Homofobia não é o que andam dizendo ou pregando por aí. Jamais deveria ter sido comparada a racismo, como fizeram os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) ao legislar sobre o tema anos atrás, extrapolando as funções do Judiciário e transformando em crime comparável ao preconceito de raça, qualquer fala aparentemente preconceituosa sobre gays.
Quem diz isso é o profissional de marketing digital, bacharel em Direito, Dom Lancellotti, conhecido nas redes sociais mais por seu ativismo político em apoio ao presidente Bolsonaro do que pela homossexualidade assumida, o que, aliás, ele considera irrelevante.
Conservador, defende a família e a educação das crianças, livre de ideologia de gênero, entre outras pautas. Jamais militou pela "causa LGBT", por considerar, esta sim, de extrema intolerância.
Dom é fundador do Movimento Gays Com Bolsonaro e diz não sofrer tanto preconceito por sua opção sexual, quanto pelo posicionamento político. "Sou a minoria da minoria", revela, acrescentando que a própria comunidade LGBT é homofóbica e intolerante com quem pensa diferente.
Homenagem ao pai
No último domingo, dia dos Pais, Dom emocionou seus seguidores no Twitter, ao publicar uma homenagem ao próprio pai, que seria classificado como homofóbico por ter dito, no passado, que preferia ver o filho morto do que saber que era homossexual, exatamente como fez certa vez o presidente Bolsonaro.
No tweet, Dom compartilha um relato pessoal de como o pai foi aceitando sua escolha com o passar do tempo até chegar na foto do abraço que recebeu do pai no dia de seu casamento com o companheiro, Márcio de Carvalho.
Repare na força de um único relato, sincero, respeitoso, efetivamente empático, tentando compreender o outro. É uma prova de que tolerância e respeito pelas diferenças se conquistam a partir de diálogo, e não com imposição de ideias ou pensamentos.
Relato desmistificando homofobia
"Meu pai tem quase a mesma idade do Jair. Tudo o que Jair disse eu já ouvi do meu pai. Assim que me assumi, estava com meu pai no carro e pensei que a gente fosse morrer, ele acelerava e gritava: 'prefiro ter um filho morto do que um filho gay. Eu não aceito. Filho meu é homem.' E eu respondia: 'pai, sou homem. Só sou homossexual. Não vai mudar nada'."
'Jair e meu pai foram criados na mesma época, com as mesmas ideias, sem conhecimento sobre determinadas coisas. Além disso, tinham como referência a promiscuidade que o movimento LGBT virou. Eu entendo completamente que um tiozão do pavê, como meu pai e o presidente, tenha esses pensamentos. Isso não significa que a pessoa não possa mudar."
"Em 2010, quando revelei minha homossexualidade, meu pai queria que eu morresse. Já meu pai de 2022 estava no meu casamento, abraçando meu marido, chorando. Feliz dia dos pais!"

Formada em Comunicação Social – Jornalismo (UFPR/1992). Trabalhou como repórter de TV por 26 anos. Está na Gazeta do Povo desde julho de 2018, onde já atuou como produtora e apresentadora de minidocumentários em vídeo e programas de análise política (Última Análise, Conversa Com Fiúza, Passando a Régua com Rodrigo Constantino e Hora do Strike). Estreou como colunista em fevereiro de 2020, publicando textos e vídeos na coluna Falando Abertamente, editoria Vozes. Às segundas-feiras comanda o programa Segunda Opinião, apresentado ao vivo, às 20h, envolvendo outros comentaristas em debates sobre temas relacionados às Convicções da Gazeta do Povo.**Os textos da colunista não representam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



