Qual a diferença entre uma startup e uma pequena empresa?
| Foto: Annie Spratt/Unsplash

É muito comum, até mesmo entre empreendedores, que haja dúvidas sobre a diferença entre startups e pequenas empresas. Para começar, é fundamental que você tenha em mente o papel de uma startup e de uma pequena empresa, ressaltando que, sim, há diferenças significativas entre elas.

O Sebrae classifica empresas como PME de acordo com o número de trabalhadores que possui, sendo designada como pequena empresa aquelas que contarem com uma equipe de 20 a 99 colaboradores e, como média, empresas que tiverem de 100 a 499 funcionários.

Startups, na definição do empreendedor serial do Vale do Silício Steve Blank, são empresas que utilizam tecnologia em seu produto e que possuem um modelo de negócio repetível e escalável. Elas têm como princípio a rapidez, são negócios que crescem muito rápido devido justamente às três características citadas.

Já as pequenas empresas são negócios estruturados por uma rentabilidade e valor um pouco mais estável a longo prazo. É lógico que nada impede que uma startup de tecnologia venha a apresentar essa estabilidade.

O que acontece é que, muitas vezes, a busca pelo product market fit (métrica que estabelece se um produto resolve as dores do mercado onde atua) encampada por uma startup fatalmente significará em menos estabilidade se comparada a uma operação de uma PME. Além disso, as PMEs fornecem serviços e produtos mais tradicionais, a famosa economia real.

No meu portfólio de investimentos, tenho esses dois tipos de negócios, por exemplo: a cafeteria Farani Caffe, a Farani Fresh Food (comida saudável) e o Kuba (fone de ouvido de alta qualidade, com design diferenciado, feito com arco de madeira e peças substituíveis) são exemplos de empresas que operam na economia real.

Já a Ramper Software (plataforma de prospecção digital) e a Geek Hunter (marketplace para recrutamento de desenvolvedores) são exemplos de startups.

Para ficar ainda mais fácil de entender: imagine a padaria do seu bairro como uma pequena empresa e aquele negócio que você lê em veículos de tecnologia e revistas de negócio, que envolve um aplicativo novo que gerencia um tipo de empresa através de inteligência artificial, como startup.

Conforme reitera a University Lab Partners, da California, a diferença mais perceptível entre uma startup e uma pequena empresa diz respeito ao tipo de crescimento do negócio e as metas de receita que ele tem. As pequenas empresas são impulsionadas principalmente pela lucratividade, bem como pela busca de um valor consistente de receita a longo prazo.

Quando uma pequena empresa abre suas portas, elas pretendem ser lucrativas imediatamente e, embora todas elas busquem incrementar a operação ao longo dos anos, esse crescimento deve ser estável e consistente, fatores que acabam impedindo saltos vertiginosos, bem mais comuns nas startups.

Startups estas que estão comumente focadas em crescer o mais rápido possível. Consideradas um modelo de negócio temporário, sem restrições ou limitações ao crescimento, as startups lutam para obter o máximo de participação de mercado possível com o produto ou serviço que fornecem. E não precisam ser lucrativas. Muitas vezes, levam anos para uma startup obter seu primeiro real de lucro.

Há casos como o da Uber, empresas extremamente inovadoras e que conseguiram praticamente controlar seus mercados, adquiriram cifras bilionárias em valor de mercado, mas que seguem deficitárias no que diz respeito à receita.

A inovação é outro ponto chave que diferencia uma startup de uma PME. De acordo com a empresa de desenvolvimento espanhola Apium Hub, pequenas empresas não precisam de exclusividade, podendo haver no mercado outras companhias semelhantes, enquanto a inovação é o coração de uma startup, que nascem com o objetivo de criar algo novo ou aprimorar o que já existe.

Outro fator primordial é a forma de alavancar o negócio: enquanto negócios tradicionais utilizam investimentos familiares ou pessoais — como uma poupança, por exemplo —, startups costumam ter suas operações impulsionadas por dinheiro de investidores-anjo e fundos de investimento do mercado de capital de risco.

Tendo em mente todas essas informações, fica mais fácil para o empreendedor analisar qual dos caminhos têm mais a ver com seu perfil empreendedor. Não tem certo ou errado. Tem o que combina mais com você.

Se a sua cara for atuar como o arrojado CEO de startup que planeja dominar seu mercado e apostar na valorização da empresa a longo prazo, visando a captação de investimentos, não se esqueça que precisará também conviver com a ausência de receita e a incerteza sobre quando — e se — conseguirá colher os frutos de seu trabalho.

Para o empreendedor que preferir optar por abrir um negócio não tão emocionante quanto uma startup, como é o caso de uma PME, já vale se conformar em não ficar milionário, mas pode ser confortante dormir à noite sabendo que a rentabilidade e a receita mensal estarão muito mais próximas de suas mãos.

Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Máximo de 700 caracteres [0]