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Vender EstaR só nas lotéricas não facilita a vida de ninguém. Pelo contrário

Valdecir Galor/SMCS

Uma das funções do poder público deve ser a de facilitar a vida do cidadão. Ou, pelo menos, de não complicar. No entanto, nem sempre é isso que ocorre. Às vezes, quanto mais se mexe em algo, mais se complica.

A prefeitura de Curitiba tem duas discussões do gênero em andamento atualmente. Numa, decidiu que só as lotéricas podem vender cartões de EstaR. Na outra, terá de decidir se o único modo de pagar a passagem nos micro-ônibus será por meio do cartão transporte.

No caso do EstaR, há pelo menos um ponto positivo: o número de lugares em que se pode regularizar a situação de quem estacionou irregularmente aumentou. É que antes isso só podia ser feito em seis lugares, diz a prefeitura. Agora, são 158 agências lotéricas. Ok.

Mas a venda do talão, agora, só pode ser feita nas mesmas 158 lotéricas. Antes, o sujeito encontrava o talão com vendedores na rua, nas bancas de jornal e em outras lojas. Agora, não. Ficou proibido. Só as lotéricas vendem.

Então, ficamos assim: se você quer comprar na hora, enfrenta filas, precisa encontrar uma lotérica perto e, se tiver pressa, está ralado. Agora, se você já cometeu a infração, a prefeitura facilitou sua vida. Acaba sendo uma facilidade para o infrator e uma dificuldade para quem não quer infringir a lei. Não deveria ser o contrário?

Luiza Simonelli, secretária de Trânsito, disse o seguinte sobre o assunto: “Quem utiliza regularmente as vagas do EstaR deve adquirir o hábito de sempre ter um talão no carro.” Certa ela. No mundo dos burocratas da prefeitura, não existe imprevisto, nem existe pressa. Existe, porém, a multa para quem não seguir a nova e mais difícil regra.

No caso do micro-ônibus, a ideia de dificultar a vida do passageiro partiu da Câmara. Espera-se que a prefeitura rejeite-a cabalmente. Seria mais difícil para todos: passageiros eventuais e turistas principalmente. Só facilita a vida das empresas de ônibus, que não precisariam pagar salários de cobradores.

Bilhetagem eletrônica é uma maravilha. Mas não do jeito que é em Curitiba. O sujeito precisa passar por toda uma burocracia (e, de novo, só em poucos lugares) para ter o bendito cartão. Vender passagem antecipada seria muito melhor. Mas aí não adianta querer fazer isso só em lotéricas…

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