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Crônicas de um Estado laico

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Laicismo

A nova guilhotina woke fez mais uma vítima: o professor professor Tassos Lycurgo

"É a velha lógica revolucionária francesa reapresentada em embalagem woke com frases de efeito". (Foto: Imagem criada com Google Gemini)

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O professor Tassos Lycurgo é a nova vítima da sanha woke. Graduado em Direito, Filosofia e Educação, doutor em Educação, pós-doutor em Sociologia, alguém que passou a vida inteira estudando para ocupar, de forma legítima, um lugar no espaço público. Não para repetir palavras de ordem, mas para ensinar, pensar e defender aquilo em que acredita. Em qualquer democracia funcional, isso deveria ser um mérito. No Brasil atual, virou passivo.

O problema é que os woke sabichões de plantão não estão minimamente interessados em currículo, produção intelectual ou formação acadêmica. O que move esse pessoal não é o amor ao conhecimento, mas a compulsão por lacração. E quem não lacra com eles e não repete o catecismo do dia, vira automaticamente fascista. Simples assim. Sem processo, sem contraditório, sem chance de defesa. O tribunal é virtual, a sentença é sumária.

Nesse espírito iluminado ao sabor de Robespierre, um grupo de super gênios autoproclamados do saber humano resolveu organizar uma campanha de difamação cujo objetivo declarado não é debater ideias, mas remover o professor Lycurgo do espaço público por meio de sua demissão. Não se busca vitória pela via da apologética, do convencimento ou do debate honesto. Busca-se eliminar. Cortar cabeças na nova guilhotina woke: limpa, simbólica, moralmente higienizada, mas igualmente brutal.

Não se responde com argumentos. Responde-se com linchamento moral. Não se enfrenta o pensamento. Cancela-se o pensador. É a velha lógica revolucionária francesa reapresentada em embalagem woke com frases de efeito.

A democracia exige mais do que tolerância seletiva. Exige disposição para conviver com o dissenso, inclusive, e sobretudo, com o dissenso religioso.

Curiosamente, esses mesmos grupos defendem como “verdade científica incontestável” um conjunto de concepções formuladas há poucas décadas, mas tratam como intolerável um pensamento cuja tradição é milenar. Entraram ontem na arena do conhecimento, mas se comportam como seus proprietários exclusivos. Agem como se a história tivesse começado neles, e como se discordar fosse uma forma de violência. Se bem me lembro, a declaração da revolução francesa começava com marco zero, qualquer semelhança...

Só que o conhecimento humano nunca foi monolítico. E nunca avançou por unanimidade forçada. A divergência não é um defeito do saber; é a condição da sua própria existência. Ideias não florescem no silêncio imposto, mas no confronto racional. O debate é a arena do conhecimento, e a contrariedade é o seu oxigênio. Quando se tenta calar uma voz por meio de campanhas de deslegitimação pessoal, não se protege a ciência, sufoca-se o próprio pensamento.

O cenário fica ainda mais patético quando se constata que o professor não está “doutrinando” alunos, nem descumprindo currículo universitário. Em sala de aula, cumpre rigorosamente o programa, os objetivos da disciplina e os parâmetros acadêmicos exigidos. O que incomoda não é o que ele ensina na universidade, mas o fato de ele existir fora dela como alguém que pensa, fala e se posiciona no espaço público.

E aqui tocamos no nervo exposto da questão, aquele que realmente irrita os fiscais da virtude iluminada woke: além de sua formação acadêmica, o professor defende valores ancorados na tradição cristã. A mesma tradição que moldou a identidade do Brasil, estruturou o Ocidente e segue sendo professada pela maior parte da população brasileira. Exigir que alguém esconda ou silencie essas convicções no espaço público não é neutralidade; é censura moral.

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É simplesmente inacreditável que, em um Estado Democrático de Direito, com uma Constituição promulgada “sob a proteção de Deus”, em um país cujo próprio pavilhão nacional ostenta a cruz de Cristo, seja tratado como inaceitável defender publicamente os valores que ajudaram a formar essa nação. Isso não tem nada a ver com laicidade, mas sim com laicismo militante e mal disfarçado.

Recentemente escrevemos em nossa coluna que 2025 parece ter se tornado o ano em que ser crente virou quase um crime. Tudo indica que essa sanha de criminalização da fé não pretende arrefecer em 2026. Agora, ela assume uma forma ainda mais perigosa: a tentativa de expulsar do debate público quem ousa discordar da ortodoxia e iluminação woke.

Mas há algo que esses grupos ainda não compreenderam, talvez porque nunca tenham precisado conviver com a democracia real. Democracias não sobrevivem à lógica da exclusão moral. E quem acredita não pode defender seus valores com menos coragem do que aqueles que tentam bani-los do espaço público. A democracia exige mais do que tolerância seletiva. Exige disposição para conviver com o dissenso, inclusive, e sobretudo, com o dissenso religioso.

É isso que está em jogo. E não é pouca coisa. Sigamos, com fé em Deus e a intrepidez necessária para combater os inimigos do conhecimento, da dialética e da democracia.

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