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Twitter é uma das empresas que só obteve sucesso quando colocou em prática seu plano B.

Camila Farani

Empreendedorismo

Como um ótimo plano B salvou 4 startups do fracasso

30/10/2020 11:58
Empreender é navegar por mares revoltos ou, como lembra Margarita Hakobyan, da comunidade Startup Grind, é lidar diariamente com o antigo provérbio em ídiche: “a gente faz planos e Deus ri”. A ideia é que, independentemente dos planos que nós, mortais, façamos, não há garantia de que as coisas sucederão da maneira que esperamos. No mundo dos negócios, isso nos ensina a sempre ter um plano B, e saber implementá-lo. Se o plano A funcionar, ótimo; caso contrário, o empreendedor precisa estar pronto para o imprevisível, para o imponderável.
Atribui-se ao pugilista Mike Tyson a frase: “Todo mundo tem um plano até levar um soco na cara” e, embora ele não estivesse falando sobre o início de um empreendimento, a frase se encaixa perfeitamente ao caso.
Para sair do terreno das frases feitas e partir para a prática, a Inc. Magazine elencou quatro casos em que empresas que estavam praticamente mortas executaram planos B com maestria e souberam, mesmo em meio ao furacão, colocar em prática uma revisão estratégica, de forma ágil e eficaz.

Twitter

Hoje, podcasts estão em alta. No entanto, 15 anos atrás, quando Ev Williams, Biz Stone e Noah Glass fundaram o Odeo como uma plataforma de podcasting, eles estavam à frente da do seu tempo.
Muito à frente. Em 2005, a Odeo tinha 14 funcionários trabalhando quando, de repente, a poderosa Apple anunciou que incluiria uma plataforma de podcasting nos milhões de iPods que vendia. Williams rapidamente percebeu que a Odeo estava fadada a entrar em queda livre e não havia um plano B.
No entanto, ele tinha um trunfo na manga: frequentemente a empresa promovia os chamados hackathons (reuniões de programadores onde eles desenvolvem softwares em maratonas de trabalho com o objetivo de criar soluções para problemas).
Foi em um destes encontros em que um dos fundadores, Glass, e um web designer chamado Jack Dorsey desenvolveram uma ideia totalmente disruptiva: uma plataforma de microblog para atualizações de status.
Twitter
Twitter
No início de 2006, eles montaram um protótipo (chamando-o de Twttr), mas foi mal sucedido. Contudo, em março de 2007, o Twitter foi exposto no festival de inovação South by Southwest e foi o grande nome da edição. Hoje a empresa tem mais de 330 milhões de usuários mensais e uma receita de quase US$ 3,5 bilhões.

Slack

Poucos fundadores provaram ser mais eficazes no plano B do que Stewart Butterfield. Primeiro, ele migrou sua ideia de um jogo multiplayer (chamado Game Neverending) para o Flickr, o site de compartilhamento de fotos que ele co-fundou e que foi precursor do Instagram e do Pinterest.
Seu segundo grande plano B foi colocado em prática com outro jogo interativo criado por ele, o Glitch, que, apesar de ter consumido quatro anos de seus esforços no desenvolvimento, não conseguia engajar os usuários.
Ele fracassou, mas, quando o resto da equipe estava vasculhando os escombros, perceberam que a ferramenta baseada em chat que eles criaram para compartilhar ideias entre seus escritórios nos Estados Unidos e Canadá era muito atraente. O Slack foi lançado como ferramenta corporativa e rapidamente se disseminou em empresas de todos os cantos do planeta. No ano passado, a plataforma obteve US$ 400 milhões em receita.

YouTube

Steve Chen, Chad Hurley e Jawed Karin, os três ex-rapazes do PayPal que fundaram o YouTube, executaram o que é provavelmente o plano B de maior sucesso na história dos negócios modernos. Eles lançaram o Youtube como um negócio de “vídeo-namoro” no dia dos namorados, em 2005.
Depois de cinco dias solitários, nenhum vídeo foi carregado. Então os fundadores decidiram expandir seu foco e permitir que qualquer um pudesse fazer upload de vídeos de todas as categorias. Foi como rastilho de pólvora: 18 meses depois, o YouTube já atingia 100 milhões de visualizações por dia e não demorou muito para o Google colocar na mesa dos fundadores uma proposta de compra.

Avon

Fundador da Avon, o filho de imigrantes irlandeses David McConnell executou seu primeiro plano B logo aos 20 anos: deixou de lado os planos de se tornar um professor de matemática e empreendeu a jornada de vender livros de porta em porta. No entanto, esta segunda atividade também não estava sendo bem sucedida, o que o motivou a preparar um mimo, um incentivo para os clientes, que eram, em sua maioria, donas de casa.
McConnell passou a oferecer uma pequena amostra de seu perfume caseiro, pedindo em troca apenas um minutinho dos seus ouvidos para o discurso de venda dos livros. O resultado foi imediato e o empreendedor percebeu que suas clientes eram mais atraídas por fragrâncias do que por literatura. Então McConnell novamente inovou, mantendo a entrega porta a porta, mas modificando o produto.
Percebeu também que as mulheres preferem comprar de mulheres e que suas clientes poderiam se tornar sua força de trabalho. Tudo isso levou ao rolo compressor da marca Avon: quando McConnell morreu, em 1937, a companhia já tinha cerca de 30 mil agentes de vendas e milhões de unidades vendidas.
No ano passado, a companhia brasileira Natura anunciou a compra da Avon, criando o quarto maior grupo de produtos de beleza do mundo, com um faturamento global de US$ 10 bilhões, 3,2 mil lojas, 6,3 milhões de revendedoras autônomas, presença em 100 países e 40 mil funcionários próprios.

Ou seja: crie um plano B

Para os empreendedores que ainda não possuem um plano B, é melhor não esperar tomar o soco na cara para reagir. Conforme sinaliza Scott Hirsch em texto para a Business 2 Community, o plano B precisa ser uma parte essencial do seu plano de negócios e atuar como uma ferramenta a qual você possa recorrer no caso de surgirem obstáculos imprevistos, forças competitivas de mercado ameaçadoras, nova demanda do consumidor ou desastres naturais.
O plano B pode ter características que potencializam, aprimorem ou que de fato substituam completamente o plano A, dependendo da circunstância.