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Dante Mendonça

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Caçador de histórias.

As piores e melhores invenções da humanidade

  • Dante MendoncaPor Dante Mendonca
  • 26/07/2020 08:57
As piores e melhores invenções da humanidade
| Foto:

Entre um refrigerante e um copo bem tirado de chope, qual dos dois seria uma das invenções mais estúpidas da humanidade? Para o escritor britânico Eric Chaline, autor de As piores invenções da história – e os culpados por elas, o refrigerante está na lista das 50 coisas que podem ser consideradas “as piores invenções” em diferentes sentidos.

Para nosso desconforto, por não servirem para nada, a não ser nos envaidecerem ou nos fazerem de bobos – como os remédios milagrosos -, ou por terem sido originalmente projetadas para servirem aos piores propósitos mesmo - como as armas biológicas, químicas e a bomba atômica-, alguns exemplos do rol da estupidez: o plástico; o karaokê; o carro voador; a crinolina (espécie de saia-balão de grande diâmetro que se tornou popular entre as mulheres do século 19); o salto alto; a pena de morte; e, para citar uma vaidade que já ultrapassou os limites do bizarro, as tatuagens dos jogadores de futebol.

Principalmente no contexto brasileiro, com a pandemia levando autoridades a ultrapassarem os limites da estupidez, todo cuidado é pouco com os remédios milagrosos.

Na pandemia de 1918, quando a “Gripe espanhola” quase dizimou a humanidade, Albert Camus escreveu: “O que é verdadeiro sobre todos os males do mundo também é verdadeiro em relação à peste. Ajuda os homens a se superar.” Por sua vez, o escritor John M. Barry acrescentou: “Mas, como sabia Camus, o mal e as crises não fazem com que todos homens se superem. A crise faz apenas com que se descubram. E alguns descobrem uma humanidade menos do que inspiradora”.

John M. Barry é autor do livro A Grande Gripe: A história da Gripe Espanhola, a pandemia mais mortal de todos os tempos, obra que o Ministério da Saúde deveria distribuir aos políticos e ministros com carência de leitura.

Na pandemia de 1918, quando a gripe espanhola quase dizimou a humanidade, John M. Barry conta que, pelo mundo afora, centenas de milhões não se consultaram com médicos ou enfermeiras, e experimentavam todo tipo de medicina popular ou remédio fraudulento disponível ou imaginável: “Bolas de cânfora com alho foram penduradas no pescoço das pessoas. Outros gargarejavam com desinfetantes, deixavam o ar gelado varrer suas casas ou fechavam bem as janelas e superaqueciam os cômodos. Anúncios enchiam os jornais, às vezes compostos na mesma letra das notícias — dificultando a distinção — ou em letras enormes que tomavam a página. A única coisa que compartilhavam: todos declaravam com confiança que havia um modo de deter a gripe, que havia um modo de sobreviver”.

Uma verdade não mudou desde o tempo de Hipócrates até hoje – lembra John M. Barry: “Quando confrontados com pacientes desesperados, os médicos em geral não conseguem ficar sem fazer nada. E, assim, um médico, tão desesperado quanto o paciente, pode tentar qualquer coisa, incluindo aquelas que sabe que não funcionarão, contanto que não causem danos. No mínimo, o paciente terá algum consolo.”

Em 1918 a "cloroquina" já servia de consolo nos EUA, como conta John Barry: "Os médicos injetaram a vacina contra febre tifoide os pacientes, pensando - ou esperando- que ela poderia, de algum modo, reforçar o sistema imunológico de modo geral, embora a especificidade da resposta imune fosse bem compreendida. Alguns afirmavam que funcionava. Outros aplicavam todas as vacinas conhecidas, seguindo a mesma teoria. O quinino funcionava em uma doença: a malária. Muitos trataram seus pacientes de gripe com quinino apenas por desespero".

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Em 2012 o Museu de Ciências de Londres promoveu uma votação para escolher as 10 maiores invenções e descobertas do século. Surpreendendo até mesmo os organizadores, venceu o Raio-X, do alemão Wilhelm Conrad Röntgen; em segundo lugar ficou a penicilina, do escocês Alexander Flemming, em 1928; na terceira posição ficou a estrutura do DNA, creditada aos cientistas Francis Crick e James Watson, em 1953.

Para quem considera o refrigerante uma estupidez e tem como uma genialidade um copo bem tirado de chope, tem a história do velho Egg, de tradicional família curitibana. Naqueles tempos em que a televisão era uma das maiores modernidades do século, quando se amarrava cachorro com linguiça feita em casa, existia ao lado da Igreja da Ordem, no comecinho da Mateus Leme, o armazém do velho Egg, onde o chope era tirado com maestria artística e paciência oriental. O melhor de Curitiba, era na porta do armazém que a freguesia sentava nos caixotes de mantimentos e esperava disciplinadamente e com paciência a joia etílica do mestre Egg. Quando alguém pedia um chope “ligeirinho”, o mestre chopeiro respondia com a pressa exigida:

- Querrrendo tomar chope ligeirrrinho vai tomar lá na Rua XV! Aqui leva o tempo que precisa!

Certa vez o jornalista Rosnel Bond, que guardava no paladar os melhores chopes da cidade, perguntou ao velho Egg: “Qual foi a maior invenção do século?”. O alemão respondeu ligeirinho: “A pompa! A pompa da chopes!”.

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Como se sabe, o Raio-X foi o bisavô da tomografia, da ressonância magnética e, no futuro, tataravô da máquina de ler o pensamento, detectar desejos, prever intenções, gravar pesadelos e sonhos. Só não se sabe se entre os votantes do Museu de Ciências de Londres algum discípulo do velho Egg votou na “pompa da chopes”.

O que eu sei, por enquanto, é que a vacina da Covid-19 será uma das três mais importantes descobertas do século 21. E, quando isso acontecer, gostaria de fazer um brinde ao velho Egg.

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Comentários [ 1 ]

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  • P

    Paulo Z

    ± 0 minutos

    O Dante é um grande cronista de Curitiba, mas deixou escapar um fato histórico relacionado a pandemia. A Churrascaria do Erwin já previa tudo isto há décadas: vc sentava lá e vinha o cara passando álcool na mesa.

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