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O presidente Lula está cheio de preocupações, afinal, esse é um ano eleitoral. Ele já está dizendo até que ainda não decidiu se vai ser candidato, pois não está gostando das pesquisas que estão aparecendo. O último Datafolha — e o Datafolha tem a fama de puxar para o lado de Lula — mostra, no segundo turno, Flávio Bolsonaro na frente por um ponto; e, no caso de Romeu Zema e Ronaldo Caiado, também empatados com Lula, com três pontos abaixo, mas tecnicamente empatados*.
Então, o Lula deve estar olhando com preocupação para isso, porque tem seis meses pela frente de deterioração da imagem dele. Ele está com 40% de "péssimo" ou "ruim" em seu governo e 48% dizendo que não votariam nele de jeito nenhum; é o rei da rejeição. É preciso ajeitar as coisas na economia: endividamento, juros e inflação, pois ele está colhendo o que plantou.
Lula não pode sequer dizer que não teve tempo de fazer isso, porque está no terceiro mandato e este é o quinto mandato do PT de distribuir picanha a mancheias.
Situação está difícil na Câmara dos Deputados
Lula está mexendo de novo na Câmara dos Deputados, pois a situação está difícil. A Gleisi Hoffmann saiu do Ministério da Articulação Política e entrou o José Guimarães, irmão do José Genoino. Eu estava no Aeroporto de Congonhas no dia em que o secretário dele foi pego com a cueca cheia de dólares, indo para Fortaleza e esvaziando o cofre do PT, porque estava entrando o interventor Tarso Genro na presidência do partido após a saída de José Genoino.
E o Paulo Pimenta, que foi o representante do Lula nas enchentes do Rio Grande do Sul, será o líder do governo na Câmara, logo após a troca de liderança. O PT trocou o líder: saiu Lindbergh Farias e entrou um menos conhecido, Pedro Uczai, de Santa Catarina, talvez menos brigão.
Caiado e Zema não têm a mesma projeção nacional de Flávio
As preocupações do Lula são muito sérias nesses seis meses. Ele está em campanha; aliás, Lula sempre esteve em palanque. O interessante é a propaganda que ele faz e da qual deve estar arrependido: cada vez que ele fala, traz à tona o nome de Bolsonaro, o que acaba ajudando o Flávio.
Flávio é um nome conhecido no país inteiro pelo sobrenome, enquanto Caiado e Zema não têm essa mesma projeção nacional. Caiado foi candidato a presidente em 1989 e percorreu o país, mas aquela geração já esqueceu; ambos são de estados centrais e pouco conhecidos nas extremidades Norte e Sul.
Processo da dosimetria deve demorar
No dia 30 de abril, está marcada a sessão do Congresso para apreciar os vetos do presidente à Lei da Dosimetria, que altera as penas dos condenados pelo 8 de janeiro. Com essa lei, a pena de Bolsonaro, por exemplo, poderia cair de 27 anos para 2 anos.
Muitos acreditam na aprovação, mas o processo deve demorar, pois é necessário examinar caso a caso para soltar, embora a condenação tenha sido feita em grupo. Cita-se o caso de Débora do Batom, condenada a 14 anos por escrever em uma estátua com batom removível, e o do senhor de Blumenau, também condenado a 14 anos por doar R$ 500 para um ônibus de manifestantes.
Na véspera, ocorrerá a sabatina do Messias, um acordo feito porque Davi Alcolumbre temia uma CPI do Master. No caso Master, encaminha-se a delação de Daniel Vorcaro, que deve envolver também Fabiano Zettel. Outro envolvido morreu estranhamente na prisão, o caso ainda carece de esclarecimentos.
* Metodologia da pesquisa: 2.004 entrevistados pelo Datafolha entre os dias 7 e 9 de abril de 2026. A pesquisa foi contratada pela Folha de S. Paulo. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos percentuais. Registro no TSE nº BR-03770/2026.








