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Instituto Regeneração Global
Instituto Regeneração Global| Foto: Divulgação

Nessa última reportagem da série “Startups pelo Futuro do Planeta” vamos discutir os caminhos que a humanidade está percorrendo, soluções e perspectivas para as próximas décadas.

Há pouco tempo tivemos a 26ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas da ONU -  a famosa COP26, que deveria ter discutido mais a fundo ações efetivas que pudessem levar o mundo a conter o impacto das mudanças climáticas na Terra. As altas expectativas sobre a Conferência de Glasgow foram frustrantes para a maioria dos especialistas e cientistas em todo o mundo.

Apesar da luta por pequenas mudanças, no último mês 44 grandes empresas assinaram o “Net Zero Carbon Buildings Commitment” - entre elas Arup, Foster + Partners, Grimshaw, Perkins & Will e Skidmore, Owings & Merrill, comprometendo-se a tomar mais medidas para descarbonizar construções e ambientes corporativos em seus portfólios e atividades de negócios, representando uma receita anual de US$ 85 bilhões. Até 2030, a expectativa é que essas empresas terão atingido alguns objetivos claros:

  • Reduzir todas as emissões operacionais de edifícios novos e existentes
  • Alcançar reduções máximas no carbono incorporado para novos desenvolvimentos e grandes renovações sobre as quais têm controle direto
  • Compensar quaisquer emissões residuais operacionais e incorporadas que não possam ser mitigadas
  • Advogar por reduções de emissões mais amplas por meio de suas atividades de negócios e relatar seu impacto, para permitir e acelerar a transição de todo o setor para net zero.

Por aqui no Brasil, alguns empreendedores buscam alternativas de maneira voluntária e colaborativa. Fabiano Porto, é fundador do “Instituto Regeneração Global” (IRG) que tem como missão promover soluções que contribuam para a regeneração do planeta e equilíbrio da sociedade. Hoje já é a maior instituição sobre essa temática na América Latina e segunda maior biblioteca de soluções da Internet com quase 800 soluções de 38 países.

“Existe uma real emergência climática que muitos ainda não compreenderam a gravidade e a necessidade de agir para remediar e regenerar esta situação. Se não agirmos a nível global, de forma coordenada, as futuras gerações herdarão um planeta extremamente hostil em comparação com a vida que tivemos”, alerta Fabiano Porto.

O papel do Instituto Regeneração Global neste complexo cenário é oferecer uma espécie de “mecânica da regeneração", organizando e disponibilizando todas as soluções que podem ser aplicadas para melhoria da sociedade. “Realmente acreditamos que assim como temos a Wikipedia para conteúdos, YouTube para vídeos e Google para buscar é absolutamente essencial termos uma ‘Wiki-Solution’ global, um portal colaborativo onde todos os inventores e responsáveis por soluções possam cadastrar seus projetos e se conectar com consumidores, investidores e aceleradoras de negócios”, explicou Fabiano.

Equipe do Instituto Regeneração Global.
Equipe do Instituto Regeneração Global.

O portal é colaborativo e todos podem contribuir e fazer parte. Especificamente na Wiki-solution.org, a pessoa pode inserir os dados de uma solução que viu na Internet que a equipe de moderação fará a curadoria para avaliar as informações. Qualquer usuário também pode apontar falhas e propor correções.

Universidades brasileiras também buscam alternativas sustentáveis

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), por meio de um acordo com o Governo do Estado do Rio Grande do Sul e em parceria com a Hyperloop Transportation Technologies (HyperloopTT), concluiu nesse semestre um estudo em agosto deste ano sobre a viabilidade do transporte ultrarrápido ( 800 km/h) e sustentável na região Sul do Brasil.

Divulgação
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A pesquisa para a implementação do modal em cápsulas para passageiros e cargas é pioneira na América Latina e estima que, em 30 anos, haverá uma redução de R$ 2,3 bilhões no custo operacional da rota que vai de Porto Alegre a Caxias do Sul, passando pelas cidades de Novo Hamburgo e Gramado.

O modal proposto pela HyperloopTT é alimentado por energia renovável e prevê a instalação de painéis fotovoltaicos em 80% do percurso Porto Alegre - Serra Gaúcha acima do solo, considerando possíveis problemas técnicos como sombreamento, que podem inviabilizar a instalação em alguns trechos.

Seu potencial de produção anual de energia é estimado em 339 GWh, enquanto o consumo energético é de apenas 73 GWh ao ano. Assim, o hyperloop poderá produzir 3,6 vezes mais energia do que consome e ser considerado um sistema com autossuficiência energética, em que a venda do excedente não é necessária para a sua sobrevivência.

O estudo da rota gaúcha priorizou um percurso que minimiza a distância entre as cidades e, ao mesmo tempo, se adequa à topografia do terreno para reduzir a necessidade de obras complexas relacionadas a túneis e viadutos e, assim, mitigar o impacto ambiental.  A emissão de gases que causam o efeito estufa e outros poluentes também será drasticamente reduzida com a adoção do transporte no Rio Grande do Sul. Cerca de 95 mil toneladas de CO2 deixarão de ir para a atmosfera, contribuindo para a sustentabilidade ao mesmo tempo em que não abre mão do desenvolvimento econômico, tecnológico e social.

Não somente instituições, universidades e governos estão preocupados com a emissão de gases tóxicos e a busca por alternativas de transportes mais sustentáveis. Os próprios consumidores estão mudando hábitos de maneira cada vez mais rápida e consciente. No início do ano, uma pesquisa feita pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), em parceria com o Boston Consulting Group (BCG), mostrou que, em 2035, 62% dos automóveis 0km do Brasil serão elétricos ou híbridos. O que mostra uma tendência em ascensão para os próximos anos e uma mudança significativa pela qual o mercado automotivo irá passar.

O Futuro dos Negócios Sustentáveis

Alexandre Meza, fundador da Biotera, atua no mercado de sustentabilidade desde 2002, conhecendo principalmente a necessidade do mercado. Por quase 9 anos foi gerente de produtos sustentáveis em um banco holandês no Brasil. Neste período viajou o país todo visitando iniciativas sustentáveis e tecnologia. Mais adiante, decidiu apostar nesse segmento empreendendo.

“Toda e qualquer empresa, pessoa e governo precisa de suporte para decisões que melhorem o meio ambiente e a operação. Nunca podemos desprezar o fator econômico. É o triple bottom line – P-people, P-planet e P-profit.”, explicou Alexandre.

Alexandre desenvolveu a plataforma MSR – Manejo Sustentável de Resíduos.  O objetivo da plataforma é atender a logística reversa das empresas de embalagens e melhorar, adequar e fortalecer a economia circular. “Esse é o mercado que pretendemos atuar. Disponibilizar para as empresas que precisam atender a logística reversa um serviço mensurável, escalável, replicável e auditável, em todo território nacional ou além dele. O resíduo é universal.”, disse.

Até agora, tudo foi feito com o faturamento da Biotera que transfere recursos para uma conta de pesquisa e desenvolvimento, voltada ao desenvolvimento da plataforma MSR. “Com a integração da cadeia consumidor com coletor e cooperativas, dignificamos e reconhecemos o trabalho destes permitindo o aumento de emprego e renda. É um modelo econômico viável.”, finalizou.

O tema sobre sustentabilidade é extenso e vale a pena seguirmos acompanhando todos os movimentos do mercado, da economia e do Governo. Hoje encerramos essa série, mas seguiremos abertos a trazer outros temas sobre ESG no contexto do ecossistema de inovação e startups.

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