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Um (novo) olhar sobre tecnologias
| Foto: Pexels.

Uma citação que gosto muito é de Satya Nadella, diretor executivo da Microsoft Corporation, sobre o papel da tecnologia. Ele diz: “Para mim, trata-se de capital humano e do potencial humano. A tecnologia capacita os seres humanos a fazerem grandes coisas”. Essa frase nunca esteve em um momento mais adequado.

Um estudo recente da CB Insights trouxe áreas mais promissoras de impacto tecnológico para os próximos meses e anos. São tendências e empresas que estão se destacando em Meio-ambiente, Saúde, Educação, Privacidade e Independência Financeira e, embora possam não ser inovações disruptivas, dentro do que classificamos como inovação, são sem dúvida nenhuma indicadores importantíssimos de para onde caminham produtos e serviços. Dessas, listei 3 áreas interessantes e importantes com grande potencial transformador.

Energia limpa

Em tradução livre, o hidrogênio verde é produzido usando energia renovável, ao contrário de outros tipos de combustíveis feitos a partir de combustíveis fósseis ou gás natural. Por isso, ele se torna uma verdadeira fonte de energia com emissão zero, podendo ser usado para fornecer energia limpa para setores de alta emissão, como transporte e indústria pesada.

A “descarbonização” do planeta é uma das metas que países de todo o mundo traçaram para 2050. Para isso, descarbonizar a produção de um elemento como o hidrogênio, dando origem ao hidrogênio verde, é uma das chaves, pois ela atualmente é responsável por mais de 2% do total das emissões globais de CO2.

Através dessa nova fonte de energia, será possível produzir energia sem emitir dióxido de carbono na atmosfera. Apesar de ter um alto custo comparado com as fontes atuais de energia, empresas como a canadense Ekona e a americana Heliogen têm trabalhado na produção do hidrogênio verde utilizando essa nova tecnologia.

A Heliogen, especificamente, está utilizando tecnologia solar concentrada que, com o apoio de um software alinha os raios incidentes nas placas e espelhos em uma única direção, permitindo a geração de hidrogênio limpo sob de manda. Entre os investidores? O fundador da Microsoft, Bill Gates, cada vez mais envolvido em tecnologias sustentáveis.

Inteligência ambiente

Ao longo da última década, o conceito de internet das coisas (IoT) e casa inteligente passaram a fazer parte da vida de milhares de pessoas do mundo. Aparelhos conectados e mais inteligência nas suas funções foram alguns desses atributos. A próxima fronteira em expansão está no que está sendo chamado de “inteligência ambiente”, voltada especialmente à saúde.

Os pesquisadores estão explorando o uso da inteligência ambiente em aparelhos sensíveis e responsivos à presença de pessoas, em espaços de saúde como UTIs, além de monitoramento de pacientes em clínicas de repouso e hospitais.

Com o envelhecimento da população e uma necessidade crescente de monitoramento remoto de pacientes, o ambiente inteligente pode remodelar o atendimento tanto em centros de saúde, quanto em residências.

Pesquisadores da Universidade de Stanford já estão testando a inteligência ambiente na prática. Em quartos de hospitais, sensores e equipamentos com inteligência artificial alertam médicos e visitantes quando eles não higienizam suas mãos ao entrarem no local.

Plataformas de criação

Costumo dizer que, se os negócios não forem ´ponto com´, eles são ´ponto fora´. E não à toa que esse aumento de popularidade das atividades online também traz mais oportunidades para os criadores de ferramentas habilitadoras dessa digitalização. E isso é o que o estudo aponta como uma das tendências mais fortes em crescimento para os próximos tempos. Cada vez mais surgem apps, softwares e infraestrutura para produtores de conteúdo individuais (por exemplo, escritores, músicos, artistas) criarem e monetizar conteúdo.

Falo especificamente de ferramentas para gravação, edição e publicação, plataformas para conectar produtores de conteúdo com consumidores e mecanismos para venda desses serviços.

Barreiras mais baixas para a publicação de conteúdo expandem o acesso a novas ideias, permitindo aos produtores capitalizar seu sucesso em capacidades de tempo integral ou parcial. Não é preciso ir muito longe para encontrar empresas na área que movimentam bilhões.

A startup Canva, que fornece soluções de design gráfico para amadores e profissionais criarem layouts digitais, acaba de receber US$ 60 milhões em aporte, conta com 30 milhões de usuários mensais e já é avaliada em US$ 6 bilhões.

O que fica de tudo isso dessas novas tendências tecnológicas é a importância de observação do entorno. Não espero que muitos de vocês, meus leitores, passem necessariamente a atuar nesta área ou se imaginem como compradores dessas tecnologias, não é isso. Mas o que motivo pelo qual eu analiso esses novos rumos é justamente pela oportunidade que elas me trazem de olhar o diferente, de pensar em novas aplicações para produtos ou serviços e mesmo de me colocar como observadora de novas tendências de consumo.

Trata-se de observar o mercado com a lente que o diretor executivo da Microsoft cita lá no início desta coluna: como a tecnologia tem a capacidade de se aliar às novas necessidades e potencializar o impacto do capital humano.

E você, já treinou o seu olhar? Proponho um exercício rápido. Responda as perguntas: no seu setor, o que seriam inovações significativas para os próximos 24 meses? Como elas impactariam o seu cliente e o seu mercado? O que você pode fazer para caminhar nessa direção?

É um exercício valiosíssimo para quem quer manter a mente conectada e orientada aos diversos tipos de inovação.

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