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Johnny Depp: um grande ator à beira da caricatura?

Divulgação
Johnny Depp em cena de The Rum Diary, seu próximo filme.

Johnny Depp é um ator fascinante, já objeto de culto e destinado a se tornar ícone do cinema mundial, se já não tiver alcançado esse status. Temo, no entanto, que a excentricidade de algumas de suas escolhas o privem, ou melhor, nos privem de conhecer outras facetas de seu talento dramático.

Em cartaz atualmente como o Chapeleiro Louco do irregular Alice no Pais das Maravilhas, Depp reencontra seu parceiro mais constante, o diretor Tim Burton. Sua atuação é interessante: no fio da navalha entre a insanidade e a razão, o personagem é ambíguo do início ao fim. Gosto da melancolia que emprestou ao personagem. Nem tanto da dancinha à la Michael Jackson com que se despede da trama. Achei uma saída fácil demais.

Mas o que realmente vem me incomodando nos últimos tempos é o enorme impacto que o pirata Jack Sparrow teve sobre a carreira de Depp. O personagem é divertido e, em alguns momentos, genial, também por transitar entre a embriaguez e a sobriedade, o heroísmo e a covardia, o masculino e o feminino. Mas, ao tornar Depp um campeão de bilheteria, um superstar, e não mais um ídolo cult dos indies descolados, o ator tornou-se um pouco prisioneiro da obrigação de jamais ser trivial.

Eu realmente gostaria de ver Depp no papel de um homem ordinário, numa trama realista. Sem maquiagem ou artifícios, maneirismos. Em Inimigos Públicos, ótimo filme de Michael Mann, ele vive um gângster lendário à perfeição. Ainda assim, é um personagem do universo da exceção e não da regra.

Temo que a necessidade de sempre causar surpresa deixe de ser surpreendente. Resvale na caricatura, no mero tique. Vem aí mais um Piratas do Caribe, protagonizado apenas por Jack Sparrow. E Depp também está rodando na Itália, ao lado de Angelina Jolie, The Tourist, sobre o qual se sabe ainda pouco. Seu próximo filme a estrear é The Rum Diaries, baseado na obra homônima do jornalista e escritor americano Hunter S. Thompson, ídolo de Depp, que já o encarnou no autobiográfico Medo e Delírio, de Terry Gillian. No filme, que poderá estar no próximo Festival de Cannes, ele vive mais um outsider, entre os inúmeros do gênero em sua galeria de personagens. Preguiça.

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