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Camila Farani

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Investimento e expansão

E o Oscar vai para… a Netflix

  • Por Camila Farani
  • 16/02/2020 15:00
E o Oscar vai para… a Netflix
| Foto: Pixabay

Quem assistiu à cerimônia do Oscar no último dia 9 se surpreendeu com o sucesso do filme coreano Parasita, que foi o grande vencedor da noite. No entanto, o que mais me chamou a atenção foi o número recorde de indicações da Netflix: 24.

O sucesso nas indicações não se repetiu durante a cerimônia — já que, no fim das contas, ficou com apenas uma estatueta — mas mostrou a força do serviço. Além de ter a maior base de usuários — 170 milhões — a Netflix também é dona do maior orçamento para a produção de conteúdo entre os players de streaming: US$ 18,5 bilhões, mais do que o dobro da Amazon (US$ 8,5 bi) e o triplo da Apple TV+ (US$ 6 bi), segundo a Bloomberg Intelligence.

O número de indicações da Netflix ao Oscar foi crescendo conforme aumentava sua base de assinantes e, consequentemente, sua capacidade de investimento. Marcou presença na premiação pela primeira vez com um filme em 2014, quando tinha aproximadamente 44 milhões de usuários; em 2018 foram oito indicações, já com 118 milhões de assinantes; e em 2019, foram 14 indicações, com três vezes mais assinantes desde sua estreia na noite do Oscar.

Seguindo essa lógica, podemos esperar uma presença ainda maior da Netflix no Oscar em 2021, caso sua base continue crescendo? Impossível prever. Mas a grande lição que fica, e que pode ser aplicada a qualquer negócio, diz respeito à importância de continuar investindo, mesmo quando se ocupa uma posição de liderança.

A estratégia de manter altos níveis de investimentos mesmo em meio a uma trajetória já estabelecida de crescimento e sucesso é muito utilizada entre as startups, principalmente aquelas que têm a pretensão de atuar globalmente e precisam manter sua posição de pioneirismo e liderança. E fazem isso, mesmo quando é necessário sacrificar a lucratividade em troca de ganhar novos mercados.

Isso explica, por exemplo, como uma empresa disruptiva como o Uber, que transformou a forma com que as pessoas utilizam serviços de transporte em todo o mundo, continua reportando prejuízos em seus balanços. Para se ter uma ideia, em seu report trimestral divulgado em novembro de 2019, foram US$ 1,16 bilhão de prejuízo.

No entanto, a empresa continua a oferecer subsídios para ocupar espaços e crescer em novos mercados. O mesmo relatório mostrou que a empresa gasta U$ 543 mil por hora em sua operação, e isso inclui os investimentos.

Com milhões de clientes e presente em um número grande de países, é evidente que a empresa, se essa fosse sua estratégia, poderia reduzir seus investimentos e distribuir lucros a seus acionistas. Só que o raciocínio dos investidores é outro: ao continuar investindo fortemente em expansão, o Uber não apenas fortalece sua posição como a referência em seu setor de atuação como também se valoriza. Na cabeça de investidor, que visualiza sempre o longo prazo, é mais importante ver a sua participação no negócio valendo cada vez mais do que necessariamente receber dividendos.

Algumas reconhecidas startups brasileiras também seguem a mesma estratégia. É o caso do Nubank, que se tornou um unicórnio (empresas com valor de mercado maior que US$ 1 bilhão), mas continua dando prejuízos em seus balanços por continuar a investir em expansão. Em sua mais recente divulgação de resultados, a empresa deixou claro que poderia registrar lucro quando quisesse, mas que continuaria investindo no crescimento de sua base.

Independentemente do mercado em que um negócio atua, continuar investindo é uma política saudável e que geralmente gera frutos positivos. É o que a Netflix e as outras empresas citadas estão fazendo — e o que qualquer empreendedor deve fazer no comando da sua empresa.

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Comentários [ 1 ]

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  • S

    Sidney

    ± 0 minutos

    Operar com prejuízo tem limite e hoje, com a crise do Corona vírus, o limite é a confiança do investidor diante da queda do número de corridas. A pandemia tirou das ruas os usuários do serviço e não há previsão de retorno aos mesmos patamares de antes da crise tão cedo. Será que a UBER têm fôlego pra ficar sem faturar por quatro meses mantendo uma despesa operacional diária de mais de meio milhão de dólares? Qual plataforma de serviços de carona vai sobreviver ao corona?

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