
Está dando o que falar a reação do presidente Lula em uma entrevista a um podcast quando lhe perguntaram sobre o Lulinha ser investigado. Ele disse: “Se ele errou, ele responderá como filho de qualquer pessoa”. Já “desfiliou” o filho. Não é mais filho do Lula se for investigado. Estão até fazendo a piada de que vão dizer que ele é filho do Bolsonaro. A situação se presta a esse tipo de brincadeira.
Não foi brincadeira o que se tentou fazer no Supremo. O pedido da Polícia Federal sobre a investigação de Lulinha por tráfico de influência no Ministério da Saúde iria direto para o ministro André Mendonça, que já está tratando dos casos do Lulinha. No entanto, entregaram o pedido para o presidente do Supremo, que estava viajando. O presidente em exercício era o vice, Alexandre de Moraes, que, em vez de mandar para o André, mandou para o sorteio. E o destino quis que fosse para o André Mendonça.
E já vem outra investigação da Polícia Federal sobre o Lulinha, desta vez envolvendo a Dataprev. Ele, que por algum motivo está na Espanha, no Ministério da Saúde fazia lobby para aquela história do cannabis. Já na Dataprev, tem a ver com os idosos da previdência que ficaram mais pobres.
Jaques Wagner no caso Master
Outra investigação da Polícia Federal, também com o ministro André Mendonça, aponta 74 ligações entre o chefão do Master, Gilberto Lima, e Jaques Wagner. Eram acertos de viagens de avião, pedindo um avião bem discreto para ninguém saber e informando o prefixo da aeronave para irem à “Ilha da Paixão”. Depois, há agradecimentos e declarações como “nós amamos você”, da mulher de Jaques Wagner para Vorcaro. É uma grande afinidade.
As queixas de Lula sobre o Alvorada
Outra do Lula: em entrevista a um grupo, ele se queixou do Palácio da Alvorada, dizendo que é ruim de morar. Eu ouvia isso do João Figueiredo, que não escondia de ninguém que aquilo lá era uma vitrine e que no quarto entrava o cheiro da cozinha. O Figueiredo acabou indo morar na Residência do Torto – que é a residência oficial de fim de semana do presidente da República, e não a Granja do Torto. É o tipo de imprecisão que jornalista desinformado passa para você.
Mas, enfim, o Lula, ao contrário, está se queixando de que a cozinha é muito longe, que a cerveja chega ao quarto quente e o cafezinho chega frio. Em véspera de eleição, é mais uma pérola. Todos os dias tem mais uma.
Ele também falou em São Paulo sobre o Foro de São Paulo, que foi criado por ele, pelo Chávez, pelo Ortega e pelo Fidel para a “democracia” na América Latina. Os regimes comunistas fazem isso. Costumavam chamar a Alemanha comunista de “República Democrática da Alemanha”. A gente tem que saber traduzir.
O papel do jornalismo
Chega a época de eleição e faz-se de tudo para usar a falta de conhecimento do povo como massa de manobra. Aposta-se que o brasileiro esquece tudo em 15 dias: esquece que foi usado como massa de manobra no 8 de janeiro, esquece o Mensalão, o Petrolão… Talvez já tenham esquecido que 6 milhões de aposentados e pensionistas foram atingidos – o que é difícil de esquecer, porque pega muitas famílias. E agora há esse caso Master, que é inesquecível.
Eu fico me perguntando por qual razão 40 milhões de brasileiros que possuem moto e carro a gasolina começam a ser prejudicados com o aumento da adição de álcool na gasolina. Fico horrorizado quando vejo uma agência de notícias publicar: “Veja como proteger seu carro com 32% de etanol na gasolina”. Isso não é jornalismo. Não fazem reunião de pauta?
Jornalismo de verdade é apontar que vão diluir mais álcool na gasolina, prejudicando todo mundo, e tratar isso como um desrespeito à cidadania. O titular deveria ser: “Veja como defender sua cidadania do desrespeito por parte do governo”. É nisso que o jornalismo tem que trabalhar, e não ficar contra a sua audiência e a favor do Estado quando se comete uma adulteração de gasolina como essa – já que o máximo suportável seria 11%, e agora está em 32%.

Alexandre Garcia começou sua trajetória no jornalismo na década de 70. Trabalhou na Globo, onde passou pelos principais telejornais da emissora. Hoje atua como comentarista em 32 jornais e 210 rádios. É um dos nomes mais respeitados da imprensa brasileira, por sua expertise e opiniões contundentes, exercendo grande influência na mídia nacional. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



