
Recebi uma lista de 58 políticos que foram aposentados no primeiro turno. Não vi nessa lista o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, porque ele teve algumas vitórias, mas jornalistas o chamavam de o grande estrategista, o que previa votos, o que sabia onde estavam os votos, o que sabia escolher os candidatos. De vez em quando o jornalismo cria figuras de sua preferência e todo mundo embarca e vai repetir o que alguns próceres inventaram.
O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, foi o candidato do PSD à Presidência, o grande candidato da terceira via. Eu mesmo achava um excelente candidato, tem experiência, fez uma excelente administração em Goiás, acabou com a bandidagem. Já foi candidato à Presidência da República quando jovem, foi deputado, senador, governador, prefeito. Não deu. Teve 2,18% dos votos.
O ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes, candidato do PSD de Kassab ao governo do estado, perdeu. O atual governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), ficou em quarto lugar. No Paraná, o deputado federal Sandro Alex (PSD) ficou com a metade dos votos que elegeram o senador Sergio Moro (PL) ao governo no primeiro turno.
O PSD ganhou com Raquel Lyra em Pernambuco, Fábio Mitidieri (Sergipe), Eduardo Braide (Maranhão) e Dr. Furlan (Amapá). Ganhou dos candidatos de esquerda. Kassab recusou apoio ao candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL), disse que Flávio tinha “chance zero” de vencer. Pronto, lá se foi o seu dom profético. O PSD elegeu 43 deputados, não é muito se considerarmos que tinha 42. Fica o registro de uma invenção jornalística que não se confirmou.
Quem paga pelas benesses do governo nas eleições?
Eu tinha um SUV a diesel, não tenho mais. Agora, tenho um híbrido que usa gasolina adulterada por álcool. Mas sabe quanto vocês estariam me pagando se eu usasse diesel? Ou nós todos, eu também, R$ 2,12. O governo prorrogou a subvenção de R$ 2,12 por litro de diesel até o dia seguinte ao segundo turno. Esse valor está saindo do imposto de todo mundo.
A prorrogação da medida custará R$ 10 bilhões aos cofres públicos até o fim da eleição. Isso aí é o quê? Não é o artigo 299 do Código Eleitoral, compra de voto por benefícios? Só vale na eleição. O aumento do Bolsa Família foi na eleição. A promessa de canetinha para emagrecer foi na campanha eleitoral. Está tudo de bandeja para a Justiça Eleitoral enquadrar como crime eleitoral. Está lá escrito: basta prometer com fins eleitorais. E agora estão fazendo fake news para dizer que, se Flávio ganhar, vai tirar isso.
Discurso de ódio na Paulista
Ficou muito marcado em mim as imagens da Avenida Paulista neste domingo (12), porque eu já ouvi o discurso de 13 de março de 1964, do comício da Central do Brasil, no Rio de Janeiro. Eu fiquei muito assustado quando ouvi gritos dizendo que era para pendurar os donos de jornais nos postes. Em 1964, teve um discurso pesado do José Serra, que tinha 21 anos e era presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE).
E, agora, eu ouço o mesmo discurso de ódio nas ruas. As pessoas que estavam lá, odientas. É crime aqui no Brasil fazer o que fizeram com a bandeira dos Estados Unidos na Avenida Paulista. Isso é crime, desrespeito a símbolos nacionais de outras nações, de nações amigas. Eu vi que uma senhora estava numa lanchonete, mas chegaram manifestantes e ela começou a ser ameaçada. A polícia teve que intervir e dar apoio para ela sair. Fiquei assustado com o ódio que está no coração de certas pessoas.

Alexandre Garcia começou sua trajetória no jornalismo na década de 70. Trabalhou na Globo, onde passou pelos principais telejornais da emissora. Hoje atua como comentarista em 32 jornais e 210 rádios. É um dos nomes mais respeitados da imprensa brasileira, por sua expertise e opiniões contundentes, exercendo grande influência na mídia nacional. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



