

Meryl Streep (ao centro) prova por que é a atriz mais versátil do cinema americano.
Assistir a Mamma Mia! em um cinema lotado não tem preço. O filme, que estréia hoje em circuito nacional, se não é grande cinema, é deliciosa diversão.
O musical, dirigido por Phyllida Lloyd, é baseado no espetáculo homônimo que ela mesma dirigiu e cuja a história “costura”, do princípio ao fim, canções do grupo sueco ABBA. O quarteto vendeu mais de 300 milhões de cópias em toda sua carreira e figura entre as formações mais cultuadas do pop mundial mais de 25 anos depois de ter encerrado sua carreira.
Já na cena inicial de Mamma Mia!, quando se ouve os primeiros acordes da trilha sonora, a platéia freme, se abre em sorrisos. A identificação é imediata. É como se a música dos escandinavos fosse uma senha para relaxar e embarcar numa viagem cujo tom é a nostalgia, o saudosismo. Os anglófonos têm uma expressão perfeita para descrever esse tipo de extravagância estética: guilty pleasure (ou prazer culpado, em português).
Por mais que, racionalmente, se tenha plena consciência de que não se está diante de uma grande obra de arte, somos seduzidos a entregar os pontos. Felizes da vida.
A trama, bobinha mas bem-armada, conta a história de Sophie (a encantadora Amanda Seyfried, do seriado Big Love), uma garota que, às vésperas do casamento, decide descobrir quem é seu pai e convida três antigos namorados da mãe para a cerimônia, em uma paradisíaca ilha da Grécia. As confusões começam assim que os três – Harry (Colin Firth, de Simplesmente Amor), Sam (o ex-007 Pierce Brosnan) e Bill (Stellan Skarsgard, de Dogville) – colocam os pés no local, e Donna (Meryl Streep, ótima como sempre), a mãe da garota, tem de lidar com seu passado amoroso.
Apesar de cantado praticamente do começo ao fim, Mamma Mia! diverte sem ser repetitivo e também conquista o público com um humor que oscila entre o levemente malicioso e o pastelão assumido, garantido por Meryl e suas impagáveis melhores amigas, a escritora de livros de culinária Rosie (Julie Walters, de Billy Elliot) e a perua colecionadora de maridos Tanya (Christine Baranski, de O Grinch).
Engraçada, Meryl Streep canta (bem) e dança ao som de hits como “Dancing Queen”, em um dos pontos altos do filme. Outro destaque é o coro grego formado por moradores da ilha que, na melhor tradição do teatro clássico, acompanha e, por vezes, comenta a ação.
Estrondoso sucesso mundial, Mamma Mia! já figura entre as maiores bilheterias do gênero em toda a história do cinema, com a assombrosa soma acumulada de US$ 418 milhões – custou apenas US$ 52 milhões. Acreditem ou não, já aparece ao lado de Noviça Rebelde, Chicago e Grease – Nos Tempos da Brilhantina entre os títulos mais vistos. Mas não é difícil entender o fenõmeno: o filme leva o público a uma espécie de catarse nostálgica e coletiva.
As pessoas chegam a bater palmas e cantar junto com os atores que, como não soam como profissionais da voz, acabam por não intimidar quem está na platéia.
E atenção: não saia do cinema antes dos créditos. Há um bis que vale o filme.



