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O primeiro turno já decidiu o segundo. E decidiu os próximos quatro anos. Nessas três semanas de campanha até o dia 25, 20 governadores já estão eleitos e livres para trabalhar por Flávio Bolsonaro ou Lula. Desses 20, apenas três são do PT: Bahia, Ceará e Piauí. Cinco são do PL e os demais, de partidos de centro ou centro-direita. Além disso, Flávio tem o trunfo dos eleitores pusilânimes, aqueles que querem ganhar eleição aderindo ao provável vencedor. Flávio sai na frente, com mais chances, já que os votos dados a Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema, tendem, em sua maioria, a ampliar a vantagem de Bolsonaro. Há mais de 158 milhões de eleitores registrados, e foram quase 120 milhões os votos válidos. Teoricamente, há um potencial de 38 milhões de votos que não contaram – além dos 10 milhões de votos que, no primeiro turno, foram dados a outros candidatos que não os dois.
Assim, Flávio, com 56,1 milhões de votos, e Lula, com 53,8 milhões, vão buscar votos entre quase 50 milhões que não votaram neles no dia 4. Os grandes cabos eleitorais serão os que já tiveram vitórias no primeiro turno: governadores e senadores. Flávio tem mais cabos eleitorais, principalmente nos três maiores eleitorados do país: São Paulo, com Tarcísio de Freitas; Minas Gerais, com Cleitinho; e Rio de Janeiro, com Douglas Ruas, que talvez nem precise ir para o segundo turno. Lula terá o quarto colégio eleitoral, a Bahia, com o governador reeleito; o Ceará, oitavo em número de eleitores, com o reeleito Elmano. No quinto e sexto colégios eleitorais, Paraná e Rio Grande do Sul, Flávio contará com Sergio Moro e Zucco, governadores já eleitos. Em Pernambuco, o sétimo estado em eleitorado, Lula apoiou o derrotado.
O Supremo, com a condenação de Bolsonaro, estimulou o bolsonarismo, que elegeu mulher, filhos e irmão de Jair
Entre os puxadores de voto para presidente estarão os que foram eleitos senadores e carregam milhões de eleitores. No maior colégio, Guilherme Derrite e André do Prado serão força para Flávio. No segundo, Minas Gerais, Marília do PT vai ajudar Lula e Domingos Sávio, do PL, ajuda Flávio. No Rio, os dois senadores eleitos são PL. Na Bahia, Rui Costa e Jaques Wagner vão reforçar Lula. Nos estados do Sul, todos os senadores eleitos vão trabalhar por Flávio; no Nordeste, nem todos estarão com Lula.
As composições da Câmara e do Senado têm como maior bancada a do PL. Esse é um argumento que favorece Flávio, pois Lula teria dificuldades com uma composição com a direita majoritária. O Senado ficou com tal composição que pode ser um poder moderador. Tem força para tirar ministros do Supremo e força para impedir indicados, se o presidente for Lula. Adélio Bispo, com a facada, ajudou a eleger Bolsonaro. O Supremo, com a condenação de Bolsonaro, estimulou o bolsonarismo, que elegeu mulher, filhos e irmão de Jair; elegeu a maior parte dos governadores e as maiores bancadas do Congresso. Luís Roberto Barroso não “derrotou o bolsonarismo”; apenas provocou-o.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

Alexandre Garcia começou sua trajetória no jornalismo na década de 70. Trabalhou na Globo, onde passou pelos principais telejornais da emissora. Hoje atua como comentarista em 32 jornais e 210 rádios. É um dos nomes mais respeitados da imprensa brasileira, por sua expertise e opiniões contundentes, exercendo grande influência na mídia nacional. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



