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Icônico, logo da Apple tem status de inovação.
Estratégia da Apple passa pelo estímulo para que pessoas troquem seus aparelhos em períodos muito curtos, apenas para não deixarem de ter os modelos mais recentes.| Foto: Bigstock

O design é uma das áreas mais importantes no mundo atual, responsável por criar e dar forma a muitos produtos e serviços que usamos no nosso dia a dia. Mas o que muitas pessoas não percebem é que o design não é apenas uma questão de estética ou funcionalidade, mas também pode estar intimamente ligado ao significado e à mensagem que um produto ou serviço transmite.

Dessa forma, um dos campos que atualmente mais me fascina é a semiótica, que trata do estudo dos signos e símbolos e de como eles são interpretados por diferentes pessoas em diferentes contextos.

A união dessas duas ferramentas tem uma grande capacidade de transmitir significados aos consumidores e usuários. De fato, podemos observar mundo afora que, de forma cada vez mais frequente, estúdios de design vêm sendo comprados por grandes agências de publicidade e marketing ou, ainda, por grandes grupos empresariais.

Em um mundo repleto de produtos para consumo, é necessário o pensamento do significado por trás de cada manufatura. A reputação de cada marca é expressa, sobretudo, no significado de sua produção e valores que a cercam.

Não basta mais o dueto produto x preço; mas sim o produto, como ele é produzido, como sua produção impacta a sociedade como um todo, e qual a relação do produto com o consumidor.

Ou seja, cada vez mais nos distanciamos da receita forma x função. É cada vez mais difícil destacar-se em um mundo com tanta (des)informação. Receitas antigas da publicidade não mais funcionam (slogans de musiquinhas e família de margarina no intervalo da novela).

Desde o início da história do design, os criativos têm se esforçado para desenhar objetos que não apenas funcionem bem, mas que também tenham um significado mais profundo.

Por exemplo, muitos objetos de design que foram criados durante o movimento “Arts and Crafts”, no final do século 19, foram projetados para transmitir uma mensagem sobre a importância da qualidade e da habilidade manual em um mundo cada vez mais industrializado. Posteriormente, geraram a união do artesanal e industrial do movimento denominado Arte Nouveau. Mas a associação entre design e significado não se limita apenas ao movimento Arts and Crafts.

Na verdade, muitos dos objetos de design mais icônicos da história têm uma mensagem ou significado subjacente. No campo gráfico, por exemplo, o mais icônico é o logo da Apple. A maçã mordida, que muitos interpretam como uma referência ao fruto proibido do Jardim do Éden, trata-se, na verdade, de uma mensagem subliminar no qual a empresa desafia o status quo oferecendo tecnologia inovadora e levando os usuários a um novo patamar de criatividade e produtividade.

Cadeira Barcelona foi desenhada
em 1929.
Cadeira Barcelona foi desenhada em 1929.| Bigstock

Já no campo do design de produto, um bom exemplo é a poltrona Barcelona, projetada por Mies van der Rohe, em 1929. A cadeira, que foi originalmente projetada para a Exposição Internacional de Barcelona, foi criada para representar a elegância e o luxo da cultura espanhola. Não por acaso, a peça posteriormente foi utilizada como trono do Rei e Rainha da Espanha e até os dias atuais trata-se de um objeto de desejo para muitos.

O design não é mais apenas uma questão de estética ou funcionalidade, mas também está intimamente ligado ao significado e à mensagem que um produto transmite.

Quando você olha para um objeto de design, é importante lembrar que há mais do que apenas a aparência externa – há uma mensagem subjacente que o criador está tentando transmitir.

Design é significado, e cada vez mais será assim.

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