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Alexandre Garcia

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Eleições

Lula, as fake news sobre Nossa Senhora e a teocracia fajuta brasileira

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Lula ergue imagem de Nossa Senhora durante ato de campanha em Belém: uso político da religião. (Foto: Ricardo Stuckert)

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É ridículo, mas é levado a sério pelo presidente candidato à reeleição. Inventaram uma mentira, de que o candidato que vai subindo nas pesquisas quer retirar o título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. Parece coisa rasteira, sem importância, uma bobagem vulgar. Mas foi necessário apelar para o Tribunal Superior Eleitoral para tirar a mentira que poderia estar prejudicando o candidato Flávio Bolsonaro. Imediatamente interveio um ministro do Supremo, Flávio Dino, cancelando a derrubada da mentira, sob o argumento de que é liberdade de expressão religiosa. Claramente uma interferência a favor de manter a circulação nas redes de uma mentira. Em outras palavras, o ministro do Supremo impulsiona a mentira que, nas redes, tem sido chamada de fake news.

Em entrevista à Band News, o presidente Lula também impulsionou as fake news. E tomou a iniciativa, antes de qualquer pergunta. Disse não saber se iriam perguntar, mas que considera que ele não aceita mexer com Nossa Senhora Aparecida. A repórter cortou a palavra, e explicou que se trata de uma comprovada mentira, já desmentida na própria origem, mas Lula não se deu por vencido: “O dado concreto é que está nas redes sociais”. Quer dizer, uma mentira, nas redes sociais, vida dado concerto, isto é, fato. Depois, ainda afirmou que quer respeito a todas as religiões. Ninguém insistiu em informar o presidente que não é ele quem quer; é a Constituição, no artigo 5.º, inciso VIII. Santa teocracia fajuta brasileira! Lula, dias antes, havia argumentado que o vermelho da bandeira do PT é do sangue de Cristo, cometendo o que, para as religiões cristãs, é uma blasfêmia.

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A mentira usa um projeto de 2007, de Victorio Galli, um pastor da Assembleia de Deus, deputado suplente de Mato Grosso, volúvel porque já passou por sete partidos, para alterar a Lei 6.802/1980, que criou o feriado de 12 de outubro em homenagem a Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. O projeto mantinha o feriado, mas mudava para “Nossa Senhora Aparecida, padroeira dos brasileiros católicos”. O projeto foi arquivado. Até porque Nossa Senhora da Conceição Aparecida é padroeira do Brasil não por lei brasileira, mas por decreto do papa Pio XI, de 1930. É decreto papal, que talvez só possa ser mudado por outro decreto do papa. Além disso, Flávio Bolsonaro não tem nada a ver com isso. Em 2007, ele era deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Se não é verdadeiro, é oportuno, devem ter pensado Lula e Dino. A última semana de campanha virou vale-tudo porque há desespero com a tendência revelada pelas pesquisas. Com tanta questão importante – corrupção, compra de autoridades públicas, mentira, hipocrisia com apostas, descrédito de instituições, compra de votos com benesses, juros estratosféricos puxados por dívida pública em consequência de déficits fiscais e gastos excessivos em prejuízo de serviços públicos, insegurança pública e jurídica, instabilidade econômica, fuga de capitais –, com tudo isso, a discussão é religiosa. Se assim for, deveriam discutir moralidade, ética, justiça, que estão na essência da religião. Mas, enfim, as fake news com Nossa Senhora são graves, mas não são uma facada, como a do final de campanha em 2018.

Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

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