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A eleição em São Paulo representou uma forte sinalização do sentimento da sociedade e um prenúncio do que nos aguarda em 2026. Mais do que o debate de projetos para a maior capital do país, urgente e necessário, o que se viu foi o embate de duas visões ideológicas: conservadorismo versus identitarismo. O eleitorado disse não à agenda woke. O prefeito reeleito, mesmo não sendo um modelo de conservadorismo (Marta Suplicy foi sua secretária de Relações Internacionais durante bom tempo), comprometeu-se com os valores tradicionais da maioria dos brasileiros.
O debate ideológico, não duvidemos, estará presente nas próximas eleições presidenciais. O candidato que conseguir mostrar uma adesão sincera aos valores tradicionais e, ao mesmo tempo, oferecer um projeto de crescimento econômico e de combate às desigualdades vai conquistar mentes e corações. O Brasil clama por um estadista. Alguém que pense grande e saiba encaminhar conflitos com diálogo e autoridade. Alguém que seja capaz de entender que, entre outras grandes provocações, o desenvolvimento sustentável da Amazônia é o nosso maior desafio geopolítico.
Mas a música de fundo da eleição presidencial, gostemos ou não, será uma sinfonia ideológica e cultural. Assistiremos, mais uma vez, ao embate entre uma esquerda em sol poente e um conservadorismo com grande capacidade de mobilização.
O conservadorismo está presente num contingente expressivo da sociedade brasileira, inclusive entre os jovens. É preciso entender a razão dos outros, mesmo quando não coincida com a nossa
Pesquisas recentes mostram que os meios culturais dos Estados Unidos reduziram significativamente a militância em torno de pautas identitárias. As universidades, por exemplo, têm deixado de levar em consideração critérios de “minoria” para admitir estudantes. Já a imprensa tem citado menos chavões “progressistas”. Assiste-se a um significativo declínio da agenda woke. A tendência vai chegar ao Brasil rapidinho.
O conservadorismo, frequentemente maltratado e incompreendido, é um fenômeno em ascensão. E não pode ser jogado na catacumba das nossas coberturas ou tratado de modo caricato. Merece uma análise. É o que tentarei fazer neste espaço opinativo, saudavelmente aberto e plural.
Impõe-se analisar o fato. O conservadorismo está presente num contingente expressivo da sociedade brasileira, inclusive entre os jovens. É preciso entender a razão dos outros, mesmo quando não coincida com a nossa.
A maioria da população brasileira não se alinha com a história, a ideologia, as práticas e a agenda da esquerda identitária. O advento das redes sociais, rompendo a hegemonia da agenda pública e cultural, gerou o fenômeno da desintermediação disruptiva. Novos personagens ocuparam o espaço das discussões e das reflexões, disseminando essa perspectiva que se ancora em valores tradicionais e enaltece o indivíduo e a liberdade responsável.
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Na tentativa de desqualificar os anseios e aspirações conservadoras e liberais, vozes de esquerda rotulam de “bolsonaristas” a todos que não se alinhem com seu campo, tentando reduzir a ascensão dos conservadores a um personagem controverso e conflitivo. O fenômeno do conservadorismo é maior, ultrapassa e independerá de Jair Bolsonaro.
Além disso, a esquerda também se esforça para que o conservadorismo não seja devidamente difundido e conhecido em suas propostas basilares, pois percebe que a ocupação do espaço político por uma cultura conservadora é o maior e mais poderoso obstáculo às suas pretensões hegemônicas. O conservadorismo não apenas tem o direito de existir como tem se mostrado muito representativo de boa parcela, talvez da maior parcela, da população brasileira.
O mundo experimenta esta tendência. Até pouco tempo atrás, a leitura e a repercussão dos acontecimentos estavam sempre, ou quase sempre, moduladas e filtradas por um olhar iluminista e marxista. As pessoas, mesmo na contramão de um sistema de poder coletivista e hegemônico, descobriram a força e o brilho da liberdade.
O pensamento conservador e liberal – profundo, sério e bem fundamentado – assusta e desestabiliza os detentores de uma hegemonia que começa a experimentar o sabor do ocaso
A reação dos caudilhos do espaço cultural, agressiva e desproporcionada, indica que se tocou em um ponto sensível. A percepção da mudança do pêndulo da história, cada vez mais clara e patente, gerou a estratégia clássica de desqualificação da opinião alheia, os cancelamentos e a demonização de quem se atreve a pensar fora dos limites impostos pelo totalitarismo ideológico.
A atual intolerância execra os pensamentos que divergem dos seus “dogmas” e não hesita em mobilizar a “inquisição” de certos setores para achincalhar – sem o menor respeito pelo diálogo – ideias ou posições opostas ao seu dogmatismo. Ao longo da história, um dos principais males da esquerda sempre foi não duvidar de si mesma. Tudo são certezas e dogmas.
O pensamento conservador e liberal – profundo, sério e bem fundamentado – assusta e desestabiliza os detentores de uma hegemonia que começa a experimentar o sabor do ocaso. O conservadorismo busca a primazia do indivíduo, da liberdade de expressão, da igualdade de condições perante leis e direitos, de uma educação sem doutrinação e a defesa da família. O jornalismo não pode ficar de costas para o fenômeno conservador. Precisamos entender e dialogar com os valores, ideias e demandas da sociedade. Caso contrário, corremos o risco de perder relevância ao não falar adequadamente de temas e assuntos de interesse dos leitores.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

Carlos Alberto Di Franco é bacharel em Direito, especialista em Jornalismo Brasileiro e Comparado, doutor em Comunicação pela Universidade de Navarra, diretor do programa Estratégias Digitais para Empresas de Mídia do ISE, professor convidado da Faculdade de Comunicação Social Institucional da Pontifícia Universidade da Santa Cruz (Roma), diretor da Di Franco Consultoria em Estratégia de Mídia e consultor de Empresas Informativas. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



