
Ouça este conteúdo
Dizem que, na Espanha, durante a Idade Média, comerciantes inescrupulosos vendiam carne de gato temperada no lugar da carne de lebre, que era muito mais cara e nobre.
Próximos à data de comemorarmos o Dia Internacional das Mulheres, esse ditado popular adquire nova força, pois simulacros daquilo que vem a ser uma mulher estão pipocando aos montes, e um dos responsáveis por esse engodo é o próprio movimento feminista.
Mas isso, como diria outra expressão popular, Freud explica.
Freud explica:
No livro “A Interpretação dos Sonhos”, Sigmund Freud apresenta um conceito no campo psicanalítico, o qual chama de transferência neurótica. Segundo essa tese, parte dos acontecimentos que se desenvolveram ao longo do dia é transferida para os sonhos e trabalhada pelo inconsciente: alegrias, tristezas, angústias etc.
O interessante dessa tese é que Freud não a considera apenas no âmbito onírico. Segundo ele, essa transferência também acontece em outros momentos da vida cotidiana.
Nos relacionamentos, por exemplo, a transferência envolve a projeção de emoções, desejos e conflitos de relações passadas sobre o atual parceiro, e há uma repetição de padrões: se a referência de relacionamento anterior for positiva, idealiza-se o atual companheiro como alguém perfeito, protetor, sábio etc. Pais presentes e amorosos, por exemplo, gerarão essa transferência edificante.
Entretanto, se for negativa, idealizam-se, no atual parceiro, apenas frustrações passadas, gerando reclamações, desentendimentos e crises nos relacionamentos, porque a pessoa não consegue se desvencilhar daquela “figura fantasiada” que ficou projetada nela e desconta, na pessoa real, todo aquele ódio inconsciente.
E aqui está o gato que o movimento feminista está vendendo.
O gato:
Inicialmente pensado para lidar com importantes questões relacionadas ao sufrágio e aos direitos trabalhistas e educacionais das mulheres, infelizmente o movimento feminista seguiu a mesma lógica marxista de opressor/oprimido, elegendo o homem como culpado de toda sorte de infortúnios a que são submetidas as mulheres.
Assolado por uma ânsia cada vez mais descontrolada de se sobrepor ao homem, o feminismo parece ter se esquecido de sua finalidade última e abraçado as teorias mais estapafúrdias, tudo em razão de uma interminável e ilusória luta contra o masculino.
De fato, ao invés de abraçar a natural complementariedade que enriquece a relação homem-mulher, o feminismo simplesmente enlouqueceu e passou a defender ideias completamente absurdas e extremamente prejudiciais à própria mulher.
Uma alegada opressão, que resultou numa tal “dívida histórica” (que, aliás, nunca conseguirá ser saldada), impele meninas e mulheres a acreditar que o objetivo é “empoderar-se” contra o inimigo homem.
Antigas relações entre homem e mulher, sempre tomadas como negativas, são a única transferência freudiana admissível para o movimento feminista.
Sob a influência dessa alegada transferência negativa histórica, bandeiras como a do aborto aparecem como uma espécie de libertação das amarras opressoras do tal patriarcado
Segundo creem, a possibilidade de se livrarem de uma gravidez indesejada é uma ferramenta indispensável para alcançarem o mundo perfeito por elas idealizado. O aborto seria a chave da autonomia da mulher, e sua prática deveria ser estendida a todas, indistintamente. No atual mundo feminista, o abortamento e a felicidade seriam grandezas diretamente proporcionais.
Chavões como o de que “úteros não estão a serviço da sociedade” e que “mulheres não são meros instrumentos para a reprodução” recaem na absurda contradição de defender o abortamento, que termina por matar milhares de meninas indefesas dentro do útero de suas mães.
A transferência negativa de um personagem opressor do passado, então, justifica toda sorte de ações para alcançar o almejado “empoderamento”.
A lebre:
Mas a verdade está longe disso.
A mulher não pode perder aquilo que constitui sua riqueza essencial, cuja beleza foi objeto de exclamação, admiração e encanto na própria descrição bíblica de sua primeira aparição ao homem.
Mesmo para aqueles que não acreditam no relato bíblico, a psicologia comportamental comprova que a verdade plena da feminilidade está em sua maior inteligência emocional, decorrente de sua inerente capacidade de se colocar no lugar do outro e de se doar completamente.
Além de fatores hormonais e da estrutura cerebral com maiores conexões, há a natural vocação maternal da mulher, que se manifesta não só biologicamente, como também na maternidade afetiva, cultural e espiritual.
A mulher – muito mais do que o homem – compreende a pessoa em sua humanidade porque a vê com o coração. Independentemente de sistemas ideológicos e políticos, enxerga cada um em suas grandezas e limites, procurando ir ao seu encontro para ser seu auxílio.
Ela – assim como o homem virtuoso – também sabe que esse empoderamento, que somente quer subjugar o próximo, não é algo a ser perseguido.
O real poder é se colocar a serviço, e esse servir encontra, na vocação feminina, em suas mais variadas expressões, sua mais completa realização, e todos os homens têm de ter consciência desse débito especial com a mulher.
Domingo, então, louvemos e exaltemos as mulheres, mas não somente as grandes e famosas de nossa história ou contemporâneas: enalteçamos todas as mulheres simples, que revelam seu talento feminino com o serviço aos outros na normalidade de nosso cotidiano e que, com amor, doam-se à humanidade.








