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O que pesa mais na hora de doar: o que sentimos ou o que sabemos? Se a resposta fosse simples, captar recursos seria apenas uma questão técnica. Mas a decisão de contribuir com uma causa nasce em um território mais complexo e profundamente humano.
O despertar da empatia e o impulso emocional
Estudos já demonstram que doar não é uma decisão puramente racional. O ato de contribuir ativa áreas ligadas à empatia, à recompensa e ao senso de propósito. Histórias reais, rostos, trajetórias e transformações despertam conexões emocionais genuínas. É nesse campo que o primeiro movimento acontece.
Ninguém decide apoiar uma causa apenas porque leu um relatório técnico. Decide doar porque sente, porque algo dentro de si foi tocado. No entanto, a emoção, sozinha, não sustenta a decisão. Depois que o coração se move, a mente precisa validar.
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A construção da confiança e segurança institucional
Entram em cena a credibilidade institucional, os indicadores de impacto, a transparência, a governança e a clareza sobre a aplicação dos recursos. O doador quer confiar. Quer ter segurança de que sua contribuição produzirá transformação concreta.
A decisão, portanto, nasce do encontro entre emoção e razão. Esse equilíbrio é, de fato, o verdadeiro “botão de doar”.
Se a decisão individual funciona assim, o papel do captador precisa seguir a mesma lógica. O verdadeiro profissional de captação não é aquele que apenas solicita recursos. É aquele que constrói as condições para que esse botão seja acionado:
- Relacionamento: O botão é ativado quando há confiança construída ao longo do tempo.
- Clareza: O impacto precisa ser comunicado com evidências.
- Consistência: Sem integração entre sentir e saber, não há decisão sustentável, muito menos recorrência.
Captação é jornada, não apenas um pedido
Durante muito tempo, confundimos captação com pedido de dinheiro com campanha pontual, com urgência, com meta a ser alcançada no encerramento do mês. Essa lógica pode gerar resultados imediatos, mas dificilmente constrói sustentabilidade. Se almejamos recorrência, precisamos de maturidade estratégica.
Captação, hoje, é construção de relacionamento. É jornada estruturada. É experiência do doador pensada de forma intencional. É governança que gera confiança. É inteligência de dados que orienta decisões. É CRM bem implementado. É visão institucional e não esforço isolado.
Organizações que compreendem essa equação deixam de depender de impulsos ocasionais e passam a estruturar vínculos consistentes. Transformam boas intenções em compromisso, e emoção em sustentabilidade financeira.
E a tecnologia, nesse contexto, não substitui relações. Ela organiza processos, amplia a capacidade de análise, fortalece a previsibilidade e otimiza tempo das equipes. Ela permite acompanhar ciclos de doação, identificar padrões, medir retenção, prever evasão e agir antes que o relacionamento se perca. Mas continua sendo a confiança que sustenta a permanência do doador.
Doações pontuais podem nascer do impulso. A recorrência nasce da confiança.
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Reflexão: Como você tem apertado esse botão?
O futuro do Terceiro Setor depende de consciência estratégica e método. Fica o convite para a reflexão:
- Para o doador: Suas decisões são guiadas apenas pelo impulso ou passam pelo crivo da análise? Você exige das organizações a consistência que sua razão pede?
- Para o captador: Você está apenas solicitando recursos ou estruturando relacionamentos? Está criando experiências que integram emoção e dados?
O futuro da sustentabilidade no terceiro setor não depende apenas de mais campanhas e pedidos. Depende de consciência estratégica, método, e responsabilidade compartilhada entre quem doa e quem capta.
Talvez o verdadeiro amadurecimento comece quando entendermos que o botão de doar não é pressionado por acaso. Ele é ativado quando há conexão suficiente para tocar o coração e estrutura suficiente para convencer a mente.
E essa escolha é diária. É individual. É institucional.
E, no fim das contas, é sua.
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Colunista: Pedro Budel atua com estratégias de captação de recursos e mobilização de investidores sociais, conectando propósito, governança e impacto, com foco em cultura de doação, terceiro setor e inovação na sustentabilidade financeira.
A coluna Causas que Transformam é mantido pelo Programa Impulso, uma iniciativa do Instituto GRPCOM que oferece apoio às Organizações da Sociedade Civil (OSC) do Terceiro Setor, com foco no aprimoramento da gestão e da comunicação – áreas fundamentais para que essas organizações alcancem seus objetivos e ampliem seu impacto social. Para saber mais e fazer parte, acesse: https://programaimpulso.org.br/.








