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O Mundo Imaginário de Dr. Parnassus é visualmente deslumbrante, mas irregular na narrativa

Divulgação
Heath Ledger morreu antes de completar sua participação no filme de Terry Gilliam.

A maior qualidade do cinema de Terry Gilliam é também uma perigosa armadilha. O Mundo Imaginário de Dr. Parnassus, que agora chega às locadoras em formato DVD e Blu-ray sem ter sido exibido em Curitiba, é exemplar nesse sentido.

Na mesma trilha de acertos do diretor norte-americano, como Brazil – O Filme, e de erros, que podem ter as proporções épicas de As Aventuras do Barão de Münchausen, o filme é fascinante do ponto de vista visual. E se equilibra na corda-bamba ao tentar adequar os delírios estéticos de Gilliam a uma história nem sempre bem contada.

No caso específico de Dr. Parnassus, é preciso explicar que a produção sofreu um baque e tanto antes mesmo de ser finalizada. Quando a rodagem entrava na reta final, o elenco perdeu um de seus protagonistas: o ator australiano Heath Ledger (de Batman – O Cavaleiro das Trevas), que morreu em decorrência de uma overdose de medicamentos.

Diante da possibilidade de não conseguir arrematar o longa-metragem, deixando-o inacabado, assim como sua versão de Dom Quixote, Gilliam até encontra soluções bastante criativas para sanar a ausência de Ledger.

Mas vamos à trama. O tal dr. Parnassus(Christopher Plummer, em grande atuação) que dá título ao filme é um monge em tempos imemoriais. Ao sentir que seus dias chegam ao fim, ele faz um pacto com o diabo, vivido pelo cantor e ator bissexto Tom Waits: em troca da imortalidade, promete a Satã a sua filha quando ela completar 16 anos.

Pensando ser mais esperto que o demo, Parnassus acha que não vai ter filhos, até conhecer e se apaixonar por uma mulher, a mãe de Valentina (Lily Cole). Quando o filme começa, Nick está de volta para cobrar a dívida. Embriagado e desesperado, Parnassus faz uma última tentativa para manter a filha – conseguir cinco almas para o diabo antes do aniversário da garota, que acontecerá dali a três dias.

É quando Tony, personagem de Heath Ledger, entra em cena, pendurado pelo pescoço em uma ponte de Londres e desmemoriado. Sem ter para onde ir, pelo menos aparentemente, o rapaz é incorporado à trupe de Parnassus e, com sua lábia, vai ajudando a conseguir as almas, para o desespero de Anton (Andrew Garfield, o novo Homem-Aranha), apaixonando por Valentina, que por sua vez se derrete toda para o lado de Tony.

Como Ledger morreu antes de filmar todas as suas cenas, Gillian usa outros atores (Jude Law, Johnny Depp e Colin Farrell), para representar Tony toda vez que o personagem mergulha numa dimensão paralela e imaginária, acompanhando uma das almas que arrebanha para Parnassus. A estratégia quase sempre funciona, ao contrário da trama que descarrila com frequência.

Único americano na formação original do grupo cômico britânico Monty Python, Gilliam é delirante: chega a flertar com o cinema musical, como sua antiga trupe. O resultado é irregular, ainda que por vezes hipnótico.

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