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Obra de Maurizio Cattelan, vendida por US$ 120 mil. Artista foi acusado de plagiar a obra Banana & Orange” (2000), de Joe Morford
Obra de Maurizio Cattelan, vendida por US$ 120 mil. Artista foi acusado de plagiar a obra Banana & Orange” (2000), de Joe Morford| Foto: Divulgação

Em recentes colunas publicadas na Pinó, “Beleza é Significado” e “Fast Food Imagético”, expresso minha preocupação em relação ao mercado de arte contemporânea e sua crescente tendência à aleatoriedade.

Recentemente, um exemplo marcante disso foi a venda da obra de Maurizio Cattelan, que consistia em uma banana presa à parede com fita adesiva, por um valor incrível de 120 mil dólares na feira de arte contemporânea Miami Art Basel. Isso já era surpreendente, porém, tornou-se ainda mais notável quando o artista Joe Morford, da Califórnia, processou Cattelan por plágio em relação à sua obra “Banana & Orange” (2000), buscando uma indenização de 390 mil dólares, referente às três obras vendidas por aquele artista.

Obra de Maurizio Cattelan, vendida por US$ 120 mil. Artista foi acusado de plagiar a obra Banana & Orange” (2000), de Joe Morford
Obra de Maurizio Cattelan, vendida por US$ 120 mil. Artista foi acusado de plagiar a obra Banana & Orange” (2000), de Joe Morford| Divulgação

Esse fenômeno nos leva a refletir sobre as críticas da Escola de Frankfurt, que teve entre seus principais pensadores os filósofos Walter Benjamin e Jürgen Habermas. Em 1947, eles abordaram a Indústria Cultural, destacando como o mercado transforma a arte e a cultura em meras mercadorias, subjugando os artistas ao viés do mercado financeiro, o que é conhecido como indústria cultural. Os artistas (será?) se tornam alienados, produzindo apenas o que o sistema deseja.

Hoje em dia essa crítica é ainda mais relevante, pois podemos facilmente substituir a denominação “artistas” pela de “usuários de IA”. Vimos recentemente um “artista” ganhar uma feira de artes no Colorado com uma “composição” criada por um programa de inteligência artificial (IA) chamado Midjourney, capaz de gerar imagens a partir de coordenadas. Fato que também ocorreu no prestigioso prêmio de fotografia Sony World Photography, no qual um artista alemão conquistou o primeiro lugar com uma “fotografia” que remetia a uma cena do século 20 igualmente criada pela IA.

Diante desse cenário, é crucial repensarmos os parâmetros da arte, pois, se não o fizermos, corremos o risco de ver os novos Picassos e Gaudís não como indivíduos criativos, mas sim como produtos de sistemas de inteligência artificial.

Acredito que o elemento fundamental da arte está na narrativa. Em meu caso, compartilho a crença de que não se trata apenas de expor um produto de forma aleatória, mas de criar uma experiência completa em que o espaço se torne uma plataforma crítica capaz de levar o espectador a uma profunda reflexão (e entendimento) sobre o autor, seu passado, presente e futuro.

Recomendo ao nobre leitor a leitura da coluna do brilhante crítico e estudioso de Arte e Design Rafael Cardoso: “Arte contemporânea, engolida pelo mercado financeiro, vive declínio”. Conforme podemos observar, o mundo clama por uma nova Escola de Frankfurt, uma vez que estão em pauta questões sobre a qualidade, autenticidade e integridade da arte contemporânea.

“Quando tudo é arte, nada é arte”, já dizia Theodor Adorno, um dos fundadores da Escola de Frankfurt.

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