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Alexandre Garcia

Alexandre Garcia

CPMI do INSS

Acabou a blindagem para Lulinha

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Eduardo Girão (Novo-CE) mostra foto de Lulinha durante sessão da CPMI do INSS. (Foto: Carlos Moura/Agência Senado)

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O sigilo fiscal de Lulinha está duplamente quebrado: pelo ministro do STF André Mendonça, a pedido da Polícia Federal, e também pela CPMI do INSS no Congresso Nacional. Agora vai se descobrir muito mais coisas. Acho até que Lulinha não deixa rastro, mas nessas quebras de sigilo a Polícia Federal certamente vai buscar detalhes envolvendo Roberta Luchsinger, que é apontada como intermediária entre o filho de Lula e o “careca do INSS”.

Convocar Guedes e Campos Neto foi tiro no pé dos petistas

Foi pueril, um gesto de adolescente, a retaliação de Jaques Wagner e Randolfe Rodrigues à ofensiva contra Lulinha: a CPI do Crime Organizado no Senado convocou Paulo Guedes e Roberto Campos Neto. Grande erro: não há ninguém no PT capaz de chegar aos pés nem de Guedes, nem de Campos Neto em dialética, no manejo das palavras, na esgrima verbal – e nem nos argumentos. Os petistas ofereceram uma tribuna para eles arrasarem. Para vermos como as emoções realmente não são boas conselheiras.

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O passado veio à tona para desembargador que absolveu homem de 35 anos que vivia com menina de 12

Está bem encrencado o desembargador de Minas Gerais que soltou e absolveu um homem de 35 anos que vivia com uma menina de 12 anos, alegando que a união era voluntária. A lei diz que, abaixo de 14 anos, a adolescente é totalmente incapaz; não interessa se houve ou não consenso. Magid Láuar e outro desembargador, Walner Azevedo, formaram maioria de 2 a 1 na 9.ª Câmara do Tribunal de Justiça de Minas; o voto contrário foi da desembargadora Kárin Emerich.

Quando percebeu o escândalo nacional que a decisão provocou – graças às redes sociais; se não fosse por elas, nada disso teria acontecido –, Láuar “desvotou” seu voto; mandou prender o homem de 35 anos e também a mãe da menina de 12, que autorizava o relacionamento. A adolescente está sob a tutela normal do pai. Mas àquela altura o desembargador já estava exposto: um primo dele veio a público dizer que, quando era adolescente, Láuar havia tentado abusar dele. Apareceram outros, e agora já são quatro denúncias. O caso está no Conselho Nacional de Justiça, ou seja, agora é tarde: o desembargador despertou o passado e quebrou a cara feio.

Acho que essa decisão, de considerar que um adulto de 35 anos podia se aproveitar sexualmente de uma menina de 12, despertou algo nessas pessoas que estavam caladas, talvez por vergonha. E o primeiro a denunciar desencadeou a segunda, a terceira e a quarta denúncia. Sabe-se lá o que ainda vem nesse dominó. É terrível!

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Nada impede gente desqualificada de chegar a cargos importantes

O que também é terrível é o fato de uma pessoa que praticou esses atos tenha chegado a desembargador. Não houve nenhum filtro que pudesse impedir isso. Imagino que tenha passado por alguma sabatina, mas ela é incapaz de comprovar o saber jurídico e se a pessoa tem temperamento para ser juiz.

Vejam um outro caso, do julgamento dos irmãos Brazão, condenados a 56 anos: um era ex-deputado estadual e conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro; outro era deputado federal. Um terceiro condenado era ex-chefe da Polícia Civil, outro ainda era ex-assessor do TCE, havia também um PM. E essas pessoas vão galgando cargos, vão subindo. Só reparei que, pelos votos, quem era promotor público e virou ministro do Supremo continua com a natureza de promotor público. Não tem isenção de juiz, não tem a balança pesando os dois lados. O instinto da acusação é forte, o acusador não sai da cabeça.

Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

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