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Carlos Alberto Di Franco

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Desenvolvimento

Brasil – oportunidade demanda estadista

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Protesto de indígenas contra a Ferrogrão diante do prédio do Supremo Tribunal Federal. (Foto: Antonio Augusto/STF)

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Vivemos tempos difíceis. O Brasil atravessa uma encruzilhada histórica. Há ruído, confusão e descrença. A sociedade se fragmenta entre indignações seletivas e paixões irracionais. Perdemos a noção de projeto, de futuro, de grandeza. Falta-nos direção. O país não carece de recursos naturais nem de inteligência estratégica. Carece, sim, de liderança com autoridade moral, consciência histórica e espírito público. O Brasil precisa – com urgência – de um estadista. É preciso escolher um presidente da República desenvolvimentista.

A desordem crescente da economia global – marcada por rupturas logísticas, conflitos geopolíticos, guerras e disputas por energia, minerais e alimentos – elevou o valor estratégico de nações com abundância de recursos naturais. É exatamente o caso do Brasil. Somos uma potência latente. Temos a maior reserva de terras agriculturáveis do planeta. Cerca de 12% da água doce renovável do mundo está em nosso território. Dispomos de matriz energética relativamente limpa, petróleo e vastas reservas de lítio, grafite, níquel, manganês e terras raras. O potencial é inequívoco.

Poucos países reúnem tantas condições favoráveis para liderar uma nova etapa de crescimento mundial. Em um cenário de insegurança alimentar, crise energética e escassez de minerais estratégicos, o Brasil poderia assumir um papel decisivo. Temos clima favorável, base industrial relevante, capacidade de ampliar a produção agrícola e posição privilegiada para atrair investimentos. Somos vistos pelo mundo como um território de oportunidades. Mas seguimos agindo como se fôssemos um país condenado à mediocridade.

Nenhum país alcançou protagonismo internacional sem formar capital humano, estimular a inovação e fortalecer sua capacidade produtiva

No entanto, o desenvolvimento sustentável do Brasil segue bloqueado. Esta é a realidade que muitos evitam encarar. Um emaranhado de entraves burocráticos, insegurança jurídica e decisões erráticas tem paralisado investimentos, afastado oportunidades e sufocado a geração de empregos. Não se trata de negar a importância da preservação ambiental ou do controle institucional. Trata-se de denunciar o excesso, o abuso, a distorção que transforma instrumentos legítimos em obstáculos ao progresso.

O problema brasileiro não está na falta de leis. Está no excesso delas. Há normas demais, exigências demais, demora demais. Grandes obras levam anos para sair do papel. Projetos fundamentais são interrompidos por disputas judiciais intermináveis. Empreendedores convivem com regras instáveis e interpretações contraditórias. O resultado é previsível: investidores desistem, empresas recuam e empregos deixam de ser criados.

A novela da exploração de petróleo na Margem Equatorial é emblemática. Após anos de impasses, autorizações são concedidas com condicionantes que, na prática, inviabilizam o projeto. A Ferrogrão, essencial para o escoamento da produção agrícola, permanece travada por decisões que ignoram o impacto econômico e social da paralisação. O resultado é conhecido: perda de competitividade, aumento de custos e desperdício de riqueza.

O Brasil precisa, com urgência, destravar seu desenvolvimento. Isso exige coragem para enfrentar a cultura da paralisia. Exige simplificar regras, reduzir a burocracia sufocante e oferecer segurança jurídica a quem produz e investe. Exige, sobretudo, combater a corrupção com firmeza e consistência. A corrupção não é apenas um desvio moral. É um imposto invisível que penaliza os mais pobres, encarece obras, distorce prioridades e destrói a confiança nas instituições.

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Sem confiança, não há investimento. Sem investimento, não há crescimento. Sem crescimento, não há justiça social. É uma cadeia simples. E brutal.

O estadista compreende essa equação. Ele não se perde em disputas menores nem se submete ao calendário eleitoral. Pensa em décadas, não em mandatos. Sua autoridade nasce da coerência entre discurso e prática. Não governa para aplausos imediatos, mas para resultados duradouros. Sabe que o desenvolvimento não é fruto de improviso, mas de planejamento, disciplina e continuidade.

O estadista sabe que educação, ciência e tecnologia não são gastos: são investimentos estratégicos. Nenhum país alcançou protagonismo internacional sem formar capital humano, estimular a inovação e fortalecer sua capacidade produtiva. O Brasil precisa voltar a acreditar no mérito, na excelência, no trabalho e no esforço individual.

Poucos países reúnem tantas condições favoráveis para liderar uma nova etapa de crescimento mundial como o Brasil. Mas seguimos agindo como se fôssemos um país condenado à mediocridade

Hoje, o Brasil parece órfão desse tipo de liderança. A política foi capturada por agendas curtas, por personalismos e por um ambiente de permanente conflito. O debate público empobreceu. A visão de longo prazo desapareceu. O interesse nacional cedeu espaço a cálculos imediatistas.

É preciso romper esse ciclo. Recuperar o sentido de projeto nacional. Recolocar o desenvolvimento no centro da agenda pública. Investir em infraestrutura, ciência, tecnologia e educação de qualidade. Valorizar a produção, estimular a indústria, integrar o país. E, ao mesmo tempo, proteger o meio ambiente com racionalidade e responsabilidade – não com dogmas que paralisam.

O país precisa romper a interdição ao seu desenvolvimento. Superar a pobreza da politicagem criminosa. Precisa pensar grande. O Brasil precisa de um estadista.

Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

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