
Você provavelmente não se lembrou e nem lhe culpo por isso. Mas esta semana uma figura emblemática do cinema completou mais um ano de vida, anos estes muito bem vividos, para deleite dos espectadores – principalmente os do sexo masculino. Estou falando da musa Sharon Stone, que, domingo, fez 55 anos.
A atriz, cá entre nós, dispensa apresentações. Sharon nunca ganhou nenhum Oscar por algum papel, apesar de ter sido indicada por sua atuação em Cassino (1995), de Martin Scorsese. Não por isso deixou de ser adorada por uma multidão de marmanjos, principalmente durante a década de 1990, seu período mais fértil nas telonas. Foi nesta época que participou de filmes como O Vingador do Futuro (Total Recall, 1990), Instinto Selvagem (Basic Instinct, 1992), Invasão de Privacidade (Silver, 1993) e O Especialista (The Specialist, 1994).
É difícil não lembrar destes filmes e pensar num período da minha adolescência em que, como muitos guris nessa época, acredito, eu assistia a essas histórias na tevê e no VHS ansiando trêmulo pelo momento em que, por poucos segundos, veríamos a musa desnuda. A sombra de um seio, das pernas, das curvas do bumbum, já eram suficientes pra fazer surgir um brilho nos olhos. E, no caso dos filmes mais “moderninhos”, que contavam com algumas cenas de amassos tórridos, como em Instinto Selvagem e O Especialista, o dia estava ganho.

Sharon em O Vingador do Futuro: bela, suada e perigosa.
Podia ser a puberdade falando mais alto, mas a questão é que Sharon Stone se destacava entre todas as atrizes daqueles tempos pela beleza e charme absolutos. Um verdadeiro objeto de desejo, ainda mais numa época em que não existiam as tais mulheres-fruta e outras subcelebridades pra encher a cabeça da garotada.
Com o tempo, acabei desencanando e parei de passar as noites em claro pensando na Sharon e na sua cruzada de pernas matadora. Até que, recentemente, a figura da bela loira voltou a ocupar minha atenção, desta vez de forma ainda mais intensa.
Isto ocorreu num período em que passei uma temporada em Blumenau, ano passado, como editor do Jornal de Santa Catarina, do Grupo RBS. Lá estava eu certo dia pensando na edição seguinte quando a redação e as caixas de e-mail entraram em polvorosa. O assunto era um só: a musa Sharon Stone havia sido avistada ali pertinho, em Balneário Camboriú, de bermuda e óculos de sol, passeando com o namorado na Interpraias como uma mera mortal.
O litoral catarinense é uma atração por si só, mas realmente a presença de celebridades internacionais do quilate de uma Sharon não é muito comum por lá. Não deu outra. Da noite pro dia os jornais do estado, incluindo o Santa, passaram a acompanhar os passos da atriz e entrevistar todos que haviam tido contato com ela durante a visita – nem que fosse um mero esbarrão na saída do banheiro.
Isso significava, na prática, segurar espaço na página do jornal e estar disposto a mudar todo o planejamento da editoria a qualquer momento. Afinal, quando menos esperávamos, podia surgir uma imagem tirada por um leitor que mostrasse Sharon tomando água de coco. Sharon visitando uma videolocadora. Sharon na areia. Sharon no bondinho.

Sharon em Instinto Selvagem, antes da famosa cruzada de pernas: muita calma nessa hora…
Até que surgiu a imagem fatídica, que sepultou de vez meus sonhos molhados vividos na adolescência com a atriz: Sharon esperando na fila para comprar pão francês no mercado. Parem as máquinas. Como dizem aqui em Curitiba, “larguei os bets”.
A esta altura do campeonato, eu já estava de saco cheio das aparições da atriz e da chefia que pedia meia página para cada foto que surgia. Não conseguia conciliar aquelas imagens e depoimentos de moradores de Balneário Camboriú com a figura da sex symbol que, anos antes, trocava socos e chutes com Arnold Schwarzenegger e desafiava Gene Hackman no Velho Oeste.
Os dias passaram, assim como as semanas e os meses. Acabei retornando pra Curitiba e sei que, volta e meia, Sharon também aparece novamente em Balneário Camboriú. Talvez um dia a gente se esbarre por lá. E talvez nesse dia eu aceite suas desculpas por ter maculado meus devaneios adolescentes ao comprar pão no mercado. Veremos.



