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Camila Farani explica o que fez do Clubhouse um aplicativo popular em tão pouco tempo, e conta quais cuidados ter ao se enveredar por um novo negócio.
Camila Farani explica o que fez do Clubhouse um aplicativo popular em tão pouco tempo, e conta quais cuidados ter ao se enveredar por um novo negócio.| Foto: Josh Rose / Unsplash

Como explicar o crescimento acelerado de algumas empresas? Na minha opinião, o sucesso vai muito além de altos investimentos e bom momento no mercado. Óbvio que estes fatores influenciam (e muito), mas a chave principal é entender o que o consumidor quer e precisa. A partir do momento em que o empreendedor entende o que o público está buscando, ele já possui uma mina de ouro nas mãos.

O Clubhouse é um aplicativo de mídia social fundado por Paul Davison and Rohan Seth que vem crescendo rapidamente no mundo todo — apesar de só poder entrar quem é convidado por alguém que já é membro.

O aplicativo, hoje disponível apenas para o sistema operacional iOS, da Apple, é um misto de sala de bate-papo com podcast, mas que permite a interação em tempo real por voz entre os participantes, fazendo com que eles possam integrar diversos tipos de conversa.

Contando não somente com uma ótima ideia, a rede tem o apoio de um grupo unido de insiders do Vale do Silício que levaram a empresa a viralizar, além de grandes executivos, celebridades, artistas, políticos — de Elon Musk a Oprah Winfrey. Semanalmente, segundo a empresa, cerca de 2 milhões de pessoas se conectam para falar sobre os mais diversos assuntos.

Desde janeiro, o Clubhouse subiu no ranking das lojas de aplicativos em países da Alemanha e até no Japão, atraindo novos usuários para “salas” de conversas baseadas em áudio sobre tópicos que passam por empreendedorismo, marketing, tendências de negócios e política local. Claro que salas de bate-papo informais também acontecem com frequência, e no Brasil, segundo levantamento da Decode, a busca pelo app já supera em 66% a procura pelo TikTok, outro app popular por aqui.

Senso de proximidade

Oficialmente o Clubhouse foi lançado em março de 2020, com o objetivo de, nas palavras de seus fundadores, criar uma experiência social que parecesse mais humana, permitindo a conexão entre pessoas e que elas pudessem interagir por voz em tempo real umas com as outras.

Segundo escreveram recentemente no blog da empresa, o que ambos buscavam principalmente com a criação do Clubhouse era criar uma uma experiência em que as pessoas saíssem do aplicativo com a sensação de estarem melhor do que quando entraram. Isso por se sentirem produtivas ao debater ou ouvir sobre algum tema, por conhecer novas pessoas ou aprofundar os laços com quem já conhecia.

No entanto, o crescimento repentino do Clubhouse já tem gerado vários desafios. No último dia 4, a rede passou por dificuldades técnicas após um aumento no tráfego quando Mark Zuckerberg apareceu em uma sala.

Outro âmbito que começa a ser discutido também é o quanto a empresa conseguirá ou não lidar com um fato que é peculiar às mídias sociais: como combater a disseminação de informações incorretas ou falsas. Alguns dos debates mais acalorados se referiram ao combate da Covid-19.

A empresa possui uma equipe de cerca de 10 funcionários e enfrenta dificuldades com moderação de conteúdo. De maneira geral, porém, a expectativa geral é que a rede assim que fizer tais ajustes consiga deslanchar ainda mais e ganhar tração.

Crescimento acelerado

A empresa de capital de risco Andreessen Horowitz desempenhou um papel central no crescimento do Clubhouse, investindo dezenas de milhões de dólares na plataforma. No mês passado, liderou uma nova rodada de US$ 100 milhões, o que avaliou a empresa em cerca de US$ 1 bilhão.

Sempre falo dos principais perfis de investidores, que podem ser conservadores, moderados ou agressivos. Partimos do pressuposto de que cada pessoa enxerga os investimentos de maneiras diferentes. Mas, ao falar da adoção de um novo produto, isso também se aplica.

Quando uma empresa lança um novo produto, primeiro precisamos trabalhar o mercado inicial, que são os Techis e os Visionários. No entanto, depois de atingir esses mercados, você entra em um abismo: passar para o mercado principal se torna um desafio, segundo a Lei da Difusão da Inovação, de Everett M. Roggers.

O Clubhouse encontrou os usuários certos para ganhar o ponto da virada até que o crescimento seja exponencial. Isso aconteceu com muitas redes sociais, não só com o Clubhouse. E é muito importante que os empreendedores de tecnologia que me acompanham possam analisar essa estratégia para reproduzirem em seus negócios. Para quem quiser entender mais essa teoria como estratégia, eu indico o livro Cruzando o Abismo, de Geoffrey Moore.

O mercado principal não tem usuários ou consumidores tão empolgados quanto o mercado inicial, porque as pessoas que você impactou primeiro tem um envolvimento direto com o seu produto. Os outros, que adotaram mais tardiamente, são tidos como pragmáticos, conservadores e céticos. Então, certamente a comunicação para o novo mercado é completamente diferente daquela que você estava até chegar no abismo.

Meu conselho é que você, micro e pequeno empreendedor, possa usar esse conhecimento e se inspirar no Clubhouse para aprender a reduzir riscos, recursos e incertezas na criação de uma nova ideia.

Você já entrou para ver como funciona? Ultimamente participei de algumas dessas sessões e achei muito interessante a maneira como ela se estrutura, como permite as conexões entre os usuários e se organiza observando as necessidades de cada um.

Por fim, acho importante observar também se no seu negócio também cabe investir no senso de escassez para atrair mais usuários ou consumidores "early adopters" e surfar nessa curva de adoção inicial. Algo a ficar atento, porém, é como a empresa vai estruturar seu modelo de negócios para que, de fato, consiga garantir crescimento acelerado e sustentável. Estamos diante de uma nova fronteira dos negócios em mídias sociais? Vale acompanhar de perto.

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