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Alexandre Garcia

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Eleições

Primeiro turno mostrou que Bolsonaro segue presente

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O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, após votar no Rio de Janeiro. (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

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O primeiro turno já decidiu o segundo. E decidiu os próximos quatro anos. Nessas três semanas de campanha até o dia 25, 20 governadores já estão eleitos e livres para trabalhar por Flávio Bolsonaro ou Lula. Desses 20, apenas três são do PT: Bahia, Ceará e Piauí. Cinco são do PL e os demais, de partidos de centro ou centro-direita. Além disso, Flávio tem o trunfo dos eleitores pusilânimes, aqueles que querem ganhar eleição aderindo ao provável vencedor. Flávio sai na frente, com mais chances, já que os votos dados a Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema, tendem, em sua maioria, a ampliar a vantagem de Bolsonaro. Há mais de 158 milhões de eleitores registrados, e foram quase 120 milhões os votos válidos. Teoricamente, há um potencial de 38 milhões de votos que não contaram – além dos 10 milhões de votos que, no primeiro turno, foram dados a outros candidatos que não os dois.

Assim, Flávio, com 56,1 milhões de votos, e Lula, com 53,8 milhões, vão buscar votos entre quase 50 milhões que não votaram neles no dia 4. Os grandes cabos eleitorais serão os que já tiveram vitórias no primeiro turno: governadores e senadores. Flávio tem mais cabos eleitorais, principalmente nos três maiores eleitorados do país: São Paulo, com Tarcísio de Freitas; Minas Gerais, com Cleitinho; e Rio de Janeiro, com Douglas Ruas, que talvez nem precise ir para o segundo turno. Lula terá o quarto colégio eleitoral, a Bahia, com o governador reeleito; o Ceará, oitavo em número de eleitores, com o reeleito Elmano. No quinto e sexto colégios eleitorais, Paraná e Rio Grande do Sul, Flávio contará com Sergio Moro e Zucco, governadores já eleitos. Em Pernambuco, o sétimo estado em eleitorado, Lula apoiou o derrotado. 

O Supremo, com a condenação de Bolsonaro, estimulou o bolsonarismo, que elegeu mulher, filhos e irmão de Jair

Entre os puxadores de voto para presidente estarão os que foram eleitos senadores e carregam milhões de eleitores. No maior colégio, Guilherme Derrite e André do Prado serão força para Flávio. No segundo, Minas Gerais, Marília do PT vai ajudar Lula e Domingos Sávio, do PL, ajuda Flávio. No Rio, os dois senadores eleitos são PL. Na Bahia, Rui Costa e Jaques Wagner vão reforçar Lula. Nos estados do Sul, todos os senadores eleitos vão trabalhar por Flávio; no Nordeste, nem todos estarão com Lula.

As composições da Câmara e do Senado têm como maior bancada a do PL. Esse é um argumento que favorece Flávio, pois Lula teria dificuldades com uma composição com a direita majoritária. O Senado ficou com tal composição que pode ser um poder moderador. Tem força para tirar ministros do Supremo e força para impedir indicados, se o presidente for Lula. Adélio Bispo, com a facada, ajudou a eleger Bolsonaro. O Supremo, com a condenação de Bolsonaro, estimulou o bolsonarismo, que elegeu mulher, filhos e irmão de Jair; elegeu a maior parte dos governadores e as maiores bancadas do Congresso. Luís Roberto Barroso não “derrotou o bolsonarismo”; apenas provocou-o.

Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

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