
A jornalista Malu Gaspar divulgou uma gravação da suntuosa festa paga por Daniel Vorcaro para autoridades brasileiras em Londres. Estava bonita mesmo a festa: as pessoas tomando as melhores bebidas, ouvindo música, vendo dançarinos... e Vorcaro pagando tudo – na verdade, quem pagava eram os aposentados do Amapá, os aposentados do Rio de Janeiro, porque as previdências estaduais estavam aportando no Banco Master o dinheiro que Vorcaro gastava para comprar pessoas.
Mas o mais escandaloso de tudo são as conversas envolvendo muita gente conhecida, inclusive um diretor de televisão, sobre mulheres – que, pelos diálogos, eram tratadas como se fossem bonecas infláveis, sem nenhum valor, mencionadas literalmente como “escravas”. A mulher era apenas um objeto, comparável, como eu disse, a uma boneca inflável, sem nenhum valor como pessoa. Não sei o que as feministas militantes dirão a respeito disso, já que alguns participantes dessas festas aqui em Brasília, em Trancoso, no exterior, em São Paulo, são ligados ao governo. E certamente registraram as imagens dessas pessoas, para que os homens que participaram também se tornem escravos – já o eram antes mesmo de participar porque, coitadinhos, precisavam de Vorcaro.
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Jovem morto pela PM de São Paulo avançou sobre policiais como se empunhasse arma
Vi as imagens daquilo que chamaram de “covardia” da PM de São Paulo, que matou um jovem desarmado, parece que com mais de 20 tiros. Qualquer um de vocês atiraria, porque esse jovem escondeu-se numa esquina; a polícia veio se aproximando com cautela, de arma na mão, e o jovem pegou seu celular, fingiu que era uma pistola e avançou sobre os policiais, apontando para eles. Era noite, e um celular tem algumas linhas que parecem a empunhadura, o ferrolho de uma pistola. Os policiais imaginavam que receberiam fogo e, para não serem mortos – isso se chama “legítima defesa putativa” –, atiraram para se defender. O comando da polícia já viu as imagens, e disse que os policiais fizeram o que deveriam ter feito.
Eu não sei onde o jovem estava com a cabeça. Não sei se ele achou que daria um susto nos policiais, mas foi completamente errada essa atitude, e ele acabou pagando com a vida por essa brincadeira. Isso me lembra o caso de um brasileiro que, ao ser revistado no aeroporto de Miami, foi questionado sobre o que levava, e respondeu que tinha uma bomba; imediatamente foi preso, detido e mandado de volta. Ele disse que era brincadeira, mas não se faz brincadeira com autoridade policial; foi o que esse jovem quis fazer. Um outro, coitado, achava que sabia inglês. Ele tinha uma dessas bombinhas para dilatar os brônquios, provavelmente por ser asmático, e o nome disso em inglês é pump, não bomb. Perguntaram o que ele tinha, e ele respondeu que tinha uma bomb, que é bomba. A sorte dele foi que abriram e viram que era uma pump, ou seja, medicine, remédio o que ele tinha lá.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

Alexandre Garcia começou sua trajetória no jornalismo na década de 70. Trabalhou na Globo, onde passou pelos principais telejornais da emissora. Hoje atua como comentarista em 32 jornais e 210 rádios. É um dos nomes mais respeitados da imprensa brasileira, por sua expertise e opiniões contundentes, exercendo grande influência na mídia nacional. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



