
Há um ditado mineiro que diz que “em casa onde falta pão, todo mundo briga e ninguém tem razão”. Isso está acontecendo na campanha de Lula. Ele mesmo confessou que acreditava na vitória no primeiro turno; foi iludido pelas pesquisas. Agora, a cúpula do PT está querendo colocar a culpa em Sidônio Palmeira, que é o marqueteiro de Lula. O sócio de Sidônio tem a conta da publicidade da campanha, e agora acham que foi feito alguma coisa de errado. Mas nós sabemos, a culpa é do próprio Lula: quanto mais ele fala, mais as pessoas ficam horrorizadas. A última foi essa história do toque em meninas.
Estou escrevendo minhas memórias, e estava revendo o debate entre Collor e Lula. Eu mediei o último bloco; o debate foi transmitido por um pool de emissoras de televisão, e havia muitos mediadores, de várias emissoras: Marília Gabriela, Joelmir Beting, Eliakim Araújo. Ouvindo o debate, percebi que o Lula jovem estava articulando as frases melhor que o Lula atual. Acho que ele está sentindo o peso da idade. A culpa é dele, não é do Sidônio.
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Lula vai prometer ainda mais benesses para ultrapassar Flávio?
Michel Temer, que já foi vice de Dilma Rousseff, anunciou apoio a Flávio Bolsonaro. Ele já está na frente, os votos dele já estão assegurados. Flávio ainda vai disputar 10 milhões de votos dos outros candidatos que ficaram para trás no primeiro turno, mais os votos de 33 milhões de pessoas que não foram votar, mais os 5 milhões a 6 milhões de pessoas que votaram em branco ou anularam. Lula terá de correr atrás. Não sei se ele ainda vai oferecer mais presentes e benesses em troca de voto. Isso é crime eleitoral, está no artigo 299 do Código Eleitoral, podem conferir: e nem é preciso dar, apenas prometer já é suficiente para ser crime.
Flávio nem ganhou a eleição ainda e o mercado já se animou
Um sinal que veio da economia foi a disparada da bolsa de valores com a vitória de Flávio no primeiro turno: 8% em apenas um dia é muita coisa. E o dólar despencou; a moeda nacional se valorizou só com a perspectiva de Lula sair da Presidência e voltarmos a ter equilíbrio fiscal, com menos endividamento público, juros que estimulem a economia em vez de desestimular, redução do endividamento das pessoas e das empresas. O dólar caiu 4%, fechou em exatos R$ 5.
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A estratégia de Lula sempre foi gastar mais, fazer a economia crescer pelo consumo, pensando que isso faz o país avançar. Não! O que gera crescimento é investimento e produtividade, criar mais riqueza com menos custo. Lula é o oposto disso, porque ele não se importa com custo.
Partidos não deveriam ser financiados com dinheiro público
Fundo Partidário e fundo eleitoral são dinheiro dos nossos impostos, que vai para partidos políticos, inclusive aqueles dos quais não gostamos. Isso é errado; cada partido deve ser sustentado pelos seus filiados e simpatizantes. Neste domingo, vários partidos, a maior parte de esquerda, não alcançaram a cláusula de barreira e já perderam o Fundo Partidário: Psol, Rede, PDT, Avante, Missão e Solidariedade. É muito bom gastar menos dinheiro dos nossos impostos para sustentar partido político. Quiseram fazer isso como forma de evitar que os partidos fossem sustentados por empresas, mas isso era uma opção da empresa, usando dinheiro privado, e não o dinheiro que as pessoas suam para ganhar e depois precisam entregar 30%, 35%, 40% dele para o governo.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

Alexandre Garcia começou sua trajetória no jornalismo na década de 70. Trabalhou na Globo, onde passou pelos principais telejornais da emissora. Hoje atua como comentarista em 32 jornais e 210 rádios. É um dos nomes mais respeitados da imprensa brasileira, por sua expertise e opiniões contundentes, exercendo grande influência na mídia nacional. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



