
Estou escandalizado com o tratamento de proteção ao Banco Master e, mais do que isso, aos envolvidos com Daniel Vorcaro. Qualquer pessoa que não seja ingênua ou desinformada está percebendo isso. Agora é o Tribunal de Contas da União atrapalhando a estabilidade financeira do país por meio de um dos seus ministros, o ex-deputado do União Brasil de Roraima Jhonatan de Jesus (assim, com um H depois do J). Ele insiste: pediu informações ao Banco Central, o Banco Central respondeu, mas ele não ficou satisfeito. Agora, ele quer uma inspeção urgente e aprofundada para refazer os caminhos que levaram o Banco Central a decretar a liquidação do Master. Muita gente acha que o BC até demorou, mas Jhonatan de Jesus acha que não, que foi muito rápido, que havia soluções na iniciativa privada. Ele diz que tem de saber quais foram os motivos, se as decisões foram coerentes e proporcionais.
Enquanto isso, no Judiciário, o ministro Dias Toffoli chamou para o Supremo um assunto que estava na primeira instância, como se Vorcaro fosse presidente da República, senador, deputado federal. Usou como pretexto a história de que um deputado estava para fazer um negócio com o Master e não fez. A quem interessa o sigilo imposto por Toffoli? O artigo 37 da Constituição diz que essas coisas devem ter publicidade – inclusive e principalmente porque afeta milhares de investidores, vai torrar R$ 41 bilhões do Fundo Garantidor de Créditos, é muito dinheiro.
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Quem está sendo protegido nessas movimentações? A Febraban, representando 757 instituições financeiras e bancárias, está dizendo que o Banco Central tem autonomia, tem independência para fazer o que fez, que fez na hora certa e fez muito bem. Todos sabem que o Banco Central não brinca com essa história. E o TCU vai se meter nisso? Eu não sei se vocês conhecem a expressão Ne sutor ultra crepidam. Um escultor estava esculpindo uma estátua, passou um sapateiro e disse “essa sandália está mal feita!” O escultor agradeceu ao sapateiro e corrigiu a tira da sandália. Então, o sapateiro se achou no direito de dizer: “não gostei desse nariz”. E o escultor respondeu: “Sapateiro, não vás além da sandália”. Há sapateiros aí que estão indo além da sandália. Deixem que o Banco Central faça o seu trabalho.
Bancos presididos por gente poderosa já foram liquidados, e ninguém interferiu no BC
Só para vocês compararem, eu vi muitas liquidações de bancos. No governo Fernando Henrique Cardoso, foi o Banco Econômico, da Bahia. Antônio Carlos Magalhães estava envolvido; o presidente do banco era Ângelo Calmon de Sá, ministro da Indústria e Comércio no governo militar. Mesmo assim, ninguém se meteu a impedir a liquidação. Depois, foi o Banco Nacional, de Minas Gerais, que patrocinava Ayrton Senna, fundado por Magalhães Pinto, grande figura política, governador, senador, deputado, ministro; ninguém se meteu também. Mais recentemente, em 2009, foi o Bamerindus, presidido por Andrade Vieira, também ex-ministro; ninguém tentou barrar a liquidação. O que está acontecendo agora?
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Maria Messano é uma venezuelana que trabalha em São Paulo, com estética feminina. Ela fugiu da Venezuela. Agora, gravou um vídeo, dizendo que “quem defende a ditadura é cúmplice do sofrimento do povo venezuelano. Não é petróleo, é nossa liberdade, democracia, eleições livres. O petróleo nosso foi usado para manter outras ditaduras, como a de Cuba”. E questiona: não podem tirar a ditadura em nome do direito internacional? Mas isso é uma defesa da ditadura, não é?
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos




