Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo

Um dia no Mané

O texto abaixo é do meu amigo Alexandre Berejuk. Nascido em União da Vitória, ele é mais um dos paranaenses que acabou parando em Brasília. Alexandre não é jornalista, é administrador formado pela FAE e trabalha na Anac. Vale como um olhar externo da relação entre os brasilienses e o futebol

Em 2007 houve um período em que o Botafogo mandou seus jogos fora do Rio, por algum motivo qualquer (talvez por causa do Pan). O time da estrela solitária estava sendo, à época, a grande sensação do campeonato, com Dodô e seus “gols bonitos” (isso foi logo antes do caso do doping). Um desses jogos fora de casa foi em Brasília. Como eu estava morando na capital já há alguns meses, lá fomos nós para o estádio Mané Garrincha.

Abro parênteses. O jogo era justamente contra o Atlético Paranaense. Que outra oportunidade um coxa-branca longe de casa teria para “secar” o rival? Fecho.
Pegamos um ônibus para ir até o estádio. Em uma das paradas, um sujeito no ponto pergunta ao motorista “esse ônibus passa pelo autógrafo?”. Claro que nem o motorista nem o cobrador entenderam nada.

Nem eu. O sujeito repetiu duas, três vezes, e ninguém entendia nada. Até que ele explicou “o autógrafo, lá perto de onde o Botafogo vai jogar”. Era autódromo.
Essa ida ao campo serviu para reafirmar o que eu já havia visto da primeira vez em que fui ao Mané Garrincha (um pesadelo chamado Gama x Coritiba, e espero que tenha sido a última temporada do Coxa na série B que eu acompanho). O estádio não tem a menor condição de abrigar jogos de Copa do Mundo. Mas nem com muita boa vontade. Trata-se de um projeto antigo, com o gramado longe da arquibancada, acessos subdimensionados, pequena área coberta. Na copa de 50 não faria feio, mas o mundo evoluiu, certo?

A torcida foi um capítulo à parte. Estádio lotado. Todos uniformizados. Mulheres, crianças. Cantando e incentivando o time. Lembrei de um vizinho, niteroiense, que certa vez me explicou que no Rio o Botafogo tem tradição de ser “time se funcionário público’. Pelo sim e pelo não, naquela noite essa história começou a fazer sentido. Ao meu lado uma família inteira e um piazinho de uns 6 ou 7 anos, chorando. Perguntei o que estava acontecendo. Ele explicou, aos soluços “minha tia me trouxe para ver esse jogo, mas eu sou torcedor do São Paulo”.

E o jogo? O Botafogo acabou vencendo um Atlético apático em campo, mas não convencendo quem assistiu ao jogo sem um vínculo emocional com os dois times, como eu. Perguntei a alguém “mas é esse time o líder do brasileirão? Isso não faz muito sentido”. Como de fato não fazia. Mais algumas rodadas o Tricolor do Morumbi engatou a quinta marcha e deixou todos para trás. O piazinho acabou rindo por último.

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.