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Influência do bem
| Foto: Bigstock

Há pouco tempo, o fenômeno da internet transformou o jornalismo, contribuindo para a democratização das notícias e a possibilidade de cada um de nós termos nossos “cinco minutos de fama” -- validando a previsão do pintor pop Andy Warhol.

Tal fenômeno nocauteou a mídia tradicional, sobrando apenas os poucos e bons. Se fosse escrever por aqui a lista de revistas que encerraram suas atividades, precisaria de um longo pergaminho. De fato, este meio do percurso entre o analógico e o digital foi duro para a grande mídia.

Leitores refletiram: por que pagar por um conteúdo que está disponível gratuitamente na internet? Por que aguardar, semana ou mês por aquela notícia que leio de imediato?

E a pergunta para a grande mídia era: como sobreviver a escassez de leitores?

O tempo trouxe a resposta. As mídias remanescentes são na verdade uma grande curadoria de informações. Escolher a dedo sobre o que é importante e saber em meio a um milhão de notícias que pipocam em computadores, tablets e celulares não é simples. Tampouco o papel de dar voz a entrevistados e colunistas.

Quem tem o quê a dizer? Qual a sua credibilidade? São algumas das questões que seguramente norteiam tais escolhas por parte dos editores.

Já a mídia social trouxe voz a todos. Alguns personagens tornam-se influenciadores com milhares de seguidores. Mesmo sem ter preparo para tal. Muitas vezes são “cancelados”, para usar o novo jargão popular, por alguma barbaridade que falam.

Aquele que influencia, pelos mais diversos meios (revistas, internet, trabalho, palestras ou mídias sociais) tem uma grande responsabilidade. A ética deve linear esse percurso.

Um dos maiores experts sobre o tema da modernidade, o filósofo contemporâneo Zigmunt Baumann (1925-2017), considerava as mídias sociais uma grande armadilha. Baumann dizia que nas redes é muito simples segregar e falar apenas com aqueles que lhe aplaudem e evitar os que divergem. Sendo por fim, uma ferramenta de eco para suas próprias vozes.

As mídias sociais, de fato, vieram para ficar. Seja por qualquer um dos canais que se fazem presente: Facebook, Instagram, TikTok etc. Mas não são uma ferramenta para amadores. Acredito que assim como ocorreu com a mídia convencional, perpetuarão os profissionais mais éticos e qualificados.

Outro dia, passeando por um shopping na capital paulista, me deparei com um espaço de conteúdo. Por ali, em ambientação impecável, temas interessantíssimos eram discutidos.

Me deparei, por exemplo, com um improvável debate entre Fafá de Belém (que aprendi por lá ser um grande case no mundo digital e que, em função de sua espontaneidade, tornou-se membro daqueles que têm 1 milhão de seguidores) e o rabino Nilton Bonder.

Além de necessária discussão sobre sustentabilidade, o encontro contou com membros das ONGs SOS Mata Atlântica, SOS Pantanal, Onçafari, e Sea Sheperd Brasil. O espaço também contava com a curadoria de Alice Ferraz, a pioneira no quesito mídias sociais no país.

Uma influência com propósito e com curadoria. Tal qual ocorre com as boas mídias impressas.

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