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Alexandre Garcia

Alexandre Garcia

Maranhão

Promotores desistem do combate à corrupção diante da impunidade

Gaeco Maranhão
Gaeco deflagrou a operação Tântalo II, que prendeu o prefeito e 11 vereadores de Turilândia (MA). (Foto: Divulgação/MP-MA)

No Maranhão está acontecendo, com dez promotores de Justiça, algo que me lembra o que aconteceu com a força-tarefa comandada por Deltan Dallagnol na Lava Jato. O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) do Ministério Público do Estado do Maranhão investigava desvios de R$ 56 milhões na prefeitura de Turilândia. Encontrou R$ 5 milhões em uma casa, e foram presos todos os 11 vereadores, o prefeito, a primeira-dama, a ex-vice-prefeita, um secretário municipal, empresários, servidores, todos envolvidos no desvio de dinheiro dos seus impostos – dos seus impostos; não é dinheiro que caiu do céu, nem dinheiro que o Lula inventou ou que Fernando Haddad imprimiu na Casa da Moeda. É dinheiro do seu suor, R$ 56 milhões.

Estavam todos presos, mas a Procuradoria-Geral de Justiça deu parecer para soltar todo mundo. O que fizeram esses dez promotores? Pediram para sair desse grupo de combate ao crime organizado, porque não adianta nada. É um escândalo isso. Com a Lava Jato foi parecido, e o próprio Dallagnol foi alvo de vingança. Foi o deputado federal mais votado do Paraná e perdeu o mandato. Este é o Brasil, minha gente, é o país onde acham que o dinheiro do pagador de impostos pode ser usado por qualquer um.

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Hacker Walter Delgatti vai para o semiaberto 

Lembram do hacker Walter Delgatti? Daquele caso pelo qual Carla Zambelli foi condenada a mais de 10 anos de prisão como autora mandante. Ele entrou no sistema digital do Conselho Nacional de Justiça e emitiu uma ordem de prisão para Alexandre de Moraes. Pois agora o próprio Moraes o mandou para o semiaberto. Ele pode sair da prisão e voltar à noite. Delgatti foi condenado a oito anos e três meses, e o Ministério Público avisou que ele já havia cumprido 20%, podendo passar para o semiaberto.

Irã enforca manifestantes para tentar conter protestos

Os manifestantes presos durante os enormes protestos de rua no Irã, que continuam crescendo, serão enforcados nesta quarta-feira, pela lei islâmica. Enforcamento público, para que as outras pessoas fiquem com medo de se manifestar. É mais ou menos o que se fez aqui no Brasil com o 8 de janeiro; a diferença é que ninguém foi enforcado – apareceu até um estudo sobre enforcar um ministro do Supremo, mas ninguém passou do risquinho; no iter criminis, isso ainda nem é crime, o sujeito pode ter até comprado a corda, mas não é crime, porque não houve o movimento em si de tentativa. O filho e herdeiro do xá Reza Pahlavi, que foi deposto em 1979, tentou um encontro com Donald Trump, mas o presidente americano disse não, ele quer deixar que o povo decida. O Irã tem a segunda reserva de petróleo do mundo, a primeira é a Venezuela – e os dois estão com um problema sério. A China, que compra petróleo de ambos, está temerosa e não vai fazer nenhuma aventura com Taiwan se não tiver garantia de fornecimento de petróleo. Isso é fundamental.

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Venezuela e Estados Unidos em fase de estabilização 

A nova presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, vai a Washington na quinta-feira para um encontro com Trump; certamente vão reabrir as embaixadas em Washington e Caracas. EUA e Venezuela estão em uma espécie de acomodação – melhor seria falar em estabilização, uma primeira fase depois do rompimento da captura de Nicolás Maduro. Os americanos aceitam a vice de Maduro, que, assim como ele, não ganhou a eleição; mas é um caso de pragmatismo: Delcy e o irmão Jorge são os que têm condições de pilotar a política. Diosdado Cabello, que também é procurado pelos Estados Unidos, já disse que vão reabrir a embaixada, que estão soltando presos políticos, Daniel Ortega sentiu a proximidade e está soltando presos políticos também.

Brasil segue empenhado em apoiar o que há de pior

No meio de tudo isso, houve uma reunião do ministro de Relações Exteriores do Brasil com o chanceler do Irã, condenando os Estados Unidos em relação à Venezuela, dizendo que os EUA não têm de se meter, e que é preciso estreitar ainda mais as relações Brasil-Irã. Não há nenhum pragmatismo nisso; parece que a política externa brasileira é movida apenas a emoções ideológicas. 

Também não vi ainda as feministas brasileiras apoiando os protestos, porque os aiatolás não dão direito algum para as mulheres. Não podem nem fumar, precisam cobrir o corpo todo. Uma mudança no regime seria a libertação das mulheres no Irã; elas voltariam a ser seres humanos com direitos iguais aos dos homens, como era no tempo do xá Pahlavi, herdeiro de Ciro, o Grande.

Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

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