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Tarsila em carne e osso

Walter Craveiro/Divulgação
Eliane Giardini e José Rubens interpretam Tarsila e Oswald.

As palestras sobre literatura deram lugar a uma leitura dramática ontem à noite na Tenda dos Autores da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Em sintonia com o homenageado desta nona edição do evento, Oswald de Andrade, Tarsila percorreu 40 anos da vida da segunda mulher dele, a pintora modernista Tarsila do Amaral. A procura foi tão grande que o que era para ser uma encenação num teatro da cidade virou uma leitura para quase 3 mil pessoas.

O texto de Maria Adelaide Amaral, que estreou em 2002, tem por estrutura uma entrevista concedida por Tarsila nos anos 60. Nela, a artista revelava detalhes do “grupo dos cinco”, confraria formada pelo casal (interpretado por Eliane Giardini e José Rubens), pelo poeta Mário de Andrade e a pintora Anita Malfatti (Pascoal da Conceição e Beth Golfman) e pelo poeta Menotti del Picchia.

É inegável o estilo novelístico, em que o foco são as discussões entre os amigos — que não faltavam em se tratando de Oswald. Um estranhamento vem pela interpretação de um Mário de Andrade exuberante e bem articulado, imagem diferente que se tem, devido à timidez.

A separação de Tarsila e Oswald, que a traiu com a escritora Patrícia Galvão (Pagú), e a dor de Oswald por nunca ter obtido o perdão de Mário, que ridicularizara na imprensa, conferem dramaticidade ao texto. A briga entre os amigos havia sido descrita pelo crítico Antonio Candido na palestra de abertura da Flip.

Agora à tarde é a vez de João Gilberto Noll ler seu texto Solidão Continental, na Casa da Cultura, com acompanhamento de música.

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