descoberta, em uma pensão em Portugal, do passaporte de Eliza Samudio. O ex-goleiro Bruno, do Flamengo, foi condenado a 22 anos pela morte dela; não se achou o cadáver até hoje. Isso faz 15 anos, e agora aparece um passaporte em Portugal. Não é para a gente imaginar mil coisas ou fazer um enredo de ficção, de mistério?
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

Alexandre Garcia começou sua trajetória no jornalismo na década de 70. Trabalhou na Globo, onde passou pelos principais telejornais da emissora. Hoje atua como comentarista em 32 jornais e 210 rádios. É um dos nomes mais respeitados da imprensa brasileira, por sua expertise e opiniões contundentes, exercendo grande influência na mídia nacional. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



