

Requião e Chávez no Paraná: modelo de gestão.
Até onde vai o limite entre público e privado? Perguntinha difícil e repetitiva. Ontem, o ex-governador Roberto Requião (PMDB), o irmão Eduardo, ex-superintendente da Appa e atual secretário de Representação do Paraná em Brasília; Rubens Ghilardi, presidente da Copel; e Stênio Jacob, diretor-presidente da Sanepar, foram condenados a ressarcir os cofres públicos pelo uso indevido de R$ 907 mil em propaganda no fim de 2005 (valor que, atualizado, pode chegar a R$ 1,8 milhão).
A decisão se deve a anúncios publicados no jornal Folha de S. Paulo e nas revistas IstoÉ e Ideias que questionavam uma reportagem feita pela revista Exame, em 2005, na qual o ex-governador é citado como “o Chávez brasileiro”. Apesar de amigo de Chávez, Requião não gostou nadinha do conteúdo do texto. A retaliação escolhida foi usar dinheiro público para publicar a sua própria versão dos fatos.
Na sentença, o juiz da 3.ª Vara da Fazenda Pública, Roger Vinicius Pires de Camargo Oliveira, afirma que não vê “a necessidade de veiculação em diversos órgãos da imprensa com custo elevado, constituindo lesão ao patrimônio público, em afronta aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade.”
A decisão e a argumentação levam a uma reflexão – ganhar eleições não significa ter passe livre para fazer o que bem entender. Se Requião não concordou com a reportagem, tinha todo direito de reclamar.
Era só usar dinheiro do próprio bolso, não o nosso.
***
Leia mais sobre o tema no Caixa Zero, de Rogério Galindo.



