
A barista Isabela Raposeiras sempre esteve envolvida com a área de gastronomia, já que seus pais trabalhavam na área. Mas foi há dez anos que ela resolveu se especializar em cafés e sua paixão virou também seu trabalho. Isabela foi campeã do I Campeonato Brasileiro de Baristas, é provadora oficial da associação americana especializada em cafés (Specialty Coffe Association of America, da sigla em inglês SCAA) e mestre de torras. Além disso, ela comanda o Coffee Lab, em São Paulo (SP). O local é um laboratório de torra e moagem dos grãos com espaço para treinamentos, desenvolvimento de blends de café, palestras com degustação e também para uma cafeteria. Em Curitiba para a reinauguração do Exprèx Caffè, Isabela falou um pouco sobre seu trabalho e o mundo dos cafés.

Existe mesmo um boom nessa área dos cafés especiais? Eles estão ganhando mais espaço?
Estão sim, isso não é apenas impressão. O consumo desses cafés vem aumentando bastante, cresce exponencialmente a cada ano. Isso está acontecendo no Brasil inteiro, com destaque para São Paulo e Curitiba. São Paulo pelo tamanho do mercado consumidor e Curitiba por sempre ter sido uma cidade um pouco a frente neste quesito, as pessoas já abriam cafeterias aqui há alguns anos, quando isso não era tão comum.
Você veio para cá para falar um pouco sobre o café Maragogipe, que é servido no Expèx Caffé. O que ele tem de diferente?
Ele é uma variação brasileira de um café originário da Guatemala. Ele tem um grão ligeiramente maior que os cafés normais e um sabor bem delicado, doce com notas frutadas – ele deixa aquele azedinho na boca, sabe? Como o morango ou a laranja deixam. Essa é uma característica que os cafés mais nobres têm. E eu produzi, no Coffee Lab, apenas 12 sacas dele nesta temporada. Isso porque trabalho com um processo muito preciso de torra do grão e produção do café.

Você tem um café preferido?
O mundo dos cafés é supercomplexo, é comparável ao dos vinhos. Com uma diferença: os cafés têm três vezes mais características gustativas que os vinhos. Cada café é diferente, a bebida traz consigo características da safra, do clima em que foi plantado e colhido, da torra, da moagem… Então acho que não tenho nenhum café preferido, digo sempre que é o próximo que vou provar. Mas já me surpreendi muito com cafés da Noruega e Dinamarca.



